Hoje em dia definir o pop é uma tarefa difícil. A internet nos dá a possibilidade de buscar diversas faixas obscuras que poderiam muito bem ter o pop como base estrutural.

Não há problemas em oferecer nomes como Caitlin Rose e Anna Calvi como alternativas bem melhores que Lorde e Miley Cyrus (talvez porque são mais velhas, mais experientes e de melhor qualidade).

Ainda assim, nomes gigantes como Daft Punk e David Bowie se destacam quando fazem aquilo que dominam. Só que num momento em que não deveria haver barreiras para o desconhecido, decidimos tentar fazer o internauta se interessar por músicos como Dean Blunt e Julia Holter, apesar de nenhum deles pingarem na lista de melhores álbuns internacionais de 2013 (que até pode ser entendido como falha).

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A seguir, confira a lista das 50 melhores músicas de 2013. Fizemos uma playlist dividida em duas partes (1ª parte: #50 ao #21 e 2ª parte: #20 ao #1). Boa audição:

Groovin’ Cast: Especial Melhores Músicas Internacionais pt. 1 by Na Mira Do Groove on Mixcloud

50. Karl Bartos: “Rhythmus” (Cato Remix)
49. Caitlin Rose: “Only a Clown”
48. Nine Inch Nails: “Copy Of A”
47. I Break Horses: “Faith”
46. Lauryn Hill: “Consumerism”
45. Iceage: “Coalition”
44. Sigur Rós: “Brennisteinn”
43. Cornell Campbell & Soothsayers: “With You My Heart Belongs”
42. David Bowie: “Love is Lost” (James Murphy Remix)
41. Beck: “Gimme”
40. These New Puritans: “Organ Eternal”
39. Anna Calvi: “Carry Me Over”
38. Congo Natty: “UK Allstars”
37. Charles Bradley: “You Put the Flame On It”
36. Queens of the Stone Age: “Keep Your Eyes Peeled”
35. !!!: “One Girl/One Boy”
34. Chrome Hoof: “When the Lightning Strikes”
33. Carcass: “Captive Bolt Pistol”
32. Oneohtrix Point Never: “Zebra”
31. All Pigs Must Die: “Faith Eater”

30. “Afrikan in New York”

Blitz The Ambassador

Gravadora: Jakarta
Gênero: Rap
Álbum: The Warm Up (EP)

Adquirir via BandCamp

Enquanto prepara o terceiro disco, o rapper de origem ganesa Blitz the Ambassador chacoalhou o cenário com o ótimo EP The Warm Up. Apesar das muitas participações do trabalho (inclusive de Emicida), a melhor faixa do EP é com ele rimando sozinho. Ele sampleia Jay-Z (“99 Problems”) em “Afrikan in New York” e versa com a velocidade dos acontecimentos de uma cidade grande.

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29. “Wild For the Night”

A$AP Rocky ft. Skrillex

Gravadora: RCA
Gênero: Rap
Álbum: Long.Live.A$AP

Até parece um contraponto o rap dopado de A$AP Rocky encontrar-se com a explosão dubstep do Skrillex. Mais que uma faixa festeira (como o clipe sugere), “Wild For the Night” pode indicar os melhores momentos para incendiar as pistas. Tanto que nem ligamos muito para o excesso de autotune.

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28. “Fixurlifeup”

Prince ft. 3rdEyedGirl

Gravadora:  Kobalt
Gênero: Rock/R&B
Álbum: single

E o aguardado novo disco de Prince promete. Ainda que tenha inventado algumas propostas protecionistas para o público conhecer suas novas músicas (como pagar pra ver um clipe), é inegável que o artista está renovado. Ou não. Porque, por mais que defenda a onipresença das mulheres em “Fixurlifeup”, já havíamos nos deparado com algo parecido em discos como Dirty Mind (1980) ou Lovesexy (1988), tão refrescantes hoje quanto há 25 anos atrás.

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27. “God is Dead?”

