Gravadora: Not Two/Trost
Data de Lançamento: 24 de março de 2016
No ano passado, Heather Leigh lançou um EP de pulsações selvagens, que poucos prestaram atenção: I Abused Animal. Seus arroubos continham tanto a geleira da música islandesa quanto o calor do free-jazz – isso só com vocais e distorções dos pedais de guitarra.
Ao lado do experiente jazzista Peter Brötzmann, um dos principais expoentes do free-jazz europeu (desde os anos 1970), ela estabeleceu uma parceria improvável, que resultou no álbum Ears Are Filled With Wonder.
Em apenas uma faixa, a noise-music é abordada sob diferentes ângulos extremistas: os solos esgarçados do sax de Brötzmann dão uma ideia de esforço contínuo, uma exasperação humana em busca do melhor de si.
Os efeitos de guitarra são totalmente ácidos. Heather controla exatamente o contraponto do que representa Brötzmann nesses 28 minutos incandescentes: ela frita ao fundo, como se fosse uma força externa pressionando o artista. Há um momento, por volta dos 17 minutos, que o saxofonista perde o acompanhamento: então ele aspira beleza, deixa que sua espiritualidade lhe guie.
Além do sax, Brötzmann também toca clarinete-baixo e o tarogato, também da família do clarinete, mas de origem romana.
“Não é uma gravação longa”, escreveu o crítico Richard Thomas na The Wire. “Mas há um grande amontoado de informações transmitidas. A constante sensação de mudança te ludibria a pensar que a paz das viradas é mais acelerada do que realmente é. É um disco muito belo, mas é belo não somente por conta de sua intensidade ou sua brutalidade bombástica de várias formas abstratas”.
Por fim, como diz Thomas, a grande soberba do disco “é a integridade que Leigh e Brötzmann ostentam”.
Ouça Ears Are Filled With Wonder na íntegra no player abaixo:
