Gravadora: Warner
Data de Lançamento: 23 de setembro de 2016
Aos 80 anos, Zuzuca do Salgueiro acumula mais de seis décadas de experiência como músico. Começou a tocar violão com 15 anos e chegou a servir o Exército. Trabalhou como mecânico, mas não deixou de frequentar as rodas de samba, participando dos primeiros anos da escola de samba Acadêmicos de Salgueiro.
Com Noel Rosa de Oliveira (diferente do compositor Noel Rosa, da Vila Isabel), ele gravou composições que fizeram sucesso nas vozes de Jair Rodrigues e Elizeth Cardoso entre os anos 1960 e 70. Formou, em 1970, o Cinco Só, ao lado de bambas como Wilson Moreira, Anescarzinho do Salgueiro, entre outros.
Seu primeiro disco veio em 1974, com o título Zuzuca, onde misturou composições próprias e versões de Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, Paulo César Pinheiro, entre outros. Com o tempo, ele foi ficando cada vez mais distante dos holofotes, mas ainda compondo para a Salgueiro. Inclusive, foi para a escola de samba que ele inovou, com “Festa para um Rei Negro”, com o inesquecível refrão: ‘Ô-lê-lê, ô-lá-lá, pega no ganzê, pega no ganzá’. A partir daí, as escolas passaram a aderir às composições mais simples, diretas e pegajosas.
É com essa paixão pela simplicidade que Zuzuca dá as cartas para o novo disco, Reduto de Bambas. Sem muitas delongas, o álbum é especialmente para quem gosta de samba partido alto.
Zuzuca canta tudo aquilo que a maioria dos compositores do gênero já fizeram: sobre a paixão pelo samba, de ser carioca da gema, de nostalgia dos tempos idos. Quando ele canta, na faixa-título: ‘quem não for de samba, se manda’… Bem, o recado é direto e reto.
“Meus 20 Anos” trata da mocidade de um jeito diferente: é com certo arrependimento de não ter aproveitado bem os ‘melhores anos da vida’ que ele lamenta: ‘Ah meu Deus/Lá se foi a minha idade/Eu fui um louco, vejam só/E não gozei a minha mocidade’.
E como todo bom samba tem que ser regado a umas boas cervejas e cachaças, Zuzuca, mesmo com 80 anos de idade, não receia em endossar a bebedeira. “Biricutico”, para quem não sabe, é a cagibrina, o mé, a água que passarinho não bebe. Nela, Zuzuca retoma a boemia tal qual ela é consagrada, pelo menos desde os anos 1920: ‘Vou levando a vida/Como a vida é/Mas gosto de bebida, dinheiro e mulher’.
Reduto dos Bambas não tem propósito algum de renovar ou reforçar as raízes do samba. Despretensioso como o gênero sempre foi, Zuzuca do Salgueiro deixa bem claro que não é preciso recobrar muita coisa para continuar curtindo o bom e velho som dos morros. Pois, como ele canta, ‘de janeiro a janeiro, quem fala alto é o samba’.
Outros lançamentos relevantes:
• Warpaint: Heads Up (Rough Trade)
• Lee ‘Scratch’ Perry: Must Be Free (Megawave Records)
• Shabaka & the Ancestors: Wisdom of Elders (Brownswood)
