
01 Overflows 02 Me & You & Jackie Mittoo 03 Void 04 Staying Home 05 Low F 06 Trees in Barcelona 07 Breaking Down 08 Out of the Sun 09 Your Theme 10 FOH
11 What Can We Do
Gravadora: Merge




O Superchunk é daquelas bandas que deveriam ter feito parte da adolescência de todo mundo. Como a vida é curta demais para arrependimentos e choramingos, podemos aproveitar o frescor de I Hate Music para vivermos novamente a melhor fase de nossas vidas.
Não costumamos reclamar das baboseiras que fizemos e deixamos de fazer no passado? Que tal fazer de conta que nada mudou e vivenciar a juventude mais uma vez?
I Hate Music nos faz voltar à memória de filmes adolescentes sobre perda da virgindade, romances aflorados, passeio com uma turma gigante de amigos e, claro, momentos divinos em que poucas bebidas eram o bastante para deixar-nos ébrios.
Mas esse não é o fator apenas I Hate Music – mas, sim, o fator Superchunk. Sempre foi assim.
Desde que rompeu um hiato de nove anos com o louvável Majesty Shredding (2010), a banda cumpre mais o papel de fazer com que os jovens dos anos 1990 (hoje tiozinhos) relembrem os bons momentos do passado, do que adquirir novas audiências.
Aí, surge a problemática: será que o Superchunk pode com a enxurrada mais adepta à seriedade do dreampop e do folk-fofura ao invés do quase sepultado ‘bom e velho rock’n roll’?
Eu diria que não. Por isso, I Hate Music, por mais que não represente nada de novo no cenário musical, é mais necessário do que aparenta.
Em pouco mais de 37 minutos em 11 faixas, a banda exala energia em guitarras e vocais poderosos. Começa um tanto acústico com “Overflows”, que aos poucos dá entrada para que as guitarras sujas de Jim Wilbur dominem e deem espaço para os vocais nada envelhecidos de Mac McCaughan.
“Me & You & Jack Mittoo” é feita para quem gosta de bons riffs, “Void” é um hardcore dos bons como não se faz mais hoje em dia, “Staying Home” é puro Bad Brains no fator agilidade e “Trees of Barcelona” é o momento em que McCaughan roteiriza um momento notável ‘so happy so happy’ na capital espanhola de forma apaixonadamente inocente. Como se estivesse em um mochilão e lembrasse das paisagens menos óbvias da viagem.
Tirando oportunos momentos em que as notas abertas de guitarra parecem se abastecer para dar mais gás a determinadas canções, I Hate Music não tem pausas – assim como qualquer outro álbum do Superchunk. Ou seja, pode deixar rolando em uma festa com bebidas livres à vontade como aquelas do American Pie, que é sucesso.
Como toda festa de arromba tem diferentes momentos, encare a dobradinha “Your Theme” e “FOH” como a boa hora para goladas mais soberbas. Quando os flertes românticos tomarem conta da atmosfera local, coloque “Breaking Down” e “Out of the Sun”. E o que seria a faixa de encerramento, “What Can We Do?”, se não aquela hora chata em que temos que limpar a bagunça?
Sem pretensão alguma de ser o que não é, Superchunk ensina com sua fórmula que nosso imaginário ainda se contenta com um rock em bom e alto volume. Estamos velhos demais? Bah, isso é papo pra ‘dinossauro’.
Divirta-se com I Hate Music e deixe que os decrépitos se castiguem com a surdez.
Melhores Faixas: “Void”, “Staying Home”, “Trees of Barcelona”, “FOH”.
