Mulheres, mulheres… O que seria a música sem vocês?
E não digo isso por conta das musas inspiradoras – temas de clássicos como “Garota de Ipanema” ou “Have You Ever Loved a Woman”.
As mulheres revolucionaram e continuam revolucionando a música não apenas com sua fragilidade, emoção e inteligência. Muitas já fuçaram e desenvolveram a partir de caminhos que homem algum jamais notaria. Algumas delas tornaram-se símbolo de uma nação, como se carregasse a alma de toda uma sociedade. E como esquecer aquelas que quebraram os paradigmas da liberação sexual, antes algo preso ao machismo?
Na música, as mulheres também são de inestimável importância. Por isso mesmo, o Na Mira selecionou 15 discos de mulheres que fincaram presença e marcaram gerações, de diferentes formas, sob diferentes perspectivas.
Alguns discos vocês já devem ter topado por aí. Mas, provavelmente, vão se surpreender com algumas seleções inusitadas, de mulheres que foram grandiosas, mas infelizmente não tiveram o reconhecimento que merecem ou mereciam.
Esta efeméride é apenas uma pequena lembrança ao Dia Internacional das Mulheres. (Não é a primeira vez que o Na Mira faz essa homenagem; fizemos algo semelhante há uns anos atrás.) Vá atrás destes discos; procure ainda mais motivos para ovacioná-las. Porque vocês, mulheres, vocês são f*da!

Universal Consciousness
Alice Coltrane
Gravadora: Impulse!
Gênero: Jazz/Avant-Garde
Data de Lançamento: 1971
Nos anos 1970 o jazz se apoiaria fortemente no diálogo com as diversas culturas do mundo, e um dos exemplos mais bem-sucedidos é o quinto disco de Alice Coltrane. A exímia harpista também delineou notas de órgão e contou com arranjos do pai do free-jazz, Ornette Coleman, na faixa-título, em “O Allah” e “Hare Krishna”. Há grande submersão na cultura indiana e na música balinesa (batak). A progressão musical de Universal Consciousness é inabitual mesmo se comparado ao free-jazz, devido à estrutura não-convencional (pelo menos, não nos padrões ocidentais) e pela onipresença da eletrificação do órgão. Dois dos maiores bateristas do gênero aceitaram o desafio de acompanhar as desenvolturas bárbaras do disco: Jack DeJohnette e Rashied Ali, além da participação de Clifford Jarvis nas percussões.
Ouça: “Oh Allah”

I’m The One
Annette Peacock
Gravadora: RCA
Gênero: Experimental
Data de Lançamento: Janeiro de 1972
Ela tinha tudo para ser uma exímia pianista, mas escolheu tornar-se uma experimentadora. Desde criança, Annette Peacock afastou-se dos modelos tradicionais de composição. Não demorou para que apreciasse os métodos de John Cage, encucasse com Charles Ives e caísse nas graças do free-jazz – tanto que, com apenas 20 anos, ela integrou o grupo de Albert Ayler. Em seu segundo disco, a nova-iorquina do Brooklyn testou seus experimentos com os sintetizadores Moog, que começavam a ser explorados na música popular. Para tanto, ela foi teimosa: buscou com o próprio Robert Moog um protótipo do instrumento, para desenvolver as habilidades, junto com o então parceiro Paul Bley. O primeiro resultado seria Revenge, de 1968, mas a gravadora não quis lançar no momento. Portanto, foi em I’m The One que a compositora obteve maior alcance de sua obra. Claro, ela tinha a gravadora RCA à disposição e músicos fantásticos ao seu redor: além de Bley, o pianista Mike Garson, o guitarrista Tom Cosgrove e um time de quatro percussionistas – entre eles, os brasileiros Airto Moreira e Dom Um Romão. O resultado é um slow-funk experimental, modulando entre o psych-folk e o smooth-jazz. A faixa-título impressiona de primeira, mas a estranheza impera mesmo é em “Pony”, onde a sonoridade do Moog converge diretamente com ritmos negros. A melhor porta de entradas para conhecer essa experimentadora de alta estirpe.
Ouça: “Pony”

What Would the Community Think
Cat Power
Gravadora: Matador
Gênero: Pop Alternativo
Data de Lançamento: 10 de setembro de 1996
Foi neste terceiro disco que Chan Marshall teve a infraestrutura que merecia para despejar suas aturdidas emoções sobre a sociedade, o mundo. O relato sobre “Nude as the News”, que ela disse ter escrito quando sofreu um aborto, aos 20, era a sua ferida exposta – algo que tornou-se recorrente em sua obra, com todo o cuidado de não se tornar banal. A Matador Records acertou ao manter, até os dias de hoje, uma compositora que, se por um lado não aprende com as pancadas da vida, por outro canta com a verossimilhança e ira de cada pedrada que toma. What Would the Community Think pavimentou o posterior sucesso que viria a partir de Moonpix (1998). Por “Nude…” e também “Kings Ride By” e a doída “Enough”, temos uma Cat Power que não doma os acontecimentos ao seu redor – mas também não fica choramingando, achando que a ordem natural das coisas há de restabelecer tudo.
Ouça: “Nude as the News”

Guerreira
Clara Nunes
Gravadora: EMI-Odeon
Gênero: Samba
Data de Lançamento: 1978
Guerreira é um adjetivo que cai muito bem a Clara Nunes: não foi fácil o percalço do interior de Minas Gerais para o estrelato no Rio de Janeiro, após assinar com a gravadora Odeon. Começou cantando boleros e canções tristes, até que o compositor Ataulfo Alves convenceu a cantora a interpretar sambas. Não só foi a melhor decisão de sua carreira; foi determinante para que a religião afrobrasileira, o samba e a MPB fossem condensados na voz de uma gigante da música. Guerreira é um dos seus grandes pontos altos: “Candongueiro” (Wilson Moreira/Nei Lopes) é uma saudação a Minas Gerais, sem negar seus traços africanos; “Quem Me Ouvir Cantar”, de Aniceto da Portela, é um dos melhores sambas-canção interpretados por Clara; “Moeda” (Romildo/ Toninho Nascimento), que de certa forma antecede o conceito de Brasil Mestiço (1980), encarna com poucos versos o histórico legado de ser brasileiro: ‘A minha raça/É o produto da cana e da cachaça/Café, ouro velho e alcobaça/É uma rosa acabando de nascer‘.
Ouça: disco na íntegra

Clementina de Jesus
Clementina de Jesus
Gravadora: Odeon
Gênero: Samba
Data de Lançamento: 1966
Clementina de Jesus tinha 65 anos quando gravou este que é o seu primeiro disco. A exemplo de músicos como Cartola e Nelson Cavaquinho, reconhecidos só depois de velho, Tina foi apadrinhada pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho, que conseguiu a ela um contrato com a Odeon, uma das maiores gravadoras do País naquele momento. Sua característica mais marcante é redefinir as tradições da música afrobrasileira – como jongo e lundu – dentro da esfera do samba. Seu traço musical é quase antropológico – e nem precisa ser historiador para perceber que canções como “Barracão é Seu” e “Tute de Madame” carregam uma herança riquíssima do que era conhecido como música popular de influência africana dos anos 1930. (Agora, se você é afeito ao samba partido alto, “Piedade” e “Coleção de Passarinhos” vai fazer a sua cabeça.) Não à toa consideram Tina a “mais importante voz negra da música brasileira”. São apenas 27 minutos, tempo talvez curto demais para um álbum tão rico de fluência musical.
Ouça: disco na íntegra