Black Sabbath

Gravadora: Vertigo/Universal
Gênero: Hard-rock
Álbum: 13

Uma coisa me surpreendeu em relação ao retorno do Black Sabbath: as comemorações foram mais efêmeras do que eu imaginava. Tudo bem que 13 possa não ser um dos discos do ano, mas serve como atestado de competência e assertividade de uma banda que em momento algum soa como superestimada. Eles são os reis do rock pesado e essa influência vai muito além do metal. As guitarras desaceleradas, o baixo certeiro e a voz corrosiva de Ozzy Osbourne são ajustados para o agora. “God is Dead?” pode ser apenas uma boa canção de uma banda grandiosa, mas reúne tudo o que melhor resume o Black Sabbath.

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26. “A New Life”

Jim James

Gravadora: ATO
Gênero: Soul/R&B
Álbum: Regions of Light and Sound of God

Não estaria completamente errado achar que o líder do My Morning Jacket fez um trabalho que se aproxima ao gospel. O melhor exemplo é “A New Life”, a mais sincera composição do ótimo Regions of Light and Sound of God. A melodia minimalista e os acordes econômicos dão uma nova interpretação do que seria o folk de Jim James. A procura pela renovação e eliminação das impurezas faz de “New Life” uma inspiração para espantar qualquer mal ou atormentação de nossas almas.

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25. “Jungle”

Ka

Gravadora: Iron Works
Gênero: Rap
Álbum: The Night’s Gambit

Todas as canções de The Night’s Gambit são urbanas e melancólicas em diferentes dosagens. O rapper Ka cita as passagens de um difícil convívio urbano com perspicácia e seriedade, separando o que é ensinamento e o que é risco: ‘Nascido na selva, fora do útero em execução/Melhor mover-se quando jovem, os predadores logo aparecem’.

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24. “Inquiries”

Sebadoh

Gravadora: Domino
Gênero: Rock
Álbum: Defend Yourself

Quatorze anos desde o ultimo disco, The Sebadoh, a banda de Massachusetts retornou com a potência renovada em Defend Yourself. Talvez a faixa que melhor mostre tal vigor seja “Inquiries”. Ela traz um solo esfuziante nas guitarras e alterações de tempo que nos remete aos experimentos de Captain Beefheart, Massacre e alguns dos melhores momentos já proporcionados pelo rock alternativo.

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23. “Contact”

Daft Punk

Gravadora: Columbia
Gênero: Eletrônica (EDM)
Álbum: Random Access Memories

Alguns diriam que o apanhado de canções em Random Access Memories está entre as melhores produções do duo francês. Claro que parte disso deve ser atribuída ao mestre Nile Rodgers, que ofereceu o swing envolvente de “Lose Yourself to Dance” e “Get Lucky”, as duas com Pharrell. Mas, se pensarmos nas canções que representam a verdadeira contribuição do Daft Punk, fiquemos com “Contact”. Nada de “Giorgio Moroder” (com uma introdução longa demais) ou “Motherboard” (de uma melancolia desnecessária); é a faixa de encerramento que devolve a Thomas Bangalter e Guy Manoel de Homem-Cristo a auréola de mestres da EDM. Poupem-me de querer ‘devolver vida à música’.

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22. “Sleigh Ride”

Fuzz

Gravadora: In the Red
Gênero: Rock
Álbum: Fuzz

O projeto Fuzz comprova a relevância de Ty Segall – aqui como baterista, e não nas guitarras, função muito bem cumprida por Charlie Moothart. Poderia ter escolhido “What’s in My Head?” ou “Loose Sutures” para esta posição, mas “Sleigh Ride” serve como excelente porta de entradas para o disco homônimo por ter mais capacidade de agradar neófitos. Se você gosta de vocais enérgicos, guitarras ágeis e bateria apimentada sabe muito bem do que estou falando…

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21. “The Redeemer”

