A série Stranger Things tem despertado interesse peculiar em toda cultura que envolve os anos 1980. A banda que faz a trilha da abertura, S U R V I V E, certamente ampliou bastante os views de suas canções no YouTube após a febre da série do Netflix.

O synthpop oitentista certamente tem tudo para deslanchar.

Antes mesmo da série ficar pronta o produtor paulistano Bruno Zibordi já havia criado o projeto ErrorSynth.

Como influências ele cita o primeiro álbum do Justice e o selo francês Ed Banger. “O ErrorSynth nasceu da necessidade de fazer algo pra mim, de fazer a música que eu gostaria de ouvir”, disse o músico ao Na Mira.

Ele acabou de lançar um EP de cinco faixas, Struck by Lightning, que tem tudo pra agradar os interessados pela eletrônica retrô.

Conversamos com o músico para tentar entender a ideia por trás do projeto e do EP. Confira enquanto dá o play no trabalho dele, claro.

Me conta um pouco o histórico de como criou o Errorsynth, os percalços e o que te levou a fazer um som eletrônico dessa maneira.
Produzo música há alguns anos. Já toquei em algumas bandas, mas no final das contas sempre me vi mais feliz como o cara de estúdio que curte ficar experimentando sons e criando músicas.

O ErrorSynth nasceu da necessidade de fazer algo pra mim, de fazer a música que eu gostaria de ouvir e sinto que este EP de 5 faixas é um retrato bem honesto do que tem feito a minha cabeça musicalmente nos últimos anos – ao mesmo tempo em que carrega influências da minha vida, que sempre quis expressar com esse tipo de liberdade.

Como você chegou a gravar o EP? O que tinha em mente?
As músicas foram surgindo aos poucos. A primeira música a tomar forma, “The Awakening”, foi feita dois anos atrás, e produzi por diversão como um projeto pessoal. Virou um passatempo, ao qual eu sempre voltava e acrescentava alguma coisa, ainda sem nenhuma pretensão.

No final do ano passado tive a ideia de “Daytona 500” quase de uma vez, e já estava desenvolvendo o embrião da “Analysis Paralysis”, e foi aí que eu parei e pensei ‘epa, essas músicas são boas, e existe um padrão aí. Talvez valha a pena levar a isso a sério como um projeto e lançar’. Tipo quando você e alguns amigos começam a se reunir pra tocar e tomar cerveja, e de forma natural percebem que está surgindo algo que vale a pena levar pra fora do estúdio (só que no meu caso bebi sozinho a maior parte do tempo).

Anos 1980: “Tem sido inspiração forte pra filmes como Drive, e séries como Stranger Things. A estética da década é muito forte, e as pessoas querem mais disso”

Acredita que o Brasil vive uma cena palpável de EDM? Seu som se encaixaria aí?
Eu acho que o Brasil vive um momento bem interessante para a música eletrônica, no qual estilos pouco comerciais como vaporwave, witch house, synthwave, etc tão saindo da internet e encontrando seu público em festivais, festas, e isso é bom, pois estimula as pessoas a fazerem o seu próprio lance.

Existe também uma galera interessada em fazer lives mais orgânicos, na pegada do que artistas como Grimes e Chet Faker fazem. Isso ajuda a expandir os horizontes do público, no que diz respeito ao potencial criativo, em termos de performance da música eletrônica.

A música que produzo é eletrônica, mas meus heróis são o Led Zeppelin, e esse tipo de perfil tende a ganhar espaço com uma abertura maior para gêneros mais alternativos.

Percebi que sua música nos transporta lá pra década de 1980 – a própria música “Daytona 500” me lembrou aqueles fliperamas de corrida. Existe a pretensão de soar nostálgico? Como essa década influencia e dialoga com o teu trabalho?
Eu gosto do tipo de nostalgia que a década de 80 estimula. Foi a década da popularização dos sintetizadores, e isso revolucionou a música pop com o surgimento de artistas que são influência direta pra boa parte das bandas de hoje, com trilhas sonoras memoráveis pra filmes e séries de TV.

Não à toa ela tem sido inspiração forte pra filmes como Drive, e séries como Stranger Things. A estética da década é muito forte, e as pessoas querem mais disso.

Eu adoro esse som quente dos sintetizadores analógicos clássicos, mas também gosto de distorcer até o limite o som deles, editar, destruir, inserir guitarra e bateria no meio de tudo. Sempre gostei de ser surpreendido ao escutar música, e busco trazer isso quando estou compondo: essa ideia de inserir elementos ‘errados’, na ‘hora errada’, dentro do que se espera pra esse tipo de som. Vem daí a ideia do nome ErrorSynth.

Onde você pretende chegar com a sua música?
Meu objetivo ao lançar essas músicas é que, de alguma forma, elas cheguem ao seu público e que as pessoas se divirtam ouvindo.

Com toda a confusão que existe no mundo, com todo o barulho, velocidade das coisas e a enxurrada de informação, meu objetivo é que elas tragam escapismo e diversão momentânea a quem quiser ouvir.

Se provocarem metade da diversão que tive produzindo o disco, já digo que valeu a pena lançar.