Gravadora: Motéma Music
Data de Lançamento: 3 de março de 2017
Kneebody é um quinteto de Los Angeles que confunde a noção de progressivo e jazz. Eles usam elementos do rock e a eletrificação do fusion tal qual o BADBADNOTGOOD, mas são mais velhos que os canadenses.
Desde 2001, Adam Benjamin (teclados), Shane Endsley (trompete), Ben Wendel (sax-tenor), Kaveh Rastegar (baixo) e Nate Wood (bateria) estão na ativa, e no 8º álbum, Anti-Hero, permanece a proposta de dar um breque nas explosões que um grupo tão conhecido por suas apresentações ao vivo recorre.
Quinze anos de experiência, falar de sintonia entre os integrantes é perder tempo. O Kneebody não só a detém, como depende dela. A estrutura dos temas são retilíneas e estão ancorados em estruturas rítmicas. Há um jogo de predominâncias alternados entre sax-tenor e trompete, com o piano ponderando as arestas do baixo-bateria.
Dizendo assim soa vago, mas pense em um Snarky Puppy mais calmo, ou The Budos Band com pouca ginga.
Mas é aí que encaixa o meandro progressivo do grupo: eles usam a distorção a favor do padrão rítmico. Se por um lado isso não necessariamente signifique mais explosão, por outro torna os temas originalmente mais bem construídos. Vide “For The Fallen”, por exemplo: o solo do tenor se dissolvendo nos teclados fortalece a necessidade de se usar pedais rascantes.
Em “Drum Battle”, os metais caminham lado a lado se convergindo, como num take avant-garde. Fica no ar o clamor por solos arrebatadores de Endsley ou Wendel; em seu lugar, entra os teclados de Benjamin e, mesmo que uma hora o estouro seja inevitável, a canção mostra que o jeito do Kneebody pensar as coisas tem muito a ver com a música pop, onde o controle da intensidade parece obedecer a noção de expectativa dos ouvintes. (Aliás, em seu currículo os membros do grupo já tocaram ao lado de John Legend, De La Soul, Snoop Dogg, entre outros.)
Na faixa-título, o lado estrutural ganha maiores contornos de expressividade.
“The Ballonist”, por sua vez, tenta algumas dissonâncias nas variações rítmicas. É nela que se percebe um tipo de limitação que vai além da técnica; Endsley e Wendel poderiam tomar de assalto toda a distorção e levar o tema, que é bem aberto, a patamares que poderiam ir do funk ao free-jazz. Por essa falta, paira um clima morno, quase estático – embora as distorções de Benjamin estejam lá para manter sua estrutura firme e forte.
Como álbum, Anti-Hero agrada por sua versatilidade, conjuntura e fissão elétrica. O baterista Nate Wood acredita ser o melhor trabalho da banda em termos de foco composicional voltado para o ao vivo. Talvez, se eles injetarem mais calibre.
Outros lançamentos relevantes:
• Camarones Orquestra Guitarrística: Feeexta (HBB)
• Stormzy: Gang Signs & Prayers (Merky Records)
• Adrian Sherwood & Pinch: Man vs Sofa (ON-U Sound Tectonic)
• Uzômi: A Revolta do Boêmio (Independente)