Dean Blunt ft. Inga Copeland

Gravadora: Hippos in Tanks
Gênero: Alternativo
Álbum: The Redeemer

Em termos de música criativa e experimental no século XXI ninguém foi mais longe em 2013 que Dean Blunt (que fatalmente não constou na lista dos melhores discos internacionais deste ano com o grandioso The Redeemer). Com baixas frequências, arranjos levemente orquestrados e vocais calmos de Inga Copeland, na faixa-título Dean Blunt mostra que é possível subverter o pop sem apelar para a exacerbação. A climatização estética é incrível e as entradas de violinos e samplers em tempos aproximados mostram que técnica e ousadia são fatores imprescindíveis para se criar música louvável hoje em dia. Assim como outrora.

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[#50 – #21] | [#20 – #11] | [#10 – #1]

Eis a 2ª parte da playlist (para fazer o download, clique aqui):

Groovin’ Cast: Melhores Músicas Internacionais 2013 (pt. 2) by Na Mira Do Groove on Mixcloud

***

20. “Marshal Dear”

Savages

Gravadora: Matador
Gênero: Pós-Punk
Álbum: Silence Yourself

As garotas do Savages delinearam diversas possibilidades do pós-punk já exploradas por grupos que vão de Marc and the Mambas a The Cure nas 11 faixas de Silence Yourself. Mas a vertente que deveria ser melhor explorada é justamente a que está apontada na faixa de encerramento. “Marshal Dear” une belas melodias nos teclados, forte teor sentimental, controladas explosões e belíssima inserção de metais que podem muito bem pavimentar o próximo trabalho desse grupo que deu o que falar em 2013.

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19. “Kush Coma”

Danny Brown ft. A$AP Rocky & Zelooperz

Gravadora: Fools Gold
Gênero: Rap
Álbum: Old

Danny Brown está ficando mais velho, mas nada o impede de ficar tão chapado de marijuana a ponto de não acordar durante um bom tempo. A forma que as rimas são elaboradas em “Kush Coma” parece remeter ao desespero, mas é apenas um devido contraponto sonoro. Andando em ‘nuvens parecidas com marshmallows’ e com a cabeça parecendo ‘a tela de um fatality’, ele está prestes a se recuperar. Recuperar-se para a próxima fumaceira, é claro.

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18. “Here Again”

Factory Floor

Gravadora: DFA
Gênero: Eletrônica
Álbum: Factory Floor

Ao contrário de outros experimentalistas no gênero, o trio Factory Floor mira a eletrônica do passado. Elementos de acid house, techno, 808 State, LCD Soundsystem e os achados de Computer World (1981), do Kraftwerk, se mesclam e se dissolvem na estranha nostalgia de “Here Again”. Os efeitos de explosivos e de vozes ao longo da faixa podem afastar alguns não-iniciados, mas há de se criar passos interessantes e inovadores nas suas empolgantes batidas. Não tenha medo de começar a festa!

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17. “Fix My Life”

Melt Yourself Down

Gravadora: The Leaf
Gênero: Afro-jazz/Funk
Álbum: Melt Yourself Down

A faixa inicial já cumpre o papel de trazer o ouvinte para o espectro visceral do Melt Yourself Down. É puro funk africano, com toda a catarse destilada nos saxofones de Pete Wareham (Acoustic Ladyland) e Shabaka Hutchings (The Heliocentrics). Simplesmente pra ouvir no volume máximo e incomodar aquele vizinho que insiste em ouvir porcarias.

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16. “Enemy”

Kelela

Gravadora: Fade to Mind
Gênero: R&B/Experimental
Álbum: Cut 4 Me

O R&B tem sido um dos terrenos mais férteis para experimentos musicais. Se tivermos que mapear qual a verdadeira contribuição da etíope Kelela, diria que está ali entre How To Dress Well, The Weeknd e SBTRKT – com o adendo de que consegue extrair o melhor de cada um deles. Mais que um disco curioso, Cut 4 Me é prova viva de que a limitação está longe do R&B. Quer um exemplo? “Enemy”.