The Divine Punishment
Diamanda Galás
Gravadora: Mute
Gênero: Avant-Garde/Experimental
Data de Lançamento: 30 de junho de 1986
É uma voz de bruxa, terrível, que prenuncia desgraças que compõem o nosso mundo. Diamanda Galás é uma performer avant-garde com postura das maiores vilãs de ópera. Violência, satã e todos os assuntos mundanos possíveis são alvos de sua música pungente, catastrófica. The Divine Punishment é seu terceiro disco. Focado nas antigas escrituras bíblicas, simula o apocalipse na Terra, propagando as desgraças de uma possível epidemia aidética – algo que muito atemorizava a sociedade norte-americana naquela época. O álbum tem apenas duas canções, “Deliver Me From Mine Enemies” e “Free Among the Dead”, divididos em capítulos que colocam essa horrível profecia numa tábula. Aqui, Diamanda extrapola sua incrível técnica vocal, destacando-se como porta-voz da desgraça e castigo humanos. Grande disco!
Ouça: “Free Among the Dead”

Sorriso Negro
Dona Ivone Lara
Gravadora: WEA
Gênero: Samba
Data de Lançamento: 1981
Mais uma entidade do samba a homenagear. Dona Ivone Lara vivenciou todos os paradigmas que o samba teve que passar para chegar a ter a popularidade que desfruta. Desde antes da maioridade, criava composições, mas tinha que deixar a assinatura para seu primo Tião Fuleiro. Tornou-se uma das matriarcas da escola de samba Império Serrano, onde até hoje permanece. Ao contrário da maioria de seus discos, em Sorriso Negro Délcio de Carvalho é autor de apenas três composições (“Sereia Guiomar”, com participação de Maria Bethânia; “Me Deixa Ficar” e “Nunca Mais”). Desde os anos 1970 considerada um dos maiores nomes do samba, Dona Ivone Lara conseguiu reunir time de gente grande aqui: além de Bethânia, Jorge Ben Jor participa na faixa-título, uma das grandes celebrações da diversidade social, e o então promissor Jorge Aragão dá as caras em “Tendência”.
Ouça: “Sorriso Negro”

Blue
Joni Mitchell
Gravadora: DCC Compact Classics
Gênero: Folk
Data de Lançamento: 22 de junho de 1971
Não que Blue seja o melhor disco de Joni Mitchell; é, certamente, seu trabalho mais feminino, delicado, confessional e etéreo. É a partir de canções como “My Old Man” que aprendemos como a simplicidade é a melhor forma de conduzir um relacionamento. Não interessa se será duradouro. Mas, como o próprio nome antecipa, Blue está longe de ser um disco de alegrias. Também não é de tristezas; são elucidações, desejos e lembranças acumuladas de vidas amorosas (“Carey”), de amizades (“A Case of You” que, reza a lenda, foi dedicada a Leonard Cohen) ou mesmo de passagens (“California”). Permanece, até hoje, como um dos discos mais complexos de Joni: uma colcha sentimental, que absorve e expele com rara sensibilidade.
Ouça: disco na íntegra

Cut 4 Me
Kelela
Gravadora: Fade to Mind
Gênero: R&B/Eletrônico
Data de Lançamento: 1º de outubro de 2013
Se você também achou bem chocho o disco todo falado de FKA-twigs, não culpe as andanças criativas do R&B. Nesse sentido, Kelela é melhor. Não é coincidência que ela seja norte-americana: afinal, ela respira in loco a terra da soul music. O ouvinte torce para que a cantora atinja altos graus em seu canto. Isso ela não precisa fazer, já que a produção eletrônica de caras como Nguzunguzu, Kingdom e Jam City fortalecem seu lado melódico. Cut 4 Me exibe emoções espicaçadas em “Something Else”, mas busca ar fresco em “A Lie”. Vale atentar às novidades estéticas apresentadas em “Bank Head” e “Send Me Out”: com a mesma intensidade artística, ela denota sua personalidade. Não entrega muito, mas nos revela ser uma mulher, no mínimo, interessante. Pelo disco, acreditamos que Kelela deva ser quietinha, mais observadora que dona de seu próprio destino.
Ouça: “Enemy”

