
Superchunk – Majesty Shredding



Cultuada banda de punk/hard core dos anos 90, o Superchunk acaba de lançar um álbum após um hiato de quase nove anos. Majesty Shredding veio para balançar um pouco mais o terreno indie, cada vez mais minado com grupos melancólicos.
Na verdade, indie não é bem a definição mais exata para o Superchunk – apesar do frontman Mac McCaughan e a baixista Laura Ballance terem trabalhado duro nesses anos com a gravadora Merge Records, que já trabalhou com grupos como Arcade Fire e Spoon.
O álbum é pancada do começo ao fim. “Digging For Something” introduz com uma levada que lembra bastante os grupos de hard core que invadiram a MTV no começo dos anos 2000. Com a diferença de que os caras têm muito mais experiência que todos eles. Afinal, desde 1989 o barulho movimenta o Superchunk.
“Crossed Wired” faz questão de provar que o vigor não dissipou após o tempo sem tocar junto, com a voz estridente de McCaughan e sua agilidade nos riffs da guitarra soando tão flamejantes como há dez anos atrás.
Os integrantes do Superchunk foram responsáveis por oferecer uma ‘alternativa ao rock alternativo’, que estourou nos anos 90 com grupos como Pearl Jam e Nirvana tocando à exaustão nas rádios. A devoção dos fãs permanece intacta até hoje, assim como o compromisso sonoro dos integrantes com o hardcore pesado.
Entretanto, esses anos de hiato acabaram trazendo elementos mais indie ao grupo. “Fractures In Plaster” é um belo exemplo, com a bateria mais pausada, melodia lenta e letra reflexiva, além dos violinos e do sax na canção deixando-os mais próximos da modernidade do Arcade Fire que do pós-punk do Green Day.
Momentos de lentidão são bem poucos. Quem ansiava por um retorno triunfal do Superchunk, vai vibrar com “Learned to Surf”, “Slow Drip” e “My Gap Feels Weird”. É vibração que não acaba mais.
