
01 Ol’ Dirty Hummingbird 02 Into The Rising Sun 03 Arnus Nusar 04 Over The Rainbow 05 Evetch 06 Six-Handed Casio 07 The Love I Feel For You Is More Real Than Ever 08 Basilio’s Crazy Wedding Song 09 A Árvore De Cereja É Ausente
10 Taking Back The Sea Is No Easy Task
Gravadora: Cuneiform
[rating:4]
Desde que o São Paulo Underground esteve em atividade, a proposta era trazer um senso musical ao clima caótico da maior cidade brasileira. Mais que um caos controlado, o encontro sonoro permitia o descontrole ora impulsionado por notas temperamentais, ora por notas rítmicas.
Já no quarto disco, o trio formado por Rob Mazurek (trompete, Harmonium e modulator), Guilherme Granado (teclado e synths) e M. Takara (bateria e percussão) segue uma linha menos esquizofrênica.
Isso não foge da essência.
Não porque, se por um lado o trompete busca uma musicalidade festeira em “Into the Rising Sun”, lá atrás os dois brasileiros bagunçam com um hibridismo estratosférico, que soma noisy, programações e baterias apimentadas. A barulheira de fundo invade tanto, que logo o trompete assume notas mais ágeis e exasperadoras.
Logo de início, Beija Flors Velho e Sujo surge com o vilipêndio de “Ol’ Dirty Hummingbird”. As notas de Mazurek são tão intensas quanto tremeluzentes, deixando o ouvinte atordoado. ‘Pra onde isso vai me levar?’, pensaria um desavisado. O acalanto é rápido, apenas um respiro. E logo o SP Underground responde com agressividade e muita sujeira.
“Over the Rainbow” segue a proposta de iniciar como se fosse taquicardia. Desta vez, é a bateria de Takara que impõe tensão, e logo ela dá espaço para uma espécie de cozinha. Tal qual faria um John Cage, elementos, instrumentos e melodias são jogados ao firmamento. Eles se encontram, se afastam e parecem se perder no ar, até que o teclado de Granado faz o papel de colocar tudo novamente na superfície.
A imprevisibilidade sonora, já trabalhada pelo grupo em outros momentos, é fixada em momentos mais curtos. Noutras palavras, é como se houvesse maior controle das parafernálias que eles nos arremessam. Isso é perceptível tanto em “A Árvore de Cerveja é Ausente”, que entra numa proposta lo-fi aberta, quanto em “Six-Handed Casio”: os sons são propositalmente desorientados, quase sem fibra. Mas, antes de atingir a temível exaustão, estão ali para cutucar ânsias, devaneios e expectativas.
No meio de tudo isso, a grande marca de Beija Flors Velho e Sujo é o uso esperto dos ritmos. E eles estão mais brasileiros que nunca, a julgar pelo escopo de frevo que paira em “Evetch” e a ginga candomblé de “Basilio’s Crazy Wedding Song”. Claro, aí também entra o fusion de “Taking Back the Sea Is No Easy Task”, que condensa melhor o desfragmento com linearidade até deixar-se entregar, ainda que minimamente, pelo funk/soul brasileiro.
Ainda que esses encontros com a linearidade surjam, Beija Flors Velho e Sujo não tem a intenção de se fazer acessível. O mais revelador é perceber que os ritmos daqui estão se encaixando mais na proposta desvanecedora de caos. Isso gera maior pulsão e maior identificação para quem ainda não havia sido apresentado ao SP Underground.
E, por outro lado, revela a grande capacidade do trio de trafegar por cenas e gêneros clássicos – tanto brasileiros, quanto norte-americanos.
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Ouça algumas faixas no player abaixo:
Melhores Faixas: “Ol’ Dirty Hummingbird”, “Over the Rainbow”, “Basilio’s Crazy Wedding Song”, “Taking Back the Sea Is No Easy Task”.