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15. “Jubilee Street”

Nick Cave & The Bad Seeds

Gravadora: Bad Seed Ltd.
Gênero: Alternativo
Álbum: Push The Sky Away

Sim, o bardo voltou às baladas, como bem pontuou o Scream & Yell. Em “Jubilee Street”, Nick Cave confronta com a religiosidade como se estivesse dando um passeio num cenário vazio: ‘Estou sozinho agora/Estou além das recriminações’. Por mais que nos transporte para uma atmosfera própria, Cave nos convida a olhar para nós mesmos. Se estivermos em constante mudança, como percebemos nossas transformações? Talvez nos momentos mais comuns de nossas vidas, ‘subindo a colina’ ou ‘andando sobre o passado’.

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14. “Bring the Noize”

M.I.A.

Gravadora: N.E.E.T. Recordings
Gênero: Noise-pop
Álbum: Matangi

M.I.A. revelou que esta canção é uma homenagem ao clássico do Public Enemy, mas oferece bem mais ao ouvinte. É um pop barulhento, um eletrônico esquizofrênico, uma catarata alarmante. As repetições e a composição crítica estão envoltas numa produção mais afiada do que nunca. Por mais que a cantora se incomode em lapidar a sua obra, “Bring The Noize” evidencia de vez que é preciso cuidar bem do barulho para que ele soe grandioso aos ouvidos.

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13. “Control (HOF)”

Big Sean ft. Kendrick Lamar & Jay Electronica

Gravadora: G.O.O.D. Music/Def Jam
Gênero: Rap
Álbum: Single

Graças a este petardo hoje Kendrick Lamar é um dos rappers mais odiados na atualidade. Ele se diz o maior de Nova York e tira até com os parceiros da canção (Big Sean e Jay Electronica): ‘Tenho amor por todos vocês, mas estou querendo assassiná-los/Tentando certificar de que seus fãs de clubinho nunca ouviram falar de vocês, niggas’. Estaria Kendrick subindo na crista por conta do estrondo de good kid m.A.A.d city (2012)? Pode ser que sim. Mas bem que tava faltando uma boa diss no hip hop pra apimentar o cenário.

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12. “Refused to Be Saved”

Elvis Costello ft. The Roots

Gravadora: Blue Note
Gênero: R&B/Soul/Rock
Álbum: Wise up Ghost and Other Songs

Foi um encontro estranho, mas o disco Wise up Ghost and Other Songs trouxe canções valiosas. Uma delas é “Refused to Be Saved”, que coloca a esperteza musical de Elvis Costello na cozinha R&B do The Roots. A execução é o grande primor da canção: Costello parece rimar como um rapper, enquanto a banda permite solavancos instrumentais que alteram da improbabilidade à maestria em poucos minutos. Duvido muito você não ficar repetindo o refrão ao final da música. Duvido mesmo.

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11. “New Slaves”

Kanye West

Gravadora: Def Jam
Gênero: Rap
Álbum: Yeezus

Pura tensão. Beats sintéticos e efeitos exasperadores ao fundo fazem de “New Slaves” uma viagem à era mesopotâmica. Kanye West revisita o passado negro como forma de contextualizar o racismo que ainda está longe de cessar. Nesta faixa, Kanye trata do assunto da maneira mais psicodélica imaginável, até encontrar um oásis imaginário nos minutos finais da canção. ‘Então vamos ficar chapados/Muito chapados novamente!’.

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[#50 – #21] | [#20 – #11] | [#10 – #1]

Groovin’ Cast: Melhores Músicas Internacionais 2013 (pt. 2) by Na Mira Do Groove on Mixcloud

10. “Counting”

Autre Ne Veut

Gravadora: Mexican Summer / Software
Gênero: R&B/Experimental
Álbum: Anxiety

Autre Ne Veut é mais um dos expoentes criativos da nova R&B, e se tem uma coisa que podemos aprender com Anxiety, seu primeiro disco, é que existe a possibilidade de quebrar barreiras estéticas e emocionar ao mesmo tempo. Mais que um bom exemplo, “Counting” simboliza a autenticidade do projeto de Arthur Ashin. Coros vocais e metais monocromáticos circundam uma faixa que não tem medo de ser sensível. Os efeitos eletrônicos, se separados, poderiam fazer parte de um disco do Factory Floor. Mas o que “Counting” evidencia é uma apurada organização das ramificações de um sentimento. Um sentimento profundo, como percebemos com os vocais exasperados.

