Gravadora: Doggy Style Records/E1 Music
Data de Lançamento: 29 de junho de 2016

COOLAID surgiu com a proposta de acenar novamente para o rap da Costa Oeste. Para isso, não há fórmulas para Snoop Dogg: há uma abordagem diferente.

Enquanto os discos com Snoop Lion tinham uma conexão forçada com o reggae – e, quanto a BUSH, um meio-termo entre o pop de Pharrell e o rap bem-humorado de Snoop Dogg – COOLAID surge para mostrar que ele não tá nada desalinhado com as explorações do hip hop.

De primeira, dá pra sacar a influência de Compton (2015): já de cara “Legend” cria uma proximidade com as batidas secas, com reverbs eletrônicos.

“Let Me See Em Up”, com Swizz Beatz, traz à tona o aspecto alarmante de muitas das canções de Dr. Dre. A batida sinistrona de “My Carz” é daquelas pra deixar no talo no som do carro. Sua produção é creditada ao falecido J Dilla.

Uma única audição deixará claro que COOLAID é mais apegado às raízes de um disco como Doggfather (1996), mas não demora para perceber os contornos de seu G-Funk com forte influência do R&B. Um grande exemplo é “Two Or More”, feita para os bailes: ‘Ela gosta de amor, drogas e sexo’. Elementar Snoop.

“Oh Na Na”, com participação de Wiz Khalifa, tem todo o escopo do rap anos 1990: andamento funky obscuro, com um quê de esfumaçado. ‘Veja, vou regulá-lo/Merda real, manos de verdade, verdadeira erva separados’. Ou seja, até as letras têm muito dos tempos antigos.

Por isso é bem oportuna a chegada de Too $hort, o cara que praticamente definiu a sonoridade do rap da Costa Oeste, em “Don’t Stop”. ‘Eu já tava ganhando dinheiro nos anos 1980 diariamente’, diz o veterano. ‘Negros como eu nunca desistem’. O melhor da música é a conexão que une décadas: as batidas de Nottz não têm nada demais; são os lapsos, os zunzuns e as quebradas que deixam os ouvintes com vontade de ouvir novamente – seja para entender, para assimilar melhor, enfim.

Voltando ainda mais nos anos passados, Snoop Dogg retoma aquela clássica frase de Gil Scott-Heron: ‘The revolution will not be televised’. O clássico foi transformado num refrão soul por Just Blaze em “Revolution”, com voz de October London. O single conclui um álbum de bons adjetivos, impressionante para quem achava que Snoop Dogg estava refém dos refrãos bobinhos de Pharrell (bem longe deste disco, ainda bem) ou dos royalties das centenas de participações que coleciona.

Outros lançamentos relevantes:

Academia da Berlinda: Nada Sem Ela (Independente)
Aphex Twin: Cheetah (EP) (Warp)
Thee Oh Sees: Live in San Francisco (Castle Face)
Mala: Mirrors (Brownswood)
Saulo Duarte e a Unidade: Cine Ruptura (YB/Natura Musical)

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