Cidade natal: Rio de Janeiro (RJ)

Gênero: Dark ambient/Eletrônica/Experimental

Membros: Gustavo Jobim e vários colaboradores, em variados projetos.

Agrada quem gosta de: Klaus Schulze, Philip Glass, Conrad Schnitzler.

Links: gustavojobim.com, gustavojobim.bandcamp.com

Que o Rio de Janeiro vive uma cena experimental interessantíssima, bom, você já deve saber. Já apresentamos sons do fritado VICTIM!, dos insanos do Bemônio, do livre passeio entre jazz e rock do Chinese Cookie Poets… As vertentes vão do fusion ao dark-ambient e sugerem desencontros, devaneios, improvisações e extremismos.

Numa esfera mais eletrônica, há o trabalho de Gustavo Jobim. Apesar da recente descoberta por parte de poucos críticos e alguns curiosos sobre essa cena, Gustavo já cria com o gênero desde meados de 2000, quando tinha 18 anos.

O primeiro trabalho, Round MI (2003), fazia uma espécie de transição entre os primeiros anos da eletrônica de Klaus Schulze, por exemplo, com ambientações de post-rock – algo bem natural, já que naquele tempo ele estava colaborando com a banda Sensorial Estéreo.

O segundo disco demorou um pouco mais – na verdade, demorou bastante. Somente em 2013 veio o sucessor pleno de Round MI: Manifesto, lançado agora em maio e tido como o mais importante trabalho de sua carreira, segundo o próprio.

Ele continua: “Levou dez anos em desenvolvimento. É uma mistureba de estilos, com presença de experimentalismos, sintetizadores, sequencers, sons de piano, samples, etc”.

Mas não pense que o músico ficou parado. Nesse ínterim, tocou na banda de apoio de Damo Suzuki (ex-Can), integrou a banda de rock experimental Zumbi do Mato e participou da apresentação da lendária Faust em sua primeira vinda ao Brasil, em 2011. Estudou na tradicional Escola de Música Villa-Lobos e foi disponibilizando alguns trabalhos na rede nesse tempo, como o ambient-experimental Tempochuva (2006) e discos estruturados em sintetizadores: A Arte do Tédio (2007), Trapped in a Day Job (2011), entre outros. Boa parte de seus experimentos está reunida em seu BandCamp oficial.

O ano ainda nem acabou e Gustavo Jobim já pode dizer que ele foi bem frutífero. Além de Manifesto – que contou com colaborações de Thelmo Cristovam (trompete), Filipe Giraknob e Eduardo Pletsch (guitarras) – o músico desengavetou Free, em colaboração com o guitarrista Leandro Theo, datado de 2007; Normal Music, com o duo Visszajáró, da Sérvia; e um tributo ao pioneiro da eletrônica Conrad Schnitzler.

Ele relançou os trabalhos com sintetizadores na coletânea Piano Experiments 04/08 e organizou uma compilação de toda sua carreira em Retrospect 00/12, principal porta de entrada para se adentrar à sua obra.

Ainda houve tempo de desenvolver um projeto inovador: um disco solo de piano (Stream) que serve como trilha sonora de um projeto fotográfico assinado por Christian Caselli. Lançado agora em 13 de agosto, Stream é sequência de outros discos feitos com o mesmo instrumento: Perspectives (2011) e Nocturnes (2012). “É uma continuação da minha busca por uma linguagem musical própria, coisa que o piano proporciona bem porque é livre de outras preocupações”, disse Jobim ao Floga-se.

Streaming: ouça os discos Manifesto e Retrospect 00/12 na íntegra: