Eis a 2ª parte da playlist (para fazer o download, clique aqui):
Groovin’ Cast: Melhores Músicas Internacionais 2013 (pt. 2) by Na Mira Do Groove on Mixcloud
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20. “Marshal Dear”
Savages
Gravadora: Matador
Gênero: Pós-Punk
Álbum: Silence Yourself
As garotas do Savages delinearam diversas possibilidades do pós-punk já exploradas por grupos que vão de Marc and the Mambas a The Cure nas 11 faixas de Silence Yourself. Mas a vertente que deveria ser melhor explorada é justamente a que está apontada na faixa de encerramento. “Marshal Dear” une belas melodias nos teclados, forte teor sentimental, controladas explosões e belíssima inserção de metais que podem muito bem pavimentar o próximo trabalho desse grupo que deu o que falar em 2013.
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19. “Kush Coma”
Danny Brown ft. A$AP Rocky & Zelooperz
Gravadora: Fools Gold
Gênero: Rap
Álbum: Old
Danny Brown está ficando mais velho, mas nada o impede de ficar tão chapado de marijuana a ponto de não acordar durante um bom tempo. A forma que as rimas são elaboradas em “Kush Coma” parece remeter ao desespero, mas é apenas um devido contraponto sonoro. Andando em ‘nuvens parecidas com marshmallows’ e com a cabeça parecendo ‘a tela de um fatality’, ele está prestes a se recuperar. Recuperar-se para a próxima fumaceira, é claro.
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18. “Here Again”
Factory Floor
Gravadora: DFA
Gênero: Eletrônica
Álbum: Factory Floor
Ao contrário de outros experimentalistas no gênero, o trio Factory Floor mira a eletrônica do passado. Elementos de acid house, techno, 808 State, LCD Soundsystem e os achados de Computer World (1981), do Kraftwerk, se mesclam e se dissolvem na estranha nostalgia de “Here Again”. Os efeitos de explosivos e de vozes ao longo da faixa podem afastar alguns não-iniciados, mas há de se criar passos interessantes e inovadores nas suas empolgantes batidas. Não tenha medo de começar a festa!
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17. “Fix My Life”
Melt Yourself Down
Gravadora: The Leaf
Gênero: Afro-jazz/Funk
Álbum: Melt Yourself Down
A faixa inicial já cumpre o papel de trazer o ouvinte para o espectro visceral do Melt Yourself Down. É puro funk africano, com toda a catarse destilada nos saxofones de Pete Wareham (Acoustic Ladyland) e Shabaka Hutchings (The Heliocentrics). Simplesmente pra ouvir no volume máximo e incomodar aquele vizinho que insiste em ouvir porcarias.
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16. “Enemy”
Kelela
Gravadora: Fade to Mind
Gênero: R&B/Experimental
Álbum: Cut 4 Me
O R&B tem sido um dos terrenos mais férteis para experimentos musicais. Se tivermos que mapear qual a verdadeira contribuição da etíope Kelela, diria que está ali entre How To Dress Well, The Weeknd e SBTRKT – com o adendo de que consegue extrair o melhor de cada um deles. Mais que um disco curioso, Cut 4 Me é prova viva de que a limitação está longe do R&B. Quer um exemplo? “Enemy”.
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15. “Jubilee Street”
Nick Cave & The Bad Seeds
Gravadora: Bad Seed Ltd.
Gênero: Alternativo
Álbum: Push The Sky Away
Sim, o bardo voltou às baladas, como bem pontuou o Scream & Yell. Em “Jubilee Street”, Nick Cave confronta com a religiosidade como se estivesse dando um passeio num cenário vazio: ‘Estou sozinho agora/Estou além das recriminações’. Por mais que nos transporte para uma atmosfera própria, Cave nos convida a olhar para nós mesmos. Se estivermos em constante mudança, como percebemos nossas transformações? Talvez nos momentos mais comuns de nossas vidas, ‘subindo a colina’ ou ‘andando sobre o passado’.
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14. “Bring the Noize”
M.I.A.
Gravadora: N.E.E.T. Recordings
Gênero: Noise-pop
Álbum: Matangi
M.I.A. revelou que esta canção é uma homenagem ao clássico do Public Enemy, mas oferece bem mais ao ouvinte. É um pop barulhento, um eletrônico esquizofrênico, uma catarata alarmante. As repetições e a composição crítica estão envoltas numa produção mais afiada do que nunca. Por mais que a cantora se incomode em lapidar a sua obra, “Bring The Noize” evidencia de vez que é preciso cuidar bem do barulho para que ele soe grandioso aos ouvidos.
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13. “Control (HOF)”
Big Sean ft. Kendrick Lamar & Jay Electronica
Gravadora: G.O.O.D. Music/Def Jam
Gênero: Rap
Álbum: Single
Graças a este petardo hoje Kendrick Lamar é um dos rappers mais odiados na atualidade. Ele se diz o maior de Nova York e tira até com os parceiros da canção (Big Sean e Jay Electronica): ‘Tenho amor por todos vocês, mas estou querendo assassiná-los/Tentando certificar de que seus fãs de clubinho nunca ouviram falar de vocês, niggas’. Estaria Kendrick subindo na crista por conta do estrondo de good kid m.A.A.d city (2012)? Pode ser que sim. Mas bem que tava faltando uma boa diss no hip hop pra apimentar o cenário.
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12. “Refused to Be Saved”
Elvis Costello ft. The Roots
Gravadora: Blue Note
Gênero: R&B/Soul/Rock
Álbum: Wise up Ghost and Other Songs
Foi um encontro estranho, mas o disco Wise up Ghost and Other Songs trouxe canções valiosas. Uma delas é “Refused to Be Saved”, que coloca a esperteza musical de Elvis Costello na cozinha R&B do The Roots. A execução é o grande primor da canção: Costello parece rimar como um rapper, enquanto a banda permite solavancos instrumentais que alteram da improbabilidade à maestria em poucos minutos. Duvido muito você não ficar repetindo o refrão ao final da música. Duvido mesmo.
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11. “New Slaves”
Kanye West
Gravadora: Def Jam
Gênero: Rap
Álbum: Yeezus
Pura tensão. Beats sintéticos e efeitos exasperadores ao fundo fazem de “New Slaves” uma viagem à era mesopotâmica. Kanye West revisita o passado negro como forma de contextualizar o racismo que ainda está longe de cessar. Nesta faixa, Kanye trata do assunto da maneira mais psicodélica imaginável, até encontrar um oásis imaginário nos minutos finais da canção. ‘Então vamos ficar chapados/Muito chapados novamente!’.
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