6 de dezembro marca o dia em que o The Black Keys soltará oficialmente o novo trabalho, El Camino. Entretanto, o sétimo álbum do duo Dan Auerbach (guitarrista) e Patrick Carney (bateria) caiu na rede hoje. No Twitter, só vi mensagens positivas em relação ao trabalho.

Como já está virando costume, o Na Mira do Groove decidiu realizar um faixa a faixa do disco. O álbum é estupendo. Que estará na lista dos melhores do ano, isso é fato. O The Black Keys mostrou-nos com El Camino que o rock tem capacidade de sobra de renovar-se quantas vezes for necessário. Todos os preceitos do ritmo são seguidos. Mas o tratamento, a produção, o vigor de cada faixa nos faz parecer que é simples mexer com o rock. Uma verdadeira aula!

Confira o faixa a faixa de El Camino, do The Black Keys:

1. “Lonely Boy”
Esta já havia sido divulgada. Os riffs são bem pesados e percebemos como ela dialoga com as faixas mais pop de Brothers, disco anterior do Black Keys. Só que é bem mais dançante, bem mais rock’n roll, bem mais pancada. Uma introdução de muito vigor, que já denota a jam roqueira que toma conta do disco.

2. “Dead and Gone”
A bateria de Carney evoca uma espécie de marchinha, que adquire ares psicodélicos com as vozes oníricas de Auerbach que vão entrando. Danger Mouse, que produziu o disco, deu um tratamento ‘stadium’ à canção. Parece que ela está sendo tocada ao vivo para milhares de fãs ensandecidos.

3. “Gold On the Ceiling”
Tem um pézinho lá no country com os riffs iniciais, mas os efeitos eletrônicos nos teclados sintetizam outras possibilidades musicais. Os riffs de guitarra têm algo de interiorano sim, ainda que os loopings eletrônicos sejam o grande chamariz. Quando entram os curtos solos na guitarra de Auerbach, sabemos que é o The Black Keys de sempre quem está por trás. E tudo fica mais divertido.

4. “Little Black Submarines”
O quê? The Black Keys fazendo uma balada? Sim, e ficou muito boa. Se um “coração partido é negro”, como Auerbach canta, então ficamos felizes de compartilhar algo tão desapontador com uma banda que carrega o ‘black’ no nome. Você vai concordar comigo quando a canção chegar aos 2 minutos: entra um solo devastador de guitarra e Carney não economiza um movimento nas baquetas. Sério, foi a sonoridade moderna mais próxima do Led Zeppelin que já ouvi! E aposto que esta nem era a pretensão do duo. (Ou era?)

5. “Money Maker”
Começa com o mesmo vigor que acaba a faixa anterior. Auerbach exibe notas complicadas de serem extraídas na guitarra, em riffs pouco convencionais. Ao mesmo tempo, tudo isso soa simples e confortante aos nossos ouvidos. Também entra efeitos em teclados com referências orientais. Mas, cara… é puro rock’n roll! Do you like it?

6. “Run Right Back”
Também já havia sido anunciada anteriormente, como um single lado-B de “Lonely Boy”. Só que ela é ainda melhor que a primeira faixa do disco. A sincronia de voz e instrumentalidade é a grande sacada aqui. Dá uma vontade absurda de cantar e dançar ao mesmo tempo. É um Queens of the Stone Age acelerado dentro de um Chevrolet El Camino com turbo de Camaro.

7. “Sister”
Ainda que seja uma canção mais ‘balada’ do The Black Keys, como se fosse uma bronca à irmã mais nova, os riffs e loopings estão lá. Mas nada aqui é forçado. Por exemplo, parece que os conselhos dados ganham um peso maior quando estão aliados à força penetrante do rock.

8. “Hell of a Season”
A dinâmica instrumental introdutória é estupenda. É acelerada por algo que lembra um rock-funk, mas a essência do blues moderno é o que prevalece. Os curtos riffs que acompanham a canção inteira são a grande sacada. Fala em esperar pela amada em qualquer estação do ano. Pelo ritmo, já dá pra saber que é bem otimista.

9. “Stop Stop”
De início, os vocais em falseto de Auerbach são quase ofuscados pela virulência de Carney nas baterias, pelo menos até chegar no primeiro refrão. Depois, tudo fica limpo para que eles coloquem em prática a fórmula infalível do rock que ambos detêm a salvo em sete chaves.

10. “Nova Baby”
Os músicos caem na festança da surf music nesta canção. As rimas podem muito bem ser repetidas num carro em volume alto na estrada para o litoral. Quando entrar os solos de Auerbach, não tenha pudor de colocar a cabeça pra fora do vidro.

11. “Mind Eraser”
A faixa que encerra El Camino segue o protocolo de canções animadas que permeiam todo o disco. Lógico que fica no ar aquele clima de ‘ah, que pena, acabou’. Os próprios integrantes dizem ‘não deixe que acabe’. O que podemos fazer? Te dou uma sugestão: aperte o play novamente na primeira música do disco. Já fiz isso muitas vezes hoje…