
Os guitarristas Mike Bloomfield e Stephen Stills
Antes, uma breve introdução dos três músicos:
Al Kooper: cantor, tecladista e produtor musical que construiu uma boa carreira como compositor de trilhas sonoras de filmes. Ajudou Bob Dylan a consolidar sua fase elétrica após o lançamento de Highway 61 Revisited e voltou à cena há não muito tempo atrás, com os discos Black Coffee (2005) e White Chocolate (2008).
Mike Bloomfield: um dos maiores guitarristas de todos os tempos, que teve sua carreira interrompida aos 37 anos depois de abusar de substâncias tóxicas. Já tocou com a clássica banda de blues The Paul Butterfiled Blues Band, também tocou com Bob Dylan e serviu de inspiração para a maioria dos guitarristas de blues moderno.
Stephen Stills: talvez seja o mais conhecido dos três, por já ter tocado com o Crosby, Stills & Nash (algumas vezes também com Neil Young) e a banda de folk rock Buffalo Springfield (que também tem Young em sua formação). Ele é guitarrista e um cantor com uma boa voz – naquele momento, alguns até se perguntaram por que ele não cantou nada neste disco.
Gravado em maio de 1968 e lançado pela Columbia Records, o disco foi produzido por Al Kooper. Bloomfield e Stills não chegam a tocar juntos aqui, o que poderia ser considerada uma oportunidade perdida. Mas a audição de Super Session já revela que não há necessidade dessa parceria.
No lado A do disco, Mike Bloomfield ambienta o rhytm’n & blues com sua guitarra discreta e melódica em “Man’s Temptation”, um dos muitos clássicos do soulman Curtis Mayfield. O guitarrista também trafega livremente pelo blues na faixa de abertura “Albert’s Shuffle” com um solo inicial estupendo, que daria inveja a Eric Clapton. Nessa mesma canção, Barry Goldberg põe suas referências lisérgicas no piano elétrico, resultando numa jam session que traz a maturidade do blues moderno daquela época em diálogo com o acid rock de São Francisco.
“Albert’s Shuffle”
No lado B, Stills contribui com uma releitura tão rápida quanto um maria-fumaça em “It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry”, canção de Bob Dylan que ajudou a compor. Aqui, ela prossegue numa pegada meio “My Generation” (The Who) com todo o desprendimento estético proporcionado por sua guitarra rock-blueseira.
Mas é em “Season of the Witch” que Stills evidencia sua verdadeira potência. Não há solos flamejantes aqui: o trunfo está na perfeita justaposição do baixo de Harvey Brooks, o órgão de Kooper, os instrumentos de sopro dos músicos de estúdio da Columbia. Ah, e claro, na espécie de cortina gloriosa que Stephen Stills cria para o momento catártico de cada um dos instrumentos. Esta faixa é um cover de Donovan Leitch, um grande representante da música folk britânica.
Um verdadeiro clássico do blues, que entrou em diálogo com a maioria das inovações musicais da época. Sessão rara que, cada vez menos, mostra indícios de servir como exemplo para grupos modernos.
“Season of the Witch”
