Falar de música nacional é difícil, especialmente em um ano politicamente turbulento como foi 2015.
Posicionamento é a palavra-chave para saber de que lado este ou aquele está diante de um cenário de intensa polarização. Ainda assim, você não tem um músico de direita ou um músico de esquerda – pelo menos, não abertamente.
Os problemas deste ano não são muito diferentes dos de 2014, de 2010 ou dos anos 1990. A situação econômica pode ter melhorado, mas o preconceito sexual, racial e de gênero continuam atrasando o nosso País.
O Na Mira costuma interligar esse contexto à música porque acredita que ela deve refletir o seu tempo. Inovações estéticas são benquistas – e você também vê por aqui – mas podem ser um banho de água fria quando se descobre que sua substância é rala, pueril.
Este foi um ano marcante. E uma música, para ficar cravada, também tem que ser marcante.
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Eis a lista das 30 melhores músicas nacionais de 2015:
Obs: para ouvir cada canção desta lista, clique no título dela.

30. “Os Viajantes”
Cidadão Instigado
Disco: Fortaleza
Data de Lançamento: 3 de abril de 2015
Fortaleza é considerado um dos trabalhos mais psicodélicos do experiente Cidadão Instigado, e muito disso se deve à estrutura que forma “Os Viajantes”. O som nordestino que remete ao brega aos poucos assimila as guitarras, até que Fernando Catatau e Régis Damasceno se entregam completamente à elucubração sonora. O minuto final é aquilo que todos já esperam: solos em lamento que atingem o status de flamejante.

29. “Universe in Flames”
Quarto Astral
Disco: Single
Data de Lançamento: 20 de maio de 2015
Download via SoundCloud
Além do rock psicodélico, o space-rock é outro gênero de notável crescimento por essas bandas. Os pernambucanos do Quarto Astral formam uma das melhores novidades dessa seara, apostando em riffs pesadões num som pra lá de visceral. “Universe in Flames” é apenas uma amostra do sucessor de Quarto Astral na Quinta Dimensão (2014), que deve sair ano que vem.

28. “Gigolô”
Jonas Sá
Disco: BLAM! BLAM!
Data de Lançamento: 27 de janeiro de 2015
O compositor carioca pegou as referências de Curtis Mayfield e a musicalidade brasileira dos anos 1970 e criou uma ‘epopeia sobre sexo’ no disco BLAM! BLAM!. Um dos exemplos mais irreverentes é “Gigolô”. Ancorado em mellotrons e uma melodia meio Rogério Duprat, meio Kassin, Jonas Sá tem à disposição arranjos soberbos e falsetes psicodélicos. Eis um pop defenestrado e cafajeste mas, ainda assim, mais artístico que pueril.

27. “Mil Vidas”
Bixiga 70
Disco: Bixiga 70 (III)
Data de Lançamento: 11 de setembro de 2015
São muitos gêneros em uma música só: começa como um afro-beat, naturalmente vai de encontro com o som regional da mata pernambucana (até parece a Orquestra de Pífanos de Caruaru, apesar do Bixiga 70 não fazer uso desse instrumento). O encontro desses padrões rítmicos faz de “Mil Vidas” um contorno híbrido que também engloba cumbia e cuban-jazz. O trombone de Douglas Antunes e a flauta de Anderson Quevedo são os grandes arremates desta canção, inspiradora em diversas frentes estéticas.

26. “Minha Lei Freestyle”
Don L
Disco: Single
Data de Lançamento: 8 de maio de 2015
Encontre via SoundCloud
A música de Karol Conka ganhou outra conotação nesta versão do rapper cearense Don L, uma das grandes promessas nos últimos anos. Ele mandou um freestyle a partir da própria lei ‘baseada no respeito‘, como canta. O batidão trap favorece a crônica pessoal de um rapaz que já conquistou por suas irreverências e verdades tão imagéticas, quanto rascantes.

25. “Rolo Compressor”
Black Alien
Disco: Babylon By Gus Vol. II: No Princípio Era o Verbo
Data de Lançamento: 3 de setembro de 2015
Onze anos após o primeiro Babyon By Gus, Black Alien não voltou tão voraz como muitos esperariam em Babylon By Gus Vol. II: No Princípio Era o Verbo. É justamente por isso que “Rolo Compressor” se destaca: por supor o contrário do que as demais faixas representam (com exceção, talvez, de “Rock’n Roll”, com Edi Rock). A quente produção de A-Basa e DJ Babz cria um peso sob sampler do mestre da harmônica Doctor Ross, citando, também, o clássico “Bring The Pain”, de Method Man.

24. “Casa”
Emicida
Disco: Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa
Data de Lançamento: 7 de agosto de 2015
Por ter viajado à África para gravar o segundo álbum, Emicida pressupõe que o céu é de todos. O coro de crianças, os berimbaus e a sonoridade massiva são tão bem construídos como os tijolos que formam nossos lares físicos. “Casa” é prova de que o rapper evoluiu sua linguagem: é rap, é world-music, é pop, mas, o mais importante: é uma canção inspiradora.

23. “É o Poder”
Karol Conka & Tropkillaz
Disco: Single
Data de Lançamento: 4 de dezembro de 2015
“Lista VIP” foi indubitavelmente a música da curitibana que mais tocou em 2015, mas foi a segunda colaboração com o duo Tropkillaz (além de “Tombei”) que mostrou uma Karol Conka mais desenvolta. Dub, techno e industrial são as bases portentosas para que ela chegue com rimas ácidas. ‘Quebro tudo pra que tudo se cale‘, exclama. Vai segurando…

22. “Vacilão”
Mr. Catra e Os Templários
Disco: Mr. Catra e os Templários
Data de Lançamento: 17 de dezembro de 2015
Encontre via BandCamp
O já antológico MC de funk decidiu que é hora de estremecer as bases do rock. Ao lado da banda Os Templários, formada por Reinaldo GoreDoom (guitarra), Stanley Zvaig (baixo) e Marcello Nuñes (bateria), além do filho de 19 anos, Lucky DJ, nas picapes, Mr. Catra bradou o som pesado do gênero. A melhor destas canções é “Vacilão”, um Sepultura fase Roots (1996) de riffs fortes e uma agressividade periférica nos urros de um vocalista que tem se mostrado mais versátil do que se imaginava.

21. “Aventureiro”
Ogi
Disco: RÁ!
Data de Lançamento: 2 de outubro de 2015
RÁ! é um puta disco, e muito se deve à segunda faixa, impulsão necessária para deixar o ouvinte com expectativa a mil diante do sucessor de Crônicas da Cidade Cinza (2011). ‘Sou peso pesado‘, garante o rapper paulistano, lembrando a pungência e as tretas de “Zé Medalha”. “Aventureiro” é o perfil bem-humorado com beats alarmantes e um refrão que todos vão querer assimilar para si: ‘Pois eu sou louco e ligeiro/Louco e ligeiro/Aventureiro‘.