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9. “Normal Person”

Arcade Fire

Gravadora: Merge
Gênero: Indie Rock
Álbum: Reflektor

Quase dois meses após o Arcade Fire lançar o quarto disco, as dúvidas ainda permanecem: será que os canadenses continuam grandiosos? Todos os argumentos são válidos – mesmo porque só o tempo vai dizer. Todavia, há boas canções aqui. Poderia escolher a faixa-título, “Here Comes the Night Time” ou a viajeira dub de “Flashbulb Eyes”. Ou “Afterlife”. Ou “Porno”. Mas é “Normal Person” a canção que melhor mantém a essência da representatividade do Arcade Fire. Ao mostrar que o pacato é profano e que o normal é ruim, os canadenses sentenciam a procura indie pelo mainstream. Sabemos que tudo que eles dizem é verdade, só não temos a sensibilidade de perceber e confrontar a ‘normalidade’ como a banda impõe musicalmente.

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8. “You’re Not the One”

Sky Ferreira

Gravadora: Capitol
Gênero: Pop
Álbum: Night Time, My Time

Ela é bonita, modelo, conheceu Michael Jackson e tem descendência brasileira, mas não é porque Sky Ferreira reúne um pouco de tudo que gostamos que ela se tornou relevante. Ela é pop. E pode ser tão grande quanto Gwen Stefani ou Joan Jett. Só que são os fatores inócuo e estranho que fazem de sua música algo interessante. Assaz interessante, diria. Lançado depois de uma boa espera, Night Time, My Time delineia temas pertinentes ao pop com uma auréola particular (o termo idiossincrático pode nascer com o tempo). “You’re Not the One”, por exemplo, é um pop de gigante: sua letra é de imediata identificação com adolescentes, adultos, notívagos, bêbados, desajeitados… Ela pode remeter ao amigo que não te convida pros lugares, ao amor malsucedido, à bebida que não se ajeita ao seu estômago. Seja hipster, alternativo, pop ou blasé, não há barreiras para colocar “You’re Not the One” no repeat.

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7. “Hive”

Earl Sweatshirt ft. Vince Staples & Casey Veggies

Gravadora: Columbia / Tan Cressida
Gênero: Rap
Álbum: Doris

Tyler, the Creator é um dos maiores expoentes contemporâneos de um hip hop com batidas minimalistas. Nesse jogo, ele entra com o extremo. Já Earl Sweatshirt, parceiro do Odd Future, contribui com as rimas preguiçosas, dopadas e reflexivas. Embora nos perguntemos de quais partes específicas eles pegaram tais referências emprestadas de MF DOOM, o certo é que ambos exploraram o oposto do excesso pop que tomou o gênero. Certamente “Hive” não se encaixa neste conceito, isso porque não se encaixa em conceito algum. A faixa é como se estivéssemos controlando em primeira pessoa um viciado na Cracolândia, aventurando-se em busca de respostas a perguntas que nem mesmo sabemos como foram elaboradas. É uma aventura diferente, arriscada, alguns diriam até que de mau agouro. Mas é a aventura.

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6. “Monomania”

Deerhunter

Gravadora: 4AD
Gênero: Rock
Álbum: Monomania

Será que Bradford Cox ficou louco de vez? Essa é a pergunta inevitável ao ouvir “Monomania”, principalmente após a excelência melódica registrada no anterior Halcyon Digest (2010). A apresentação no Jimmy Fallon dá pistas do que seria uma boa resposta, mas o que “Monomania” realmente oferece é um híbrido de obsessão. Punk, noise, shoegaze, indie e hard rock formam o turbilhão nervoso à faixa mais letárgica que você vai ouvir em 2013. ‘MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA/ MONO-MONO-MANIA’ = isso é rock, porra!