Confessions On a Dance Floor
Madonna
Gravadora: Warner Bros
Gênero: Pop
Data de Lançamento: 11 de novembro de 2005
Por Beatriz Silva:
A Madonna sempre será um exemplo quando se fala em poder feminino e liberação sexual, mas em ‘Confessions On a Dance Floor‘ é possível ouvir muito mais do que simplesmente a Madonna que conhecemos. As músicas não fogem do que a cantora já fez no passado, mas quando ela apareceu de collant no clipe de “Hung Up”, provou que não levanta apenas as bandeiras sexuais, mas representou todas aquelas mulheres que se sentem desconfortáveis ao usar, por exemplo, uma blusa curta, por conta do avançar da idade (nesse sentido, é importante saber que Madonna, nessa época, tinha 47 anos). Como uma mulher próxima da menopausa poderia recobrar valores associados a artistas tão jovens – então representadas por Christina Aguilera e Britney Spears? Outra característica importante de ‘Confessions On a Dance Floor’ é a reformulação de Madonna aos novos tempos. Ela, que vivenciou os anos 1970, tornou-se importante símbolo artístico nos anos 1980 e continuou nas paradas nos 90, voltava com toda a energia para as pistas. Jovens, mulheres, gays e héteros puderam presenciar, mais uma vez, Madonna voltar ao reinado. Com grande estilo, claro.
Ouça: “Hung Up”

Sings Spirituals
Marian Anderson
Gravadora: RCA
Gênero: Clássica/Folk/Blues
Data de Lançamento: 1942
O crítico da revista New Yorker Alex Ross nomeou Marian Anderson a “voz do século”. Seu contralto operístico é imbuído de toda a espiritualidade do blues e das religiões africanas. Quando ela canta “Nobody Knows the Trouble I See”, o ouvinte fica entorpecido de tanta emoção. “My Lord, What a Morning” é uma contemplação digna do que a Natureza melhor nos oferece. Nos anos 1930 e 40, a RCA Victor lançou alguns singles interpretados por ela. Isso depois dela ter feito relativo sucesso nos Estados Unidos nos anos 1920 e ter conquistado audiência mundial – e maior respeito – após excursionar pela Europa. O público da Alemanha, União Soviética e Finlândia a recebia com “tumultos de entusiasmo”. Um dos maiores feitos de sua carreira foi cantar no Memorial de Lincoln na Páscoa de 1939, causando furor a uma plateia de 75 mil pessoas (isso depois dela ser banida no Constitution Hall pelas Filhas da Revolução Americana, por ser negra). Esta coleção de singles dá um breve panorama de sua capacidade como cantora: “Soon-a Will Be Done”, “On Ma Journey” e “Sinner, Please” mostram o lado mais gospel e espiritual de uma cantora que, de acordo com Toscanini, “é do tipo que só aparece uma vez a cada 100 anos”.
Ouça: “Nobody Knows the Trouble I See”

Atrás da Porta
Nana Caymmi
Gravadora: CID
Gênero: MPB
Data de Lançamento: 1977
Os maiores entusiastas da música de Nana Caymmi torcem para um relançamento masterizado de Atrás da Porta (1977). Muito associado à sua passagem de sucesso na Argentina, este disco foi lançado originalmente por lá apenas como Nana Caymmi, quatro anos antes. Sua pacífica interpretação de “Ahiê” (Eumir Deodato/João Donato), a latinidade de “Rosa Morena” (Dorival Caymmi) e a bela versão de “Diz Que Fui Por Aí” (Hortêncio Rocha/Zé Kéti) mostraram que a grandiosidade já era precoce para Nana. É uma grande pena que a versão do disco não dê os devidos créditos aos músicos – a maioria deles do conjunto Camerata. Os teclados que iniciam “Pra Você” e o tom cândido que permeia a singela “Saia do Caminho” foram decisões musicais acertadas, para que o sentimento de seu canto soasse tão poderoso como Iemanjá.
Ouça: disco na íntegra

