Emma Frank é uma cantora de jazz de Montreal (Canadá) que não escolheu o caminho mais fácil para entrar na mente dos outros. As melodias complexas de sua música exigem total atenção do ouvinte. Seu jazz não é easy-listening, mas também não é agressivo. É mais alinhado com algumas cantoras que exploram formas livre de composição musical. Talvez Joni Mitchell, talvez Karen Young.
As letras não são lá muito felizes. Emma frank parece emoldurar um relacionamento que não vai muito bem. O título do disco já desperta atenção (embora não de forma positiva), mas a canção “This Time” não deixa mal-entendido algum sobre a situação (tradução livre):
Como eu queria que a situação ficasse Não o que a situação representa O que você faz a si mesmo E o que estou fazendo por mim Os dias em que me sinto mais sozinha Coletando nossas falhas
E colocando-as em um barco
Vou pegar leve com você desta vez Leve comigo e leve com as brigas Porque, Deus sabe, é fácil perder amor Honestamente, não quero continuar com as brigas
Estando certa ou errada, é fácil demais perder amor
Quando cada expectativa que tenho Leva ao desapontamento Eu tenho que perguntar
Quais verdades estou evitando
Então, não, The People We’re Becoming não é um disco de cool-jazz ideal para luz de velas com a paquera – a menos que você queira passar uma mensagem obscura à pessoa prestes a se tornar seu(ua) parceiro(a).
Musicalmente, o jazz de Emma Frank não é cativante. Mas, é muito interessante. Sua doce e belíssima voz parece flutuar pelas notas como borboletas ao vento. Nunca chega ao lugar que você previa, mas flutua, levemente. Ela também tem o poder de inspirar os instrumentistas que tocam com ela. Todos parecem dividir a ‘mesma zona’ quando tocam.
De primeira, todas as canções se parecem bastante, mas uma implicação mais profunda mostra diferentes ângulos e direções. Em “Omma”, Emma deixa-se guiar por vocais aéreos por um tempo, como se tivessem ambientados na era do flower power. Não é um pop-jazz semelhante, por exemplo, a Diana Krall.
Sua banda atual inclui Simon Millerd (trompete), Marc Béland (bateria), Isis Giraldo (piano) e Gabriel Drolet (contrabaixo).
Um interessante e complexo disco aos que não têm medo de música que os leva aos lugares mais obscuros, com notas e melodias peculiares.
(Link do texto original)