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5. “Hit Void”

Primal Scream

Gravadora: First International
Gênero: Rock/R&B
Álbum: More Light

“Hit Void” pode ser mais Loveless que Screamadelica, mas é o Primal Scream como gostamos de ver: barulhento, sádico e poderoso, muito poderoso. Unindo shoegaze ao R&B, a banda se transfigura em busca de uma nova potência – como não se via desde XTRMNTR (2000). E que solo é aquele no sax de Marshall Allen, hein! Ouça alto e repita quantas vezes quiser.

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4. “PrimeTime”

Janelle Monáe ft. Miguel

Gravadora: Bad Boy
Gênero: R&B
Álbum: The Electric Lady

Janelle Monáe pode se sentir realizada em The Electric Lady. Além de conseguir tocar com os ídolos Prince (“Give’Em What They Love”) e Erykah Badu (“Q.U.E.E.N.”), ela entregou uma sequência à altura do debut The ArchAndroid (2010). No entanto, a maior realização foi esta belezura de balada com Miguel. “PrimeTime” é carregado do frescor otimista que deve fazer parte de todo relacionamento que almeja a longevidade. A canção tem a magia do primeiro amor, a aventura de permitir-se entregar para uma pessoa, o mistério de enfrentar uma vida a dois. Se tudo dará certo em um ou dois anos é difícil de prever, mas o que “PrimeTime” realmente nos atenta é para a delícia do agora e do frio na barriga perante o inevitável.

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3. “Maxim’s II”

Julia Holter

Gravadora: Domino
Gênero: Alternativo/Experimental
Álbum: Loud City Song

Você pode iniciar a descrição de “Maxim’s II” com qualquer adjetivo, mas muito provavelmente irá concluir com a palavra sensacional. Tão boa quanto Kate Bush, tão etérea quanto fragmentos de uma peça de Bach e tão sublime quanto Joanna Newsom, “Maxim’s II” é como uma escadaria para o paraíso. Começa subterrânea, atinge a velocidade da pressa e chega ao ápice com uma musicalidade estupenda: pianos, trompete, sax e violinos formam a musicalidade sacra, como se Julia Holter atingisse, após um belo esforço, o requinte máximo de uma aura que encantaria Nietzsche e deixaria Walter Benjamin confuso.

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2. “The Stars (Are Out Tonight)”

David Bowie

Gravadora: ISO/Columbia
Gênero: Rock
Álbum: The Next Day

Contrariando qualquer expectativa intelectualoide, David Bowie provou que não precisa de muitos argumentos para fazer rock de qualidade. Tente estabelecer qualquer contexto histórico que coloque The Next Day no panteão de relevância de ‘Heroes’ (1977) ou Hunky Dory (1971). Você não vai conseguir, justamente porque o novo disco do Camaleão é desprovido de qualquer pretensão estética. Assim, uma canção como “The Stars (Are Out Tonight)” não precisa de muito para ser grandiosa. É boa porque é boa, diriam os românticos. Melhor seria que os críticos também aceitassem. Por quê? Porque os românticos é que desfrutam das boas coisas da vida.

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1. “Full of Fire”

The Knife

Gravadora: Rabid
Gênero: Eletrônica
Álbum: Shaking the Habitual

Não há equívoco maior do que achar que estamos avançando com o passar dos anos. Estamos mais propensos para os debates hoje que outrora, sim, mas porque a ciência e a tecnologia nos revelaram hoje conhecimentos inacessíveis há séculos atrás.

Às vezes tenho problemas que são difíceis de resolver’, inicia The Knife o discurso de um assunto não tão tratado com a devida seriedade. O duo sueco fala de sexualidade, um confronto existente desde o início dos tempos e que ainda procura respostas para inevitáveis perguntas: o que é a homossexualidade? Como controlar a libido? Por que a ereção em momentos constrangedores?

