Artistas citados como promessa da nova música brasileira criaram uma mania que considero apelativa quando se fala em clipes: enfatizar a beleza feminina. Duvida? Vide clipes de SILVA e Wado, além de alguns outros independentes por aí.
Cadê os bons roteiros, a ousadia temática e o fator diversão, relativamente sanado por músicos de sertanejo universitário e funk carioca (dois representantes deste último integram esta lista)?
Quando se fala em clipes nacionais nos deparamos com um paradigma que pouco mudou em mais de três décadas: baixo orçamento.
Tentativas de crowdfunding e colaboração de internautas via redes sociais deram um gás na produção audiovisual. Algumas posições nesta lista mostram que todo respingo de criatividade é mais valioso que cifras pesadas.
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A seguir, confira a lista completa dos melhores clipes nacionais de 2013:
30. Móveis Coloniais de Acaju: “Sede de Chuva”
Álbum: De Lá Até Aqui
Direção: André Gonzales e Hugo Pachiella
Os brasilienses do Móveis Coloniais de Acaju preferiram ficar à sombra neste belo registro. Menos enérgico, mas ainda assim celebrativo, o grupo uniu boas tomadas e belos insights artísticos num vídeo que mostra o intimismo inerente à canção sem escorregar em qualquer amarra melancólica.
29. MC Guime: “País do Futebol” (part. Emicida)
Álbum: Single
Direção: Fred Ouro Preto
Nada de funk ostentação. No clipe de “País do Futebol”, MC Guime fez uma homenagem aos garotos que sonham em conquistar os gramados. A participação do jogador Neymar dá propulsão para que os garotos deem continuidade a esse sonho.
28. Single Parents: “Ecstatic Pleasures”
Álbum: Unrest
Direção: Fabio Meirelles e Fernando Dota
Diversos relatos de experiência com o LSD formam uma espécie de mini-vídeo-documentário que revela a característica lisérgica de “Ecastatic Pleasures”. O Single Parents dá uma visão torta do que seria ingerir a droga ilícita a partir do rumo da canção, mas não vá achar que existe um tom apologético no vídeo. Afinal, ele enfatiza as experiências, que podem ser ruins, boas ou memoráveis dependendo de cada usuário (ou da intensidade da dose tomada por esse usuário).
27. Bratislava: “Carne”
Álbum: Carne
Direção: Aron Matschulat Aguiar
Transformaram o estúdio em açougue e chamaram um pintor para retratar a nudez de uma garota que está claramente deslocada em todo aquele cenário. Enquanto isso, imagens de cientistas realizando experiências sobressaltam à tela, dando uma enorme dimensão do significado do termo ‘carne’. “Dentro do contexto do disco, o protagonista de ‘Carne’ reflete sobre sua humanidade e se sente parte daquilo que observa”, analisa o diretor Matschulat. “Um grande pedaço de carne ambulante em unidade com a música, amalgamado. Carne que faz música”.
26. Bemônio: “Interlúdio 02”
Álbum: OPSCURUM (EP)
Direção: Paulo Caetano
Em pouco mais de um minuto nos deparamos com uma sucessão de imagens terríveis, extraídas do filme thrash Octamen, dirigido por Harry Essex, em 1971. Parece improvável, mas a grande eficácia deste vídeo do Bemônio está em provocar sentidos insanos num curtíssimo espaço de tempo. Porque o medo e o pavor podem ser mais efêmeros do que teorizamos.
25. Tetine: “Burning Land”
Álbum: In Loveland With You
Direção: Tetine
Surrealista, o video de “Burning Land” nos leva ao parque para uma experiência diferente. A protagonista se comporta como se fosse uma enigmática extensão da natureza ao seu redor. O dreampop experimental da música interfere no vídeo. Dá mais letargia e estranheza num clipe que, de alguma forma, é provocativo.
24. Curumin: “Selvage”
Álbum: Arrocha
Direção: Rick Bambora
Luzes semiofuscadas, um passeio, uma natureza particular e um rapaz suburbano de curioso olhar sobre a cidade fazem de “Selvage” um vídeo que mais parece um fragmento das ideias de Curumin. Quem sabe não precisemos exercitar mais nossas próprias visões do cotidiano também? Eis um bom insight.
23. Esperanza: “Sem Porquê”
Álbum: Esperanza
Direção: Alexandre Guedes
Para quem não sabe, Esperanza é o novo nome da banda Sabonetes. No clipe de “Sem Porquê”, além de mostrar um rock mais maduro, estamos diante de uma experiência espacial com bonitos efeitos e elaborado enredo. Certamente a banda faz um paralelo com a sua nova ‘empreitada musical’ ao se jogar pela galáxia, resultando numa viagem que vale a pena acompanhar.
22. Ailaika: “Blue Maggot”
Álbum: An Age of Love
Direção: J.R. Wendell and Daniel Bittar
Uma mulher sozinha em casa. Ela tem trejeitos sensuais e pode agradar muitos marmanjos, mas a verdadeira aura de “Blue Maggot” está na devassidão. Luxúria e preguiça se misturam nas movimentações da cantora, entregando a melhor forma de se interagir com uma canção de singela beleza.
21. Amplexos: “Sim”
Álbum: A Música da Alma
Direção: Rabu Gonzales
Um velho e seus desejos. Ou seria nostalgia de tempos passados? Ele está sozinho e provavelmente não tem mais ninguém que possa cuidar de sua saúde. O Amplexos ilustra a composição “Sim” com uma crueza quase incômoda, aliviada apenas pela bela performance da banda – e da dançarina, intocável, que reflete o extremo desse desejo.
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