Cidade natal: Brasília (DF)
Gênero: Experimental
Membros: Feleps (guitarra/vocais), Bruno Rocha (bateria) e Wolve Rodrigues (baixo/vocais)
Agrada quem gosta de: Koenjihyakkei, Naked City, Massacre com interrupções abruptas
Links: soundcloud.com/worsa, www.atrator.org/worsa
Fragmentação necessita de controle – principalmente na música, onde a fluidez inflige diretamente no andamento da canção. Acontece algo parecido quando falamos de desfragmentação. Isso porque ela procura evitar ainda mais o teor anárquico. Ela não pode evitar interrupções abruptas até a ideia atingir seu ‘fim’ – justificando ainda mais o tal do… controle.
O Worsa trabalha com isso, e muito bem. Formando um rock difuso que bebe de diversas fontes que vão da construção Naná Vasconcelos ao free-way-of-mind que o Massacre instituiu com maestria nos anos 1980, o trio de Brasília pode sim ser antecedido por um ‘power’. Não muito pelo virtuosismo, que às vezes nos remetem a chatices de nomes que nem precisamos mais soltar aos sete ventos; e sim pelo autocontrole, que dá um tom ainda mais libertário aos seus escapismos instrumentais.
A banda foi formada em Brasília em 2003 e, até agora, conta com dois trabalhos: o EP Morsa, de 2005, que se diz repleto de influências que vão de trilhas de videogame às ideias do filósofo anarquista Mikhail Bakunin; e o disco mais recente lançado no finalzinho de 2012, Omoioi que, apesar de ter um nome que lembra aquele bordão ridículo da novela das 9 da TV Globo, leva às agruras a ideia de espicaçado.
Este último disco, além dos integrantes, conta com as participações de Natasha Salles (vocal soprano), Adil Silva (trombone), Marcus Dale (piano) e Carlos Tort (marimba/glockenspiel).
Tudo quanto é experimentação entra no cardápio: de interjeições vocais operísticas a riffs tortos e baterias incisivas, o Worsa eleva a potencialidade do rock livrando-se de qualquer amarra.
São 33 faixas praticamente sem título – elas são separadas por “Atos”. Todas elas têm menos de dois minutos (apenas a última tem mais de 30 minutos, jogando e brincando com diversas ideias a partir da liberdade do gênero) em um formato que muito agrada aos fãs do incendiário Torture Garden (1989), do Naked City.
Streaming: ouça na íntegra o mais recente disco do Worsa, Omoioi:
