E agora, a lista regressiva dos 30 melhores álbuns nacionais de 2012:

30. A Música da Alma

Amplexos

Gravadora: Independente
Gênero: Rock/Reggae/Afrobeat
Texto: Entrevista com Amplexos sobre o disco

Download no Hominis Canidae

É música que vem de almas alimentadas. É rock, é afro-beat, é reggae, é ragga, é música brasileira. Com produção de Buguinha Dub (Nação Zumbi, Lucas Santtana), o primeiro disco da Amplexos é um prato cheio para os adoradores da música negra de verdade. É um som de pulsação, firme. Do afro-beat de “Making Love” ao firmamento do baixo de Flávio Polito que forma o belo reggae de “O Homem”, o grupo de Volta Redonda (RJ) prova que não existe tempo ruim para música boa. Também vale destacar canções como “Festa” e “Mistério”.

Faixa: “O Homem”

29. Fazendo as Pazes Com o Swing

Orquestra Imperial

Gravadora: Ping-Pong
Gênero: MPB/Samba
Texto: Crítica do Notas Musicais

Download no Baixa Funda

A ilustre capa do segundo disco da Orquestra Imperial homenageia Nelson Jacobina, que faleceu em 31 de maio deste ano por conta de um câncer. Nelson esteve envolvido na produção do álbum e assina composições como “Fala Chorando” e “Alcaçuz” (as duas em parceria com Jorge Mautner, eterno parceiro). As releituras da Orquestra Imperial ganham um clima mais nostálgico por conta dos sopros. No melhor clima de festejo, canções como “Moléculas” (Nina Becker e Ruben Jacobina) e “Cair na Folia” (de Argemiro Patrocínio e Paulinho César, cantada por Duani) são bons motivos para entrar aos poucos em clima de carnaval – já que ele só tá aí no ano que vem.

Ouça: “Moléculas”

28. Silence (EP)

Filipe C.

Gravadora: Independente
Gênero: Lo-Fi
Texto: Entrevista com Filipe C.

Download pelo Rock’n Beats

Feito e idealizado todo em casa, Silence é um trabalho que, logo na primeira audição, revela o toque de primor de Filipe Consolini, músico que tocou praticamente tudo aqui. As composições são todas em inglês e, por mais que o título pareça vir de um trabalho minimalista, o conceito é um pouco diferente: “a ideia do silêncio é reflexo do silêncio de um relacionamento – não tem a nada ver com o minimalismo na música”, disse o músico em entrevista ao Na Mira. “Até porque o EP é cheio de camadas”. Ouça “Empty Spaces” e “Before We Got Sober” e você vai entender na hora.

Ouça: “Crack of Love”

27. Fábula

Cris Braun

Gravadora: Tratore
Gênero: Folk-rock
Texto: Entrevista para o Scream & Yell

Ex-integrante do aclamado Sex Beatles nos anos 1990, Cris Braun transitou entre o Rio de Janeiro e Maceió para entregar seu terceiro disco solo. Com composições de Wado (“Ossos” e “Cidade Grande”), Lucas Santtana (“Tanto Faz Para o Amor”) e Fernando Fiuza (“Oscilante” e “Viga”, a última em parceria com Cris), Fábula é um trabalho que passeia por temas contemporâneos para mostrar como a realidade é mais rica que a ficção. (Cris também é compositora, não vá pensar que é mais uma de nossas infinitas intérpretes.) Classificar Fábula pode ser uma tentativa vã: não se pode dizer que é MPB quando banjos e violões se entrecruzam (“Deve Ser Assim”); poderia ser rock a julgar pela instrumentação de “Artérias”. Cris diz que é música livre brasileira. Prefiro dizer que é música boa brasileira – sem amarras.

Ouça: “Cidade Grande”

26. Los Sebosos Postizos interpretam Jorge Ben Jor

Los Sebosos Postizos

Gravadora: Deck
Gênero: Samba-rock
Texto: Resenha do Na Mira do Groove

Tem mais de 10 anos que a Nação Zumbi realiza um baile todo dedicado às músicas da primeira fase (e a melhor) de Jorge Ben – tanto que até o próprio estava ansioso pelo lançamento fonográfico do projeto Los Sebosos Postizos. Várias composições já haviam caído na rede em diferentes versões, mas o grupo optou por uma seleção menos óbvia. Se por um lado não tem “Mas Que Nada” ou “Chove Chuva”, por outro o grupo compensa com belas canções como “Quero Esquecer Você” e “O Homem da Gravata Florida”. Os discos mais celebrados pelos Los Sebosos são dois dos mais grandiosos de Jorge: O Bidú: Silêncio no Brooklin, de 1970 (“Vou Andando”, “Jovem Samba”, “Frases”) e A Tábua de Esmeralda, de 1974 (“Cinco Minutos”, “O Homem da Gravata Florida”, “Os Alquimistas Estão Chegando” e “Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar”). Baile garantido.

