Quando ouvi falar pela primeira vez de Azealia Banks numa lista de ‘pessoas mais cool no mundo da música do NME’, fiquei tão surpreendido como qualquer um que conferiu a seleção: o que haveria de surpreendente em uma rapper do Harlem (Estados Unidos) que tinha uma voz que lembrava a M.I.A. e soa quase como uma versão feminina de Tyler, the Creator?

Ouvi “212”, tido por publicações como Guardian Music e NME como uma das melhores músicas do ano, e acabei caindo no agito do rap da cantora em meio a batidas eletrônicas que poderiam muito bem ter sido produzidas por um SBTRKT. No rap, ela diz que sempre ouviu canções comerciais e vê o gênero como um “acessório ou brinquedo legal para escrever músicas”.

Com apenas 20 anos, a cantora estudou no LaGuardia High School (a mesma que Al Pacino e Nicki Minaj) e já fez papéis como atriz – em um deles, interpretando uma mãe que foi assassinada pelos filhos ao tentar matá-los (!).

Certamente ela será um dos nomes mais mencionados no pop em 2012. Muito por sua irreverência e suas rimas bem estruturadas, ainda que muito conteúdo poderia ser enxugado. Por outro lado, tem bastante coisa engraçada também nas suas composições: em “L8R”, ela diz que ‘vadias fedem mais que peixes na Chip Shop’.

A julgar pelo cover que Azealia fez da banda de indie Interpol (da canção “Slow Hands”, que você pode conferir no player abaixo), parece que ela também tem potencial para baladas. Não é apenas mais uma voz exacerbada procurando atenção. Seu vocal tem potencial de acompanhar tanto batidas fulminantes de jungle e dubstep, como trafegar por linhas mais melódicas.

Mas, já que estamos falando de uma artista em ascensão, é melhor que ela continue fazendo barulho por mais um tempo. Senão, vão taxá-la – com um pouco de razão – de ser mais uma peça de xadrez do mercado fonográfico. M.I.A., por exemplo, contornou isso, mas não é lá o melhor exemplo de cantora. Lana Del Rey, que provavelmente irá disputar com ela quem venderá mais ano que vem, tem tudo para seguir os mesmos caminhos de Adele por ter uma bela voz.

Azealia Banks pode encontrar um nicho no meio disso tudo, mas é bom que ela saiba se impor. Ela é gangsta e até poderia ter uma frestinha ali no Odd Future. Mas, vamos dizer assim: ela é a mistura perfeita de um Tyler com Frank Ocean na pele de uma garota feminina que também passou pelas mesmas dificuldades que os dois.

Com o adendo de ter caído nas graças do produtor Diplo que, além de ser marido de M.I.A., sabe muito bem trabalhar com artistas do mesmo perfil que Azealia. Se ela trouxer isso pra música, vai se dar bem.