
01 Run Til Its Dark 02 Get Up Stand Up (ft. Brother Ali) 03 Most of My Heroes Still Don’t Appear on No Stamp (ft. Z-Trip) 04 I Shall Not Be Moved 05 Get It In (ft. Bumpy Knuckles) 06 Hoover Music 07 Catch the Thrown (ft. Large Professor & Cornmega) 08 RLTK (ft. DMC) 09 Truth Decay 10 FassFood
11 WTF?
Gravadora: Enemy Records




Lançado oficialmente dia 13 de julho, este é o primeiro disco do Public Enemy de 2012, ano em que completa 25 anos. (O próximo, The Evil Empire of Everything, sai até o fim do ano.)
Algumas coisas mudaram no meio do caminho, mas o que realmente conforta é saber que Chuck D continua combativo em suas composições e que Flavor Flav não perdeu seu carisma – mesmo quando pergunta ‘que porra está acontecendo?!?’ em “WTF”.
Os anos se passaram e novos alvos foram entrando na mira daquele clássico logotipo do PE. Milhares de negros americanos ainda sofrem com a recessão e falta de oportunidades, e poucos se manifestam (“Run Til Its Dark”); os americanos estão cada vez mais obesos por exagerar em fast-foods (“FassFood”, crítica às gigantes corporações que ganham com o nosso aumento de peso); e rappers estão usando e abusando do hedonismo sem nenhuma mensagem que preste (“Catch the Thrown” – mensagem direta a Kanye West e Jay-Z).
A acidez crítica ainda é marca registrada do Public Enemy. Não que eles queiram seguir uma linha específica dentro do rap. Para eles, o gênero é a vitrine perfeita para vociferar contra as persistentes injustiças do mundão. ‘Não estou bravo com a evolução/Mas permaneço para a revolução’, diz Chuck D em “Get Up Stand Up”, com participação de Brother Ali (alertando os desavisados: nada a ver com a composição de Bob Marley e Peter Tosh). Só essa frase resume bem a atual posição do grupo dentro do hip hop.
Para fortificar ainda mais a agressividade dos vocais do PE, Most of My Heroes… vem com um grande arsenal de guitarras, já evidente em “Run Til Its Dark”, em cima de uma base que lembra os tempos de It Takes a Nation of Millions… (1988). O solo surge depois de scratches fervorosos de DJ Lord, forjando o virtuosismo como algo escapista – mais ou menos como a trilha perfeita de um suposto filme de Spike Lee que mostre um personagem fazendo de tudo para evitar confronto com policiais.
Quem acredita que hip hop tem tudo a ver com rock pesado vai se regozijar com “Hoover Music”. Os riffs parecem ter sido encomendados pelo Anthrax, lembrando uma daquelas junções rap-rock da trilha sonora de Judgement Night. Lembrando que esse flerte já vem desde os velhos tempos: não se esqueça que “She Watch Channel Zero?!?”, do citado It Takes a Nation…, é rimado em cima de um riff do Slayer.
No hip hop, o Public Enemy tem uma estética única que, por incrível que pareça, não se desgasta com o passar dos anos. Enquanto produtores do gênero se mergulham em autotunes e batidas inusitadas, o PE valoriza aquela coisa pesada, de salão. E rima com criatividade sobre temas cotidianos, algo que vem se perdendo no hip hop de hoje em dia, que ilusoriamente acredita estar em um pedestal.
Melhores Faixas: “Run ‘Til It’s Dark”, “I Shall Not Be Moved”, “RLTK”, “Truth Decay”.
