01 Neon Junkyard 02 Leather Jacket II 03 The Missing 04 Pensacola 05 Dream Captain 06 Blue Agent 07 T.H.M. 08 Sleepwalking 09 Back To The Middle 10 Monomania 11 Nitebike

12 Punk (La Vie Anté:rieure)

Gravadora: 4AD

Existe um caminho natural associado à maturidade que preza pelo seguinte: uma banda de rock começa agressiva, conquista uma baita multidão e, aos poucos, amansa para escrever composições mais complexas.

(Essa já foi a resumida trajetória de muitos artistas e seguiu como roteiro de muitos filmes de rock stars que sobreviveram às insanidades lisérgicas.)

Certo: e quando o caminho é inverso? E quando uma banda, já consagrada por trabalhar texturas inovadoras no rock, decide aumentar os amplificadores pra fazer barulho?

Essa é a primeira pergunta que se faz ao ouvir Monomania, quinto disco do Deerhunter.

Numa apresentação no Jimmy Fallon, a banda apresentou a faixa-título e, num ímpeto, o vocalista Bradford Cox abandonou o palco – não sem antes gritar enlouquecidamente ‘mono-mono-mania, mono-mono-mania!!!’ – tomou o copo de café de uma produtora no backstage, tacou o copo no chão e apertou o botão do elevador. Se lendo assim parece bobo, vale a pena conferir a apresentação no vídeo abaixo:

Fazendo um paralelo entre a atmosfera caótica e ao mesmo tempo melancólica de Halcyon Digest (2010), sem deixar de lado o projeto paralelo de Cox com o Atlas Sound – que resultou no cristalino e estranhamente belo Parallax (2011) -, o Deerhunter mandou um baita dedo do meio para as expectativas de seu trabalho.

Numa entrevista à Rolling Stone em 2011, Cox já dava sinais de que estava de saco cheio com a falta de ‘estranheza’ no rock atual. Depois de lançar o elogiado Halcyon Digest, o vocalista passou por maus bocados e não teve tempo de fazer muitos shows de divulgação. Recuperado, veio a ideia do Atlas Sound, que o levou para outra incursão musical.

De volta com a banda, novas ideias vieram na composição e na estética musical. A isso se acrescenta duas importantes mudanças: saiu o baixista Josh Fauver, entrou Josh McKay; e, na produção, voltou Nicolas Vernhes, que produziu o também ótimo Microcastle (2008).

O que isso influencia na agressividade que se pairou em Monomania? Além da faixa-título, claramente o rock sujo mais originalmente pesado que você deve ouvir em 2013, paira no disco um senso de reducionismo – reducionismo de acordes, reducionismo de efeitos estranhos ao fundo, reducionismo atmosférico…

Isso porque o disco clama por expressividade. O Deerhunter precisou confrontar a zona de conforto estipulada pela crítica indie de Pitchfork e seus séquitos espalhados pela rede para novamente se renovar como uma das maiores bandas de rock da atualidade.

Quem conhece a banda, sabe da genialidade contida desde o segundo disco. E não é isso que o Deerhunter de Monomania procura.

Uma faixa como “Leather Jacket II” é o rebento necessário para provar que a banda já não é mais a mesma. É barulheira pura, guitarras distorcidas, vocais esparsos. Se fantasmas pairavam em várias das faixas anteriores da banda, aqui eles decidiram atacar e decididamente ir à guerra. Não há o que entender; a sonoridade vai direto na jugular! O esquema é aumentar o volume e deixar-se levar pela assombração.

Mesmo quando o Deerhunter retoma as rédeas já exploradas, o faz de forma menos híbrida do que anteriormente. Há efeitos em uma “The Missing”, mas vemos que o baixo se sobressai; “Blue Agent” é tão diluída que poderia agradar fãs de The Strokes; “Sleepwalking”, por outro lado, engana desavisados que possam se sentir atraídos por uma letra positivista num rock todo anos 2000: ‘Agora você está voando, mas você vai descer/Você vai olhar em volta/Muito horrorizado com o que vai ver’.

O mais engraçado é saber que “Punk (La Vie Antérieure)”, a canção que deveria entregar a maior influência do disco, não tem nada a ver com o rock pesado da faixa-título, do blues sujo de “Pensacola” ou dos rápidos acordes de “Back To the Middle”. A contradição é que “Punk” é, curiosamente, a canção intimista que lembra discos como Microcastle e Halcyon Digest.

Faz todo sentido ela ser a faixa de encerramento de Monomania: não importa o que o Deerhunter faça, não há contradição alguma em chamá-la pura e simplesmente de… punk!

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Ouça a seguir o disco Monomania na íntegra (atenção: é por tempo limitado. O NPR costuma tirar o player do ar a partir da data oficial de lançamento, 5 de maio):

Melhores Faixas: “Leather Jacket II”, “The Missing”, “Pensacola”, “Back To the Middle”, “Monomania”.