
Foi ao som de “Good Vibrations” que teve início um festival repleto de surpresas para os mais de 30 mil espectadores. Claro que, só chegou a esse número quando começou o show de Amy Winehouse, principal atração do Summer Soul Festival, a partir das 23h30. Quem tocou o clássico dos Beach Boys foram Miranda Kassin e André Frateschi, adiantando que a cantora de “Rehab” estava empolgada para a apresentação.
Mas não foi bem assim. Amy alegrou bastante aquele público eufórico por escutar “Just Friends” e “Back To Black”, mas deixou a desejar no fator emocional. Se forem comprovados os rumores que dizem que a cantora tem inveja de Janelle Monáe, a última apresentação só mostrou que motivos não faltam. A nova promessa do neosoul e R&B fez uma apresentação implacável – tocou empolgada, pintou, se descabelou, dançou, agradeceu…
Janelle abriu com a sequência de “Dancie or Die”, “Faster” e “Locked Inside” de forma primorosa, que provou o potencial da cantora que arrebatou a crítica especializada com o lançamento de The ArchAndroid no ano passado. Em uma hora de show, ela apresentou o melhor da noite cantando “Tightrope”, “Mushroom & Roses” e “Wondaland”, chegando a se arriscar nas artes plásticas desenhando uma bunda com os caracteres LOVE.

Janelle fez a melhor apresentação da noite (foto de Jorge Rosenberg para o iG)
Nem todo o público presente conhecia as músicas da cantora. Uma pena porque futuramente podem se arrepender de não terem curtido um dos melhores sons de nossa atualidade. Qualquer elogio é pouco para a representante-mor do neosoul.
Antes dela, Mayer Hawthorne já tinha esquentado a noite com as canções do seu debut, A Strange Arrangement. Abrindo com “Maybe So, Maybe No”, o cantor contou como é ser confundido com Tobey Maguire (o Homem-Aranha) no aeroporto de Florianópolis e apresentou uma canção nova que, segundo ele, “não era sobre amor, era sobre sexo”.
Ainda bem que o pedido de Mayer em “I Wish It Would Rain” não se concretizou. O tempo estava lindo, com um sol de rachar durante a tarde e uma noite deliciosa, perfeita para um festival como o Summer Soul.

Mayer Hawthorne proporcionou ótimos momentos com canções de A Strange Arrangement (foto de Jorge Rosenberg para o iG)
As apresentações nacionais também foram muito boas. O Instituto estava bem representado por Thalma de Freitas e Kamau, com direito a participações de Emicida em “A Quem Possa Interessar” (do álbum Non Ducor Duco, do Kamau) e Céu. A dupla Miranda Kassin e André Frateschi interpretou clássicos do rock em versão soul, como “Light My Fire”, e apresentaram uma canção que empolgou bastante o publico, chamada “Artista É o Caralho”.
Já a Amy Winehouse, apesar de mostrar um show etiquetado sem errar nas letras, não empolgou tanto. Na verdade o público já estava esperando alguma trapalhada da cantora, mas não foi bem isso que aconteceu. Ela tocou o aclamado Back To Black praticamente inteiro (com exceção da música “He Can Only Hold Her”), mas deixou a desejar nas interpretações. Ainda tentou interagir ao apresentar os integrantes do Dap-Kings, mas faltou com o respeito ao sair sem avisar nada. Redimiu com o bis de “Me and Mr. Jones” e “Love Is a Losing Game”, mas nem de longe arrebatou o show de Janelle.
A organização estaria bem cotada não fosse a grande mancada de deixar mais de 30 mil pessoas sem cerveja após o show de Janelle. Isso é um mero detalhe, mas não sei qual seria a reação da Amy se soubesse de uma notícia dessas antes de se apresentar.

Amy poderia ter empolgado mais, mas surpreendeu a plateia por tocar ‘direitinho’ (Jorge Rosenberg para o iG)
