David Byrne é um dos maiores nomes quando o assunto é teoria musical. Desde os malucos tempos das experimentações pós-punk e new age, Byrne sempre esteve atento para novas possibilidades musicais, tanto que foi frontman de uma das maiores bandas dos anos 80, o Talking Heads.

Ultimamente, o compositor tem se destacado em palestras que relacionam Música e Tecnologia de forma futurista e bem lúcida. Há um bom tempo, ele publicou um artigo na Wired Magazine expondo alguns paradigmas da indústria musical no século XXI.

Na última conferência do TED (Technology, Entertainment, Design), o músico explicou a importância do contexto para a criação musical.

Do jeito mais informal possível, Byrne fez um retrospecto da história da música, mostrando a importância do ambiente e do contexto no processo de composição. Por exemplo, os sons tradicionais africanos soam perfeitos quando são tocados em um lugar festivo, de caráter regional. Já em um lugar gigante com uma plateia seleta poderia perder sua aura, muito por conta da expectativa gerada por cada espectador e pelo fato de ter de programar cada sonoridade extraída para compensar o dinheiro gasto pelo público. Em grandes estádios, as melodias são melhor trabalhadas no sentido de impactar o emocional de um grande público, como faz o grupo U2.

De todas as explicações, fiquei fascinado com sua teoria que associa a produção de música pop direcionados aos garotos e adolescentes que escutam MP3. Segundo Byrne, neste contexto a música que soa melhor no seu iPod é aquela que tem pontos graves e agudos bem definidos, como forma de suscitar um prazer na audição sem prender demais a atenção do ouvinte.

Na discussão, ele separa bem a influência do contexto e da paixão durante a legítima criação. A junção destas duas variantes podem trazer um resultado mais autêntico à canção, contanto que seja trabalhada com atenção. Nessas passagens, David Byrne mostra a diferença do som de pássaros de diferentes regiões, explicando que todo esse processo está presente mesmo na natureza.

O que pode-se concluir disso tudo? Que certas músicas tem ambientes adequados para serem ouvidas. No final de sua explicação, Byrne enfatizou que há artistas que trabalham de formas mais desconexas, mas não deixou de alertar que fazer isso pode ser perigoso.

Todos os argumentos são apresentados com base na História da Música, com muitos exemplos de música erudita e popular.

Vale muito a pena ver a conferência. Áudio e legenda em inglês. Há legenda em português: