Gravadora: Rough Trade
Data de Lançamento: 12 de dezembro de 1983

O The Fall consegue fugir das principais associações que se faz ao pós-punk.

No lugar da atmosfera sombria, perdura a estranheza.

Nada de guitarras cristalinas; riffs tortos e linhas de baixo se sobressaem.

Temas maduros? Uma música que tira sarro de ‘roteirista de novela’, dizendo que soa ‘caipira’ em “The Man Whose Head Expanded” não é algo que se considere… seriamente inteligente.

Mark E. Smith, o eterno vocalista do Fall, usa sua voz mais como instrumento que meio de expressão. Em “Kicker Conspiracy”, faz um acompanhamento rítmico que se assemelha a metais. “Smile” é a versão roqueira do free-jazz: a cada vez que grita smile!, Smith pede uma dinâmica mais ágil da bateria de Karl Burns.

Sexto disco da banda britânica, Perverted By Language retoma o contrato com a gravadora Rough Trade (depois deste, o Fall não lançaria mais discos por lá). Marca, também, a estreia de Brix Smith, esposa de Mark. Ela assume guitarras e exibe uma voz arrastada e junkie em “Hotel Bloedel” – que também tem como atrativo ranhuras de violino, executadas por Mark.

Há uma convergência estética entre no-wave e new-wave com esquetes do que há de mais ridículo no pop

Perverted By Language é um disco de peso moderado. Não seria errôneo dizer que, nele, há algo que Josh Homme (bem) posteriormente traria para o Queens of the Stone Age. Menos equivocado, ainda, é correlacionar o disco aos experimentos de Captain Beefheart pós-Lick My Decals Off, Baby (1970). Há uma convergência estética entre no-wave e new-wave com esquetes do que há de mais ridículo no pop. “Eat Y’Self Fitter” parece vir de um quadro do Chacrinha, enquanto a extensa “Garden”, com seus mais de 8 minutos, adentra uma selva arrepiante – a mesma em que o conterrâneo The Pop Group se meteu em algumas canções de Y (1979).

A versão original de Perverted By Language tem oito canções, mas após a era dos CDs, ganhou inúmeros relançamentos que bagunçaram o tracklist inicial. Quando foi lançado, “Ludd Gang”, “Wings” e as mencionadas “The Man Whose Head Expanded” e “Kicker Conspiracy” estavam de fora. Outra que geralmente fica oculta é “Pilsner Trail”, um jingle bell obscuro que depois se endireita, até virar um rock straight-ahead de linha pós-punk.

Não é certo dizer que Perverted By Language é o melhor álbum do The Fall – seu longo e essencial catálogo é repleto de clássicos, como Hex Enduction Hour (1982), This Nation’s Saving Grace (1985), Cerebral Caustic (1996), entre outros.

Aos exploradores musicais de plantão, este é o registro mais intrigante que se pode ouvir do grupo de Mark E. Smith.