Cidade natal: Volta Redonda (RJ)

Gênero: Rap Alternativo

Membros: Thiago El Niño

Agrada quem gosta de: Kamau, Rincon Sapiência, Parteum

Links: www.thiagoelnino.com, www.facebook.com/thiagoelnino1

Múltiplos temas já foram abordados no rap, mas se colocarmos aqueles que realmente impactaram um público grande, bom, podemos contar nos dedos: agressividade política; uma necessidade de vanglória como cura das mazelas (ou uma espécie de visão distorcida de superação); combate aos conflitos sociais; cópia das tendências norte-americanas; embate ao sistema apenas pela mania de… bater de frente com o sistema; e um vício tremendo de autoafirmação do gênero (chega de rap pelo rap, né?).

Na maioria desses casos, perceba que há uma causa. Ainda que não seja a causa, recorre-se sempre a ela para explicar a razão de existência de algumas rimas.

Ao ouvir o som de Thiago El Niño, as causas existem, mas não são a totalidade. Calma, não é tudo bem-bom-e-bóra-dançar: a mais recente faixa, “Amigo Branco”, por exemplo, fala com inteligência sobre o problema das cotas raciais em universidades, sampleando a faixa de mesmo nome da cantora Márcia Maria, datada de 1972. Ainda assim, não estamos falando de uma causa, um ‘apontar o dedo no culpado’: é simplesmente a chamada para a discussão.

Isso o rapper de Volta Redonda já faz desde o lançamento do EP Cavalos de Briga, disponibilizado na internet no ano passado. Assumindo o papel de um cidadão comum (que enfrenta ‘o trânsito parado que não vai me fazer parar’, como diz em “Traslado”), Thiago é um observador irrequieto, que também não poupa papas quando o assunto tem que ser reto (‘os escravos de hoje têm carteira assinada’).

“Possibilidades” é a canção em que o rapper mais expõe sua simplicidade. Ele fala de trabalhos, ruas e conquistas como fez muito bem o paulistano Kamau em Non Ducor Duco (2008).

Em “Salve”, temos uma semelhança maior com o circuito underground de Parteum com um quê de Rincon Sapiência – principalmente na forma de construir as rimas. As batidas eletrofuturísticas são pontuadas por congas, fornecendo um agito positivista que faz todo o sentido para a dedicação: ‘essa é pra quem tá junto na luta’. É ouvir e querer se unir.

Ainda neste ano o rapper deve lançar seu primeiro disco solo: Canto do Canto. Pode ser o prenúncio de um bom respiro em um gênero que adora se acossar com mais vícios que virtudes – principalmente por esses trópicos.

Streaming: ouça na íntegra o EP Cavalos de Briga e confira o vídeo da faixa “Amigo Branco”: