01 Brennisteinn 02 Hrafntinna 03 Ísjaki 04 Yfirbord 05 Stormur 06 Kveikur 07 Rafstraumur 08 Bláprádur

09 Var

Gravadora: XL

Tava fácil pro Sigur Rós: superar Valtari (2012) era o equivalente a cobrar um pênalti melhor que o Roberto Baggio na final da Copa de 1994.

O último disco da banda islandesa, que culminou em um interessante mas nada empolgante projeto audiovisual, apenas confirmou o que alguns outsiders já reclamavam há muito tempo: que o Sigur Rós era chato.

Sinônimo de ‘bonitinho e poético’ e figurinha repetida em trilhas sonoras de enredos clichês igualmente ‘bonitinhos e poéticos’, o Sigur Rós de alguma forma deve ter percebido que entrou em uma enrascada.

Mas se virou bem.

Kveikur responde com a agressividade que prometeu no momento de seu anúncio.

A sequência inicial “Brennisteinn” e “Hrafntinna” surge para acabar de vez com qualquer associação de ‘fofa’. Numa climatização mais aquebrantada, os vocais de Jónsi vão do paraíso às profundezas. A agressividade aqui encontra um meio-termo com a densidade atmosférica já usual do grupo: enquanto a primeira faixa se segura vivamente na bateria de Orri Páll Dýrason e efeitos massivos, a segunda deságua para algo mais rico em camadas obscuras.

Isso sugere uma abertura, que vem na já mostrada “Ísjaki” – que até pode fazer alguns fãs tentarem cantar em islandês não apenas por conta do lyric video disponibilizado, mas também por seu appeal. Temos aí um Sigur Rós pop – mas de uma forma longe de agradar os detratores habituais.

A partir daí, o disco dá uma quebrada peninsular. Caindo para camadas, logo esquecemos da proposta agressiva com os reverbs de “Yfirbord” e as lamúrias iniciais de “Stormur”, faixa que ensaia uma abertura instrumental com uma bateria bem roqueira.

O retorno à boa forma vem com a faixa-título, de longe a que melhor representa essa vontade de explodir do Sigur Rós. Os arranjos esfumaçados aos poucos se abrem para uma sessão roqueira poderosa, que logo encontra a catarse em efeitos de fricção no pedal de guitarras. Vale a pena deixar no volume máximo e se derreter por sua belíssima construção.

Sem largar seu teor cristalino, a banda retoma aquele ar de mistério em “Rafstraumur” e vai se reencontrando novamente à sua característica. Com o avançar das canções, percebemos o quanto a banda soa eficaz em condensar a agressividade com o habitual – apesar das músicas de encerramento “Bláprádur” e “Var” representarem uma queda melancólica muito grande. Estão longe de serem tão notáveis quanto as outras já mencionadas.

O fato é: ninguém quer (ou precisa de) mais um Ágætis Byrjun (1999) ou um ( ) (2002). Se a banda realmente quiser retomar sua forma, diria que vale a pena investir nas melhores canções daqui. Vale a pena se arriscar um tanto mais para calar alguns detratores e pavimentar caminhos musicais mais interessantes.

Ou quer ouvir mais uma vez dizerem que o Sigur Rós é chato pra dedéu?

Melhores Faixas: “Brennisteinn”, “Ísjaki”, “Kveikur”.