Se você procura respostas com “Full of Fire”, esqueça: elas não serão esclarecidas. De fato o que o Knife faz é enfatizar a questão: ‘Quando você está cheio de fogo/Qual é o seu objeto de desejo?’. Loops, synths e percussões aviltadas entram nos ouvidos para te chacoalhar e desenfrear. Quem sabe a música indique respostas, novos questionamentos e ajude a combater o preconceito e a homofobia? Quem sabe a música não trilhe bons caminhos a uma ‘democracia sexual’? Se houver indícios de que tal problema seja solucionado pela música, então “Full of Fire” é o maior dos exemplos.

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Eis a playlist das melhores músicas internacionais de 2013 dividida em duas partes:

Do #50 ao #21 (download):

Groovin’ Cast: Melhores Músicas Internacionais 2013 (pt. 1) by Na Mira Do Groove on Mixcloud

Do #20 ao #1 (download):

Groovin’ Cast: Melhores Músicas Internacionais 2013 (pt. 2) by Na Mira Do Groove on Mixcloud

1. The Knife: “Full of Fire” 2. David Bowie: “The Stars (Are Out Tonight)” 3. Julia Holter: “Maxim’s II” 4. Janelle Monáe ft. Miguel: “PrimeTime” 5. Primal Scream: “Hit Void” 6. Deerhunter: “Monomania” 7. Earl Sweatshirt ft. Vince Staples & Casey Veggies: “Hive” 8. Sky Ferreira: “You’re Not the One” 9. Arcade Fire: “Normal Person” 10. Autre Ne Veut: “Counting” 11. Kanye West: “New Slaves” 12. Elvis Costello ft. The Roots: “Refused to Be Saved” 13. Big Sean ft. Kendrick Lamar & Jay Electronica: “Control (HOF)” 14. M.I.A.: “Bring the Noize” 15. Nick Cave & The Bad Seeds: “Jubilee Street” 16. Kelela: “Enemy” 17. Melt Yourself Down: “Fix My Life” 18. Factory Floor: “Here Again” 19. Danny Brown ft. A$AP Rocky: “Kush Coma” 20. Savages: “Marshal Dear” 21. Dean Blunt ft. Inga Copeland: “The Redeemer” 22. Fuzz: “Sleigh Ride” 23. Daft Punk: “Contact” 24. Sebadoh: “Inquiries” 25. Ka: “Jungle” 26. Jim James: “A New Life” 27. Black Sabbath: “God is Dead?” 28. Prince ft. 3rdEyedGirl: “Fixurlifeup” 29. A$AP Rocky ft. Skrillex: “Wild For the Night” 30. Blitz The Ambassador: “Afrikan in New York” 31. All Pigs Must Die: “Faith Eater” 32. Oneohtrix Point Never: “Zebra” 33. Carcass: “Captive Bolt Pistol” 34. Chrome Hoof: “When the Lightning Strikes” 35. !!!: “One Girl/One Boy” 36. Queens of the Stone Age: “Keep Your Eyes Peeled” 37. Charles Bradley: “You Put the Flame On It” 38. Congo Natty: “UK Allstars” 39. Anna Calvi: “Carry Me Over” 40. These New Puritans: “Organ Eternal” 41. Beck: “Gimme” 42. David Bowie: “Love is Lost” (James Murphy Remix) 43. Cornell Campbell & Soothsayers: “With You My Heart Belongs” 44. Sigur Rós: “Brennisteinn” 45. Iceage: “Coalition” 46. Lauryn Hill: “Consumerism” 47. I Break Horses: “Faith” 48. Nine Inch Nails: “Copy Of A” 49. Caitlin Rose: “Only a Clown”

50. Karl Bartos: “Rhythmus” (Cato Remix)

[#50 – #21] | [#20 – #11] | [#10 – #1]