Ouça: “O Homem da Gravata Florida”

25. Trabalhos Carnívoros

Gui Amabis

Gravadora: YB Music
Gênero: MPB
Texto: Matéria do Estadão sobre o disco

Download no Hominis Canidae

Apesar da estreia no ano passado com Memórias Luso-Africanas, Trabalhos Carnívoros é o primeiro disco com Gui Amabis cantando. Como no trabalho anterior, o novo disco é melancólico, entremeado pelas guitarras de Dustan Gallas e Regis Damasceno, que também coassina com Amabis a produção do disco. Tácita, a voz de Amabis lembra um pouco os trabalhos de Romulo Fróes, por dar a devida reflexão a temas complexos – como faz muito bem na faixa-título, “Merece Quem Aceita” e “Pena Mais Que Perfeita”, que ganhou um clipe muito bem produzido por Julio Andrade e Rafael Grampá.

Ouça: “Trabalhos Carnívoros”

24. Tropicália Lixo Lógico

Tom Zé

Gravadora: Independente
Gênero: Experimental
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Encontre no site oficial

Depois de distorcer samba, pagode e bossa nova, o novo alvo de Tom Zé é a tropicália, movimento que ajudou a difundir 45 anos atrás. O lixo aqui tem o sentido de reciclagem. Para essa empreitada, ele chamou músicos da nova geração: Rodrigo Amarante, Emicida, Mallu Magalhães e Pélico. Por mais que os participantes não tenham entendido todo o conceito da coisa, eles emprestaram muito bem suas vozes em faixas como “Tropicalia Jacta Est”, “Apocalipsom A (O Fim do Palco do Começo)” e a cacofônica “De-De-Dei Xá-Xá-Xá”. Talvez seja essa a grande oportunidade dos mais jovens conhecerem um pouco das doideiras de Tom Zé. Se não for agora…

Ouça: “Tropicalea Jacta Est”

23. A Curva da Cintura

Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra & Toumani Diabaté

Gravadora: Microservice
Gênero: World Music
Texto: O Brasil encontra o Mali no projeto A Curva da Cintura

Lançado bem no final de 2011, este projeto de world music é prova das infinitas possibilidades de intersecção musical Brasil-África. Esqueça afro-beat, kuduro ou axé. É música malinense com guitarras de rock. Em faixas como a lindíssima “Coração de Mãe” ou na agressiva “Um Senhor”, o trio entrelaça kora (uma harpa de 21 cordas, especialidade de Toumani Diabaté) com violões e guitarras nada óbvios. Além dos instrumentos mencionados, o trio faz uso de balafon, djembê, soku e até cavaquinho. E não é só a musicalidade que conta aqui: canções como “Cara” e “Grão de Chãos” entram facilmente pro rol de ótimas canções de Arnaldo Antunes.

Ouça: “Meu Cabelo”

22. Quinteto

Quinteto em Branco e Preto

Gravadora: Sambística/Radar Records
Gênero: Samba/MPB
Texto: Crítica do Notas Musicais

Não é exatamente a revolução dentro do samba, mas é admirável a habilidade do Quinteto em Branco e Preto fazer música que agrade tanto a nova geração, quanto a mais antiga. Quem gosta de Thiaguinho pode muito bem se agradar com “Beija Flor” ou “Resistir”. Fãs da fase mais clássica do samba não têm o que reclamar de “Uma Festa”, com participação de Dona Ivone Lara, ou “Samba Pop”, prova irrefutável da mistura bem-sucedida que pode ser feita com um de nossos gêneros mais seculares (com boa ajuda da Banda Mantiqueira): ‘É o groove correndo na veia‘. Boa também é a participação de Edi Rock em “Fui Bandido”, crônica que muito ilustra o corre-corre de quem não teve oportunidades na vida: ‘Amargando o peso da minha sentença/Ao contrário daquilo que essa gente pensa/Com o crime aprendi’.

Ouça: “Samba Pop”

21. This is Rolê

Macaco Bong

Gravadora: Trama
Gênero: Rock Instrumental
Texto: Ouça na íntegra o segundo disco de Macaco Bong

Download pelo site oficial

A saída do baixista Ney Hugo para a entrada de Gabriel Murilo, as experimentações com lounge, o envolvimento em projeto com músicos que vão de Emicida a Gilberto Gil… Tudo isso criava suspeitas para uma incursão mais experimental e imprevisível quatro anos depois de Artista Igual Pedreiro. A resposta está logo nos primeiros riffs de “Otro”: tome música pesada pra cachola! Mais uma vez o trio de Cuiabá não recorre ao virtuosismo: bumbos, slaps e riffs estão ali para contar alguma história – histórias bem estranhas a julgar pelos nomes de canções como “Copa dos Patrão”, a experimental “Dedo de Zombie” ou a própria faixa-título.

Ouça: “This is Rolê”

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