
Gravadora: Interscope/Stranger



Só o fato de ter o beiço mais comentado na internet nos últimos tempos e a cara triste de quem quase nunca sorri – além de manter o emprego como baby sitter mesmo depois de lançar o aguardado debut – Lana Del Rey pode tentar correr disso, mas é a figura que a música pop tanto procurava. Para quem não sabe, Lana Del Rey é o pseudônimo conturbado de Elizabeth Grant.

01 Born To Die 02 Off To The Races 03 Blue Jeans 04 Video Games 05 Diet Mountain Dew 06 National Anthem 07 Dark Paradise 08 Radio 09 Carmen 10 Million Dollar Man 11 Summertime Sadness 12 This Is What Makes Us Girls 13 Without You (Bonus) 14 Lolita (Bonus)
15 Lucky Ones (Bonus)
Em Born to Die, o que Lana Del Rey faz é explorar Lana Del Rey, um personagem que talvez confunda a própria cantora.
Por mais que ela tente contextualizar todos os seus destroços amorosos com o sonho derrotado de uma América, a cantora não destrói expectativas – mas também não surpreende.
Analisar o disco buscando perfeição vocal é praticamente um erro, já que a grande sacada dela é enveredar o intimismo, assim como vem fazendo cantoras que estouraram nas paradas nos últimos anos: Amy Winehouse, Duffy, Adele…
Sabemos que a cantora não forja seus sentimentos, já que são raros os momentos em que vemos ela alegre.
Acredite, os pontos altos do disco estão mais na produção do que em suas canções. Tudo bem que singles como “Video Games” e “Off to the Races” merecem uma menção honrosa em qualquer lista, mas esse mar de lágrimas pode causar enjoo. Afinal, são 15 canções (somando as três faixas bônus) que mais parecem capítulos repetidos de uma novela romântica indie que explora os mesmos takes: neste caso, tristeza, desilusões e devaneios tilintados por uma produção quebradiça que traz um aspecto indie-experimental em sua cortina sonora.
Entretanto, as músicas do disco não são ruins: “Dark Paradise” é densa e catedrática, mais ou menos como colocar o gospel em efeitos dubstep; “Diet Mountain Dew” é daquelas canções que se escuta ao andar pela cidade fazendo um breve julgamento de todos os rostos desconhecidos que vemos, como se ela cantasse justamente enquanto sai para tomar um ar na rua; e os efeitos de “Radio” são matadores, graças à produção de Emile Haynie.
Mesmo sendo um bom debut, parece que Lana Del Rey se daria melhor se entrasse para um grupo de trip hop, para explorar com mais densidade seus frangalhos emocionais.
Um remix de Born to Die tem tudo para ser melhor que o original. Fica a dica aí, Rick Rubin e Damon Albarn.
Melhores Faixas: “Off to the Races”, “Video Games”, “Dark Paradise”.
