Update: confira a relação das 10 melhores canções de 2010

Uma coisa é certa: o que agradam os ouvintes, hoje em dia, são as músicas bem produzidas. Principalmente quando não há virtuosos tocando. A lista do Top 20 das melhores músicas do Na Mira do Groove contempla algumas canções com essas características, mas não podia deixar de incluir faixas imbuídas de protesto social (viva Gil Scott-Heron), remakes muito bem feitos (The Jolly Boys e mesmo Seu Jorge são exemplos) e canções que, uma vez escutadas, dificilmente saem da cabeça (LCD Soundsystem é especialista nisso).

De qualquer forma, essa não é uma lista definitiva e está atrelada aos gostos pessoais de um moderador. É como já disse o proprietário da Trama Virtual, João Marcelo Bôscoli, certa vez em um curso de crítica musical: “Uma crítica nada mais é do que a opinião de um jornalista”. E essa lista não foge disso.

Confira a seleção:

20. “The High Road”

Broken Bells

Álbum: Broken Bells
Gênero: Indie Rock/Alternativo

O projeto do aclamado produtor Danger Mouse (metade do Gnarls Barkley) e o frontman do The Shins, James Mercer, é um pop sintetizado com uma roupagem vintage. A canção trafega por referências oitentistas e não cai no exagero ao abusar dos sintetizadores. A densidade vocal de Mercer e os backing vocals soturnos são o ponto alto, com potencial para acompanhar os ouvintes nos ensejos mais íntimos.

19. “The Fire”

The Roots ft. John Legend

Álbum: How I Got Over
Gênero: Hip Hop/R&B

Primeiro single de uma parceria de sucesso, “The Fire” combina a potência das vozes de John Legend e as rimas nervosas de BlackThought em um rap que conta com um diferencial: a união de elementos de música negra diferentes que soam tão modernos quanto a habilidade dos vocalistas.

18. Tame Impala: “Solitude is Bliss”

Álbum: Innerspeaker
Gênero: Indie Rock

O grupo australiano Tame Impala mune o rock indie com psicodelia e técnicas vocais que dão um tom ‘viajeira’ às canções. “Solitude Is Bliss” é o mais próximo que o grupo conseguiu chegar do pop, mas nem é isso que garantiu esse posto ao single. O acerto está justamente em como juntar todos esses elementos de forma primorosa.

17. “Little Ghetto Boy”

John Legend ft. The Roots

Álbum: Wake Up!
Gênero: R&B

Novamente BlackThought e John Legend mostram serviço, mas desta vez sobrepõe-se a soul music que caracteriza o som de Legend. Regravação do clássico de Donny Hathaway, “Little Ghetto Boy” transmite positivismo à Era Obama, inspiração-mor para o álbum Wake Up!

16. “Her Confidence”

Marnie Stern

Álbum: Marnie Stern
Gênero: Hard Rock

Se tem uma coisa que a canção de Marnie Stern nos ensina, é que a roqueira não tem limites quando o assunto é dedilhar as cordas de sua guitarra com agressividade. As baterias flamejantes de Zach Hill contribuem para a agilidade da faixa, que conta com uma virada extraordinária. Impossível não se agitar.

15. “Me and the Devil”

Gil Scott-Heron

Álbum: I’m New Here
Gênero: Hip Hop/Dubstep

O retorno de Gil Scott-Heron às artes em geral é reflexo de que vivemos em tempos de mudança. Principal difusor de ideais ativistas que originaram o hip hop, Scott-Heron mostra que seu comprometimento intelectual não cansou com o passar dos anos. “Me and The Devil” expõe a faceta desoladora do cantor, mas é a prova viva de que ainda hoje precisamos ouvir o que ele tem para dizer.

14. “Rehab”

The Jolly Boys

Álbum: Great Expectation
Gênero: Mento/Calypso

Com o lançamento de Great Expectation, os veteranos do The Jolly Boys nos dá uma introdução a dois dos tradicionalíssimos ritmos jamaicanos: o mento e o calypso. Com mais de 60 anos, os integrantes fizeram um remake de “Rehab”, de Amy Winehouse, e se entregaram como se tivessem rejuvenescido 30, 40 anos.

13. “Tighten Up”

The Black Keys

Álbum: Brothers
Gênero: Blues-Rock

O duo Dan Auerbach e Patrick Carney faz um blues arrastado calcado na interação entre guitarra e bateria. “Tighten Up” é animada e une arcaico e moderno em uma balada divertida e dançante, sem deixar de lado retoques modernos, como órgão e sintetizadores.

12. “Good Intentions Paving Company”

Joanna Newsom

Álbum: Have One On Me
Gênero: Folk

A canção fala sobre a trilha de um casal rumo ao inferno astral, com um lirismo excêntrico e atípico. Joanna Newsom explora essa vertente mais reclusa do folk com uma habilidade invejável. “Good Intentions Paving Company” é tão densa que mexe com os sentidos, graças à incrível capacidade interpretativa da cantora. Triste, excêntrica, agitada e fervorosa, Joanna reflete os mais diversos estados emocionais para dar um sentido empírico à letra. E o faz de forma agradável.

11. “hahahaha JK?”

Das Racist

Álbum: Sit Down, Man
Gênero: Hip Hop

Quando os integrantes do Das Racist dizem “we’re not joking” (“não estamos brincando”), bem… eles estão sendo sarcásticos. Sátira é o que não falta em “hahahaha JK?”, mas frases como “every day is pay day” (todo dia é dia de pagar) e “we’re not racist, we love white people” (não somos racistas, gostamos de pessoas brancas) soam sinceras em meio de um caldo de paródias. Mas não é bom isolar as frases quando se trata de Das Racist: o sentido está em entender o quebra-cabeça e descobrir quem é o alvo da vez.

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