
01 End of the Beginning 02 God is Dead? 03 Loner 04 Zeitgeist 05 Age of Reason 06 Live Forever 07 Damaged Soul 08 Dear Father 09 Methademic (deluxe version) 10 Peace of Mind (deluxe version)
11 Pariah (deluxe version)
Gravadora: Vertigo/Universal
[rating:3]
Não é preciso ter nascido nos anos 1960 para perceber a importância e o impacto que o Black Sabbath teve na década seguinte.
Melodias e composições que narravam horror e medo, com vocais assombrosos de um vocalista que parece ter emergido do Mundo dos Mortos, revolucionaram o rock de uma forma estranha, levando-o para outras atmosferas: a partir daí, vieram heavy-metal e hard-rock. Até mesmo o post-rock tem uma dívida com as linhas de guitarra e baixo da dupla Tony Iommi–Geezer Butler, que estendem a climatização obscura nas mais longas canções da banda.
Mais de 30 anos se passaram desde que Ozzy Osbourne gravou a última vez com o Sabbath (Never Say Die! é de 1978) e, de diferentes maneiras, cada um seguiu o seu caminho.
Em pleno 2013, sabemos o quanto devemos agradecer o Black Sabbath por suas contribuições. E há de se comemorar o retorno de Ozzy à banda – ainda que o desenrolar da reunião com o baterista Bill Ward tenha revelado que a coisa tem a ver com grana. Ward não aceitou se reunir; seu lugar foi ocupado por Brad Wilk, ex-Rage Against the Machine.
No entanto, a pergunta não cala: ainda precisamos do Black Sabbath? Ou, reformulando: ainda carecemos de nostalgia?
Um singelo não responde. Aí, faz mais sentido interpretar essa reunião como um momento celebrativo dos músicos – porém nem tanto assim para o público, que sempre terá o catálogo clássico dos anos 1970 disponível em lojas, sites de streaming ou arquivos piratas.
Não deve se negar o fato de que disco novo de banda velha a coloca novamente em riste. E, em 13, vemos essa banda velha usando a mesma estética que a consagrou décadas atrás.
Afinal, quão penoso seria ver o Black Sabbath mudando sua direção musical? Não quero nem pensar… – por isso, encaro 13 com alívio. E até com celebração, ora pois.
A dobradinha “End of the Beggining” e “God is Dead?” já se impuseram como os singles de maior potência desse novo-velho Sabbath. A primeira retoma aqueles riffs pendulares de Iommi, criando a trilha perfeita para que Ozzy nos convide para sua espiral mal assombrada.
“God is Dead?” é mais questionadora e soa como a melhor trilha que a banda poderia fazer para linkar protestos de Wall Street à Primavera Árabe: ‘Rios malignos correm através de terras mortas/Nadando em tristeza/Eles matam, roubam e emprestam/Não há amanhã’. A virada a partir dos 6 minutos e meio nos faz assegurar: eles ainda sabem fazer música vibrante.
Faixas como “Loner”, “Age of Reason” e “Zeitgeist” fazem o ouvinte buscar paralelos em trabalhos icônicos da banda, como Volume 4 (1972) ou Sabbath Bloody Sabbath (1973).
O impacto é renovado em “Damaged Soul”: Wilk ensaia uma bateria mais ousada, enquanto Iommi joga densidade em linhas à lá stoner-rock. O estouro fica por conta das gaitas, até que o guitarrista assume a linha protagonista em um dos melhores solos do disco divididos em dois momentos extasiantes.
Com a versão deluxe, o disco ganha um acréscimo de três canções: a balada “Methademic”, a urgente “Peace of Mind” e a última, “Pariah”, que me parece cumprimento de tabela apesar dos vocais enérgicos de Ozzy.
Os verdadeiros fãs da banda não vão reclamar dos mais de 70 minutos que totalizam 13. Afinal, uma das grandes virtudes do Black Sabbath é saber ser arrastado – eles precisam de um bom tempo para tremeluzir, impactar e criar tensão. É da lentidão que vem a catarse.
Sempre funcionou assim com a banda. Ainda funciona assim, mais de três décadas depois.
Melhores Faixas: “God is Dead?”, “Age of Reason”, “Damaged Soul”.
