
01 Quem Vem Pra Beira do Mar 02 O Bem do Mar 03 O Mar 04 Pescaria (Canoeiro) 05 É Doce Morrer no Mar 06 A Jangada Voltou Só 07 Lenda do Abaeté
08 Saudade de Itapoã
Gravadora: Odeon
Data de Lançamento: 1954
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Ouvir Canções Praieiras é a melhor forma de entender o mar. Ele é sereno, violento, bonito, misterioso, gélido, divino. “Quem vem pra beira do mar/Não quer mais voltar”, como canta o genial Dorival Caymmi.
Em seu primeiro disco, Dorival criou um gênero único: a canção praieira. Ele tornou-se o porta-voz das crônicas de pescadores, banhistas, pessoas que se admiram com a beleza do oceano.
O mar é lindo, sim, mas também é palco de morte, de dificuldades – “Quanta gente perdeu seus maridos seus filhos/Nas ondas do mar”, diz Caymmi na belíssima “O Mar”.
E então, ele conta a história de um pescador que foi para os colos de Iemanjá em um dia de pesca, deixando a amada triste. E para onde ela ia quando sentia saudades? “Vive na beira da praia/Olhando pras ondas/Andando rondando”. Incrível é perceber que ele faz um repente e canta rápido com uma velocidade de embasbacar rimadores de freestyle.
Além da bela voz de Caymmi, o que dá potência à sua música é a forma do compositor tocar violão. “Não parece coisa de gente”, chegou a dizer Arnaldo Antunes. “Parece o canto das coisas em si”.
Francisco Bosco, ensaísta e escritor que lançou o livro Folha Explica: Dorival Caymmi, assim definiu a sonoridade de Canções Praieiras: “O violão de Caymmi, nas praieiras, não é um violão de acompanhamento, mas antes um recurso como que cinematográfico: ele cria um setting, compõe uma paisagem, estabelece um cenário”.
É exatamente isso: o violão é complemento, como se fosse a ventania, a brisa do mar, o sal temperando a bravura das águas. Em “É Doce Morrer no Mar”, Caymmi é calmo e respeita o momento fúnebre de devoção à areia no momento da morte.
“A Lenda do Abaeté” acompanha as intercalações vocais em uma levada intermitente, e Caymmi conta como as pessoas interagem em sua lagoa escura que, à noite, “o luar prateia tudo/Coqueiral, areia e mar/A gente imagina o quanto a lagoa linda é”.
Eternizado também por Caymmi foi a praia de Itapuã (em “Saudade de Itapuã”), de lindas areias e que parece ser um lugar de beleza ímpar a julgar pela devoção e pela linda forma que Caymmi ovaciona esse pedaço de terra: “Oh vento que faz cantiga nas folhas/No alto dos coqueirais”.
Não tem jeito: Dorival Caymmi é inimitável. Sua voz compreende os mistérios que envolvem os belos oceanos de nossos litorais. O mar não é nada absoluto. A única coisa absoluta é que Caymmi gravou um dos maiores discos de toda a música brasileira.