Sings
Patty Waters
Gravadora: ESP-Disk
Gênero: Jazz Vocal
Data de Lançamento: 1965
Voz solene ao piano. Um jazz de grande intensidade vocal, que impacta mais pelas letras que pela técnica. Natural de Iowa (EUA), Patty Waters é tão obscura quanto sua capa. Seu tempo musical diferencia de qualquer outra diva do gênero: Waters canta como se estivesse em eterno momento de confissão, de forma seca, tácita. O piano de acompanhamento segue sua linha de raciocínio, pelo menos nas sete primeiras faixas, que mal chegam aos 3 minutos cada. Em Sings, Patty registrou uma de suas músicas mais influentes em todos os tempos: “Black is the Color of My True Love’s Hair”, cujo alcance estende de Diamanda Galás a Matana Roberts, provando, em quase 14 minutos de canção, que a intensidade transcende qualquer limitação de gêneros musicais.
Ouça: “Black is the Color of My True Love’s Hair”

1000 Forms of Fear
Sia
Gravadora: Inertia/Monkey Puzzle/RCA
Gênero: Pop
Data de Lançamento: 4 de julho de 2014
A mulher que compôs “Pretty Hurts”, de Beyoncé, “Titanium”, de David Ghetta e “Diamonds”, de Rihanna, tem talento. De fato, sua trajetória musical é mais antiga que qualquer um deles. O primeiro disco de Sia foi lançado em 1997: OnlySee. 1000 Forms of Fear é seu sexto registro solo. É o mais ambicioso, claro, e também mais misterioso. A cantora australiana recusou-se a mostrar o rosto, tanto na capa como na notável apresentação de “Chandelier” no programa de Ellen DeGeneres. Hits potenciais não faltam aqui: 2015 ainda irá ressoar as belas “Eye of the Needle” e “Hostage” (já que ano passado “Chandelier” e o clipe de “Elastic Heart”, com atuação de Shia LaBeouf, figuraram no que houve de melhor no pop em 2014). Por mais que ela tente se esconder, não deixa de revelar o que realmente é: talentosa compositora e instigante performer.
Ouça: “Elastic Heart”

Piquant
Tânia Maria
Gravadora: Concord Jazz
Gênero: Jazz/MPB
Data de Lançamento: 1981
Caso raro em que a voz parece dialogar com a sua forma de tocar piano. De São Luís (MA), a talentosa Tânia Maria maravilhou ouvidos europeus na década de 1970 com Olha Quem Chega (1971), lançado aqui no Brasil pela Odeon. A audiência expandiu após lançar, pela Concord Records, Via Brasil (1977), quando já havia mudado para a França. Mas o grande auge é Piquant: repleto de originalidade e frescor, aqui Tânia Maria destila suas influências de bossa nova, cuban jazz e fusion. Impressiona logo de cara com “Yatra Ta”, trazendo todo o swing para seu piano. Em “Super Happy”, traços de Tom Jobim ecoam suavemente no seu belo delinear de notas ao piano (do maestro, inclusive, ela faz interpreta admiravelmente “Triste”). A partir de então, o reconhecimento não tardaria: por este disco, faturou o prêmio Golden Leonard Feather Award e, quatro anos depois, ganhou um Grammy por Melhor Atuação Vocal Feminina. Seu legado é bem vasto. Dentre os influenciados, certamente encaixamos Ed Motta e Diana Krall. Infelizmente, seu reconhecimento é praticamente internacional; poucos dão ouvidos a ela por aqui.
Ouça: “Yatra Ta”
E aí, gostaram da seleção? Que discos indicariam para esta data tão especial?
