
Não é uma pergunta difícil de responder. Ir a um festival que conta com um line-up de Claudia Leitte, Katy Perry, Rihanna, Snow Patrol, Gloria, Maroon 5… desculpem, já são motivos suficientes para expatriar a alcunha de festival de rock.
Em raros momentos, fiquei com inveja. Ou acha que eu não queria assistir um Metallica tocando clássicos de seus primeiros álbuns?
A própria palavra rock merece ser revisitada: não são apenas riffs sujos, baterias pulsantes e baixos de acompanhamento que formam o gênero. Existe uma geração, uma história por trás do gênero, que vem lá do blues e do rhytm’n blues. Atualmente, pode ser sinônimo de novas tendências musicais, mas mesmo essas tendências merecem um mínimo de análise mais minuciosa.
O que muitos produtores e marqueteiros envolvidos com música fazem, hoje em dia, é promover um show pop vendendo a paixão do rock como algo comerciável. Pop e rock podem ser próximos, mas não podem ser confundidos. Talvez porque alguns ouvintes seduzidos por essa ideia possam ter vergonha de admitir que escutam música pop nos 360 dias restantes do ano, e enxergam no rock aquela devoção apaixonante; um gênero próximo do qual podem se apregoar e afirmar com a forjada convicção de que são fãs de música. Noutras palavras, entoar aquele falso ‘yeah! Rock’n roll!’, que não convence nem a si próprio.
Tudo isso é evidente. Não parei para assistir apresentações na televisão, mas tive a infelicidade (talvez por imposição da própria TV) de ver algumas reportagens repletas de clichês do tipo: ‘noite do metal do Rock in Rio esquentou o público’, ‘Red Hot cantou clássicos e empolgou o público’… blá, blá, blá.
Mas não pensem que sou chato: sou grande fã do Red Hot Chili Peppers, já pulei muito ao som do Metallica e já me aventurei em alguns bates-cabeça ouvindo Motörhead. Me emociono até hoje com Stevie Wonder, Janelle Monáe me empolga e Afrika Bambaataa, nossa, sem palavras… Só que o bom senso do meu bolso jamais permitiria sair de minha cidade natal e pagar uma fortuna para contemplar esses artistas. (De acordo com uma reportagem do jornal O Globo, espectadores de outros estados que vinham assistir ao Rock in Rio gastaram, em média, R$ 1.000 por dia.) Eu até faria isso se fosse um evento mais conciso e com menos propósitos marqueteiros – porém, não é o caso.
Em raros momentos, fiquei com inveja. Ou acha que eu não queria assistir um Metallica tocando clássicos de seus primeiros álbuns ou o Sepultura provando que sua nova fase continua pesada como sempre?
Sim, momentos bem raros. Apenas ensejos. Ensejos que são supridos com um bom alto falante no aparelho de som ou um fone de ouvido potente. Porém, se você for ao Rock in Rio, aproveite bastante! Ah, e pode contar como foi aqui neste link. Mas, sem querer subir em pedestal algum, não estou com inveja de ti.
Bom show.
