Gravadora: Stone’d/Surfdog

Atingir a tão sonhada independência hoje em dia tem sido um caminho que vem rendendo bons frutos mesmo para artistas que já eram consolidados em grandes gravadoras. Com o Radiohead ou o Beirut isso é algo positivo, mas digamos que não foi bem isso que aconteceu com Joss Stone.

Joss Stone ainda não encontrou o contexto perfeito para solidificar sua sonoridade. Tem uma bela voz, mas ainda não se adequou ao pano de fundo exato

Após sair definitivamente da EMI, a cantora britânica de soul decidiu andar com suas próprias pernas e lançou LP1, que conta com importante parceria de Dave Stewart (ex-Eurythmics) nas produções e composições. E aqui, ela decidiu buscar algo mais cru, que pudesse enfatizar seu vozeirão inconfundível.

Mas parece que ela não acertou bem na dosagem. Ainda que suas melhores canções sejam pautadas pelas desilusões amorosas, mesmo quando parece que Joss Stone arrasa com seus vocais, o pano de fundo instrumental parece não casar bem. Em “Last One to Know”, o piano que a acompanha supõe uma composição madura, mas eis que ela rompe com trejeitos pop que tiram a aura da canção (mais ou menos como diria aquele velho Bob Dylan em “Just Like a Woman”: ‘she breakes just like a little girl’).

Sim, aos 24 anos e com o quinto álbum no currículo, vemos que Joss Stone tem uma bela voz, é dona de uma grande beleza… mas ainda lhe falta muito para se impor como diva. Tudo bem que estes são apenas os passos iniciais, mas ela ainda precisa se encontrar.

Em questão de produção, não há o que reclamar. Não teria que alterar uma coisa aqui ou outra ali – teria é que mudar tudo mesmo. A cantora hippie-tardia tem carisma de sobra para conquistar fãs e mantê-los conectados ao seu som, mesmo com LP1, só que ainda precisa encontrar o contexto perfeito para solidificar sua sonoridade. A voz de Joss se impôs demais aos instrumentos e, quando se analisa, parece que todas canções são baladas que só se diversificam melodicamente, mas mantêm a mesma estrutura. E aí, o disco acaba pendendo para algo próximo de chato.

Neste álbum, não se vê aquele belo casamento de sua voz com instrumentos de cordas, que marcaram o elogiado Colour Me Free!. E, por mais que ela tenha todas as melhores intenções do mundo em falar sobre paz universal em faixas como “Newborn”, Joss Stone soa como a versão feminina de um Bono demagogo pré-adulto, só que sem o seu legado. Como se fosse um discurso panfletário de universitários do primeiro ano de faculdade.

“Somehow”

“Somehow” é um hit certeiro e se destaca como um dos principais refúgios, tanto pela animosidade, como pelo acerto em unir sua voz aos órgãos. Ainda que não tenha aquela pegada blueseira crua, é dessa forma que Joss Stone se sai melhor. Ela é uma cantora pop que está começando a trilhar o longo e árduo caminho para se tornar uma diva. Para isso, pode-se dizer que “Landlord” é um bom passo. Quem sabe ela não aprende mais com Mick Jagger e Damian Marley no tal do SuperHeavy, que lança trabalho inédito em setembro deste ano.

Melhores Faixas: “Somehow”, “Landlord”