Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 26 de setembro de 2014
Hoje em dia boa parte dos fãs e conhecedores da obra de Radiohead prevê como Thom Yorke deve operar musicalmente a cada lançamento. Tudo bem, uma das bandas mais celebradas nos anos 1990 e 2000 ainda nos reserva algumas surpresas; já o vocalista, solo ou em projetos paralelos, formou uma marca tida como indelével. Vocais arrastados, baixinhos, batidas eletrônicas em tons dinamicamente suavizados e efeitos em looping alternando com arpeggios…
A exemplo de The Eraser (2006), ou qualquer disco do Atoms For Peace, Thom Yorke deixou de surpreender o ouvinte com reviravoltas estéticas. Seu estilo já foi arrematado.
É assim que soa Tomorrow’s Modern Boxes: sem ar novidadeiro, o britânico trafega tranquilamente pela estrada pavimentada por ele próprio.
Em “Guess Again”, temos a melhor definição que Yorke daria ao pop: levada de bateria, pianos ao fundo e sua voz operando independente da estrutura rítmica. “Interference” é tão modorrenta quanto “Kid A” (a faixa, não o disco). “Truth Ray” parece um single perdido de In Rainbows (2007), mais por sua proposta etérea que pela dinamização musical.
Parte da não-surpresa a se esperar de um novo disco de Yorke muito tem a ver com a produção de Nigel Godrich. Não é preciso se aprofundar na obra dele para conhecer seu estilo.
Recorrendo a percussões quase cardíacas, a dupla Godrich-Yorke retrata sentimentos e emoções de forma melancolicamente sensorial. Mesmo na agitada “There is No Ice (For My Drink)”, a voz é trabalhada mais como um órgão interno do ser humano do que expressa palavras.
“A Brain in a Bottle” tem mais a ver com desejos: na primeira faixa de Tomorrow’s Modern Boxes, Thom Yorke canta introspectivamente e evoca emoções de forma perturbadoramente estranha. Ele é assim, e você já sabia.
Ainda assim, há boas surpresas no disco. “The Mother Lode”, que parece ter sido composta sob gravitação, é um passo adiante (e mais futurista) no que já foi proposto pelo Atoms For Peace. Em continuidade ao drone de “Pink Section”, “Nose Grows Some” exibe o poder hipnótico de Thom Yorke. Ele te congela, a ponto de deixar num estado contemplativo. Não que isso seja duradouro. Assim como a duração relativamente curta de 38 minutos de Tomorrow’s Modern Boxes, facilmente o ouvinte se recompõe para, muito provavelmente, partir para outra.
