Temos arranha-céus de cabeça pra baixo na capa e o uso do termo ‘indústria’ em uma das faixas. No entanto, o som do Elefante Branco não segue bem uma linha industrial. Pelo menos, não do jeito convencional (se é que há convencionalismo nesse gênero).
Em apenas duas faixas, o EP de estreia Verticalização de Um Discurso Ancorado dialoga diretamente com o que faria, por exemplo, um Cadu Tenório no Ceticências.
O projeto é formado apenas por Marcelo Armani (de “música concreta e composição instantânea”, como define), que assume samples, sintetizadores e efeitos. O material foi gravado numa performance ao vivo no Festival MUDA!2, no dia 13 de julho, em Porto Alegre (RS).
Fazendo uso de aparatos que simulam uma vida industrial, Verticalização… é a sonoridade das máquinas. O som compreende uma dinâmica que trabalha repetições em intervalos curtos, interferidas pelo ambiente em que a imaginação se sobrepõe. Isso é realizado com diversas alterações em “Na Casa das Máquinas”, que contém mais de 14 minutos.
Do naturalismo com cantos de pássaros e zumbidos de abelhas a simulações de máquinas operando e pessoas dando orientações de trabalho, o EP mostra que, se o que sai dali é música eletrônica, ela está mais presente na nossa vida do que imaginamos.
A seguir ouça Verticalização de Um Discurso Ancorado, do Elefante Branco, na íntegra. Para fazer o download, visite o arquivo da Mansarda Records.
