Segue agora a lista das melhores músicas de 2010. Lembrando que, certamente, muita coisa pode ter ficado de fora. Afinal, o site tem apenas um moderador e é praticamente impossível escutar tudo o que rola. Não dedico tempo exclusivo (ainda) ao Na Mira do Groove, portanto, relevem as injustiças que possam ter sido cometidas. Ou, faça melhor: poste nos comentários as canções que vocês acham que deveriam estar aqui.
A lista do 11º ao 20º já foi publicada. Confira as 10 melhores músicas do ano. Enjoy!
10.”Shutterbugg”
Big Boi
Álbum: Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty
Gênero: Hip Hop
As vozes robóticas de fundo e as batidas funkeadas podem ser marcas da canção, mas não são o ponto forte. Big Boi consegue munir o hip hop com sonoridades experimentais sem soar bizarro ou antiquado. “Shutterbugg” traz a parceria mais que bem-vinda de Cutty e justifica a posição de Big Boi como um dos rappers mais inventivos e versáteis da atualidade.
9. “Juízo Final”
Seu Jorge & Almaz
Álbum: Das Model
Gênero: Samba/Dub
Este clássico do Nelson Cavaquinho ganha uma versão dub nas vozes de Seu Jorge e na instrumentalidade da banda Almaz. O cantor fala sobre o fim dos tempos de maneira exasperada, como se tivéssemos que nos comover com seu clamor e pensar de maneira positiva após a ‘limpeza’. “Quero ter olhos pra ver/a maldade desaparecer“: essa rima é cativante, pega de jeito aqueles que costumam se emocionar com música.
8. “Window Seat”
Erykah Badu
Álbum: New Amerykah Part II: Return of the Ankh
Gênero: Soul/R&B
Erykah Badu tem um poder de fazer baladas soul comparável às divas mais promissoras das décadas de 50 e 60. “Window Seat” é encorpada com elementos jazzísticos e sutilmente psicodélicos, além de deixar evidente a sensibilidade vocal da cantora. Bel-prazer do começo ao fim, a faixa mostra que é possível seguir a calmaria em um mundo repleto de turbulência, seja pela letra ou pela sonoridade.
7. “Cold War”
Janelle Monáe
Álbum: The ArchAndroid
Gênero: R&B
Janelle Monáe conseguiu condensar androginia, ritmo, cinema, música experimental e pop de qualidade em seu debut, e “Cold War” pode ser considerado o grande resumo da ópera de The ArchAndroid. As guitarras estão flamejantes como nunca e Janelle encarna a androide Cindy Mayweather na batalha com seus demônios interiores: “Being alone’s the only way to be” (Estar sozinho é a única forma).
6. “Empty Room”
Arcade Fire
Álbum: The Suburbs
Gênero: Indie Rock
Confesso que a seleção dessa faixa foi uma das coisas mais difíceis em toda essa playlist. O Arcade Fire lançou muitos singles memoráveis em The Suburbs, mas “Empty Room” mostra que as raízes do grupo continuam firmes. O estilo miniorquestra sustentados pelos violinos de Owen Pallett e o acordeão de Régine Chassagne dão indícios de que é possível trazer esses elementos mais híbridos para a música pop e, ainda assim, lotar estádios e casas de show em apresentações nostálgicas. Ah, e se fosse colocar uma segunda opção desse álbum, oscilaria entre “Deep Blue” e “Sprawl II”.
5. “Power”
Kanye West ft. Dwele
Álbum: My Beautiful Dark Twisted Fantasy
Gênero: Hip Hop
No primeiro single de Fantasy, o inventivo e conturbado Kanye West sampleia King Crimson e faz questão de explicitar todo o hedonismo do rapper, que está mais para produtor do que para qualquer outra coisa. Por mais que os escândalos continuem assombrando sua carreira, Mr. West tem uma criatividade sem limites e conseguiu dar sofisticação a um gênero que vive se desgastando graças à vaidade. Aliás, ele consegue fazer isso sendo mais vaidoso que todos os outros juntos. Irônico, não?
4. “I Can Change”
LCD Soundsystem
Álbum: This Is Happening
Gênero: Eletrônico
James Murphy é expert em produzir hits que perduram em nossas cabeças. Seus arranjos eletrônicos são quase-virais e “I Can Change” não foge disso, apesar de ser uma balada deliciosa. Eu, particularmente, tenho uma afinidade com a letra, que associa o tédio à falta de amor. Parece que Murphy quer se afastar sutilmente das pistas de danças e ficar mais preso ao som no seu carro (ou iPod) naquele momento pós-balada.
3. “Born Free”
M.I.A.
Álbum: /\/\ /\ Y /\
Gênero: Hip Hop/Eletrônico
Baterias pulsantes introduzem as vozes sintetizadas de Maya (vulgo M.I.A.) em uma de suas incursões mais bacanas. “Born Free” tem um significado político que explica as reações notadamente agressivas contra a jornalista do New York Times, que publicou um perfil levemente depreciativo da cantora (mas que é muito bom, leiam se puderem). A canção tem seu aspecto protestante, mas é dançável também. Já balancei muito a cabeça ouvindo essa da singalesa viu…
2. “Runaway”
Kanye West ft. Pusha T
Álbum: My Beautiful Dark Twisted Fantasy
Gênero: Hip Hop
Essa pode ser considerada a canção mais ambiciosa de hip hop já gravada. A versão do álbum tem uma produção impecável: do piano monossilábico aos solos esquizofrênicos de guitarra no final da canção, “Runaway” é fabulosa porque tem um paralelo interessante com a carreira de Kanye West como um todo: por mais que o rapper divague em frases como “vamos fazer um brinde para os idiotas” ou “nunca fui muito romântico”, a canção mostra a imensidão de tristeza que paira no interior de Mr. West, como se ele estivesse se expondo, mas ainda mantivesse preso às defesas pessoais – vide os ataques diretos àqueles que juga fracos e impotentes.
1. “Fuck You”
Cee Lo Green
Álbum: Lady Killer
Gênero: Soul/R&B
Se essa não foi a música mais escutada do ano, a culpa é da versão censurada, “Forget You”, que infelizmente integra o álbum oficial. Cee Lo Green tem um vozeirão do tamanho do seu peso corporal e provou que consegue muito bem se virar sozinho sem o auxílio do produtor Danger Mouse, seu parceiro no Gnarls Barkley.
“Fuck You” poderia muito bem ser o subtítulo de seu álbum, Lady Killer, já que as mulheres são o tema de quase todas as 12 faixas. Sem distinção de gêneros ou mesmo de idade, não tem como não ficar repetindo o refrão. Mais pegajosa, impossível: é curta, divertida e, verdade seja dita, muito boa! Não é a toa que tem mais de 32 milhões de visualizações no YouTube.
