Gravadora: Urban Jungle/Slap
Data de Lançamento: 18 de março de 2016

Desde que se projetou, em 2005, com o primeiro disco, Céu parecia ter uma postura diferente do rol de outras cantoras que surgiram naquele mesmo período: Tiê, Mariana Aydar, Thalma de Freitas, entre outras.

Seu som trazia um elemento de diversificação musical que apagou o termo ‘diva’, em benefício de novas escolhas musicais.

Vagarosa (2007) sentenciou essa separação; por mais que Vanessa da Mata tenha proximidade com a leveza do reggae, a musicalidade de Céu é mais aprofundada, uma escolha estética dela mesma. Numa pegada mais road trip, Caravana Sereia Bloom (2012) incorporou música brega, indie-rock e novas timbragens ao seu som.

Por ter uma pegada mais eletrônica, Tropix representa outra fase da cantora – na verdade, Céu ‘entra’ em novas fases a cada disco lançado, ora pois. Isso não quer dizer que as coisas tenham mudado tanto. A demarcação estética é uma diretriz que diferencia um disco de Céu de outro – mas, quanto às composições e quanto ao ritmo, essas demarcações não são assim tão relevantes.

Ela chamou novamente Pupillo para a produção (que também toca bateria). A diferença crucial, no caso, é a participação de Hervé Salters (tecladista e líder do grupo General Eletriks). O baixo é do contumaz parceiro Lucas Martins.


A compactação sonora favorece a dinâmica musical – muito bem aproveitada em faixas como “Arrastar-Te-Ei” e na interpretação de “Chico Buarque Song”, da banda Fellini – que, aqui, ganha matiz mais escura.

A cantora disse ter escutado Tame Impala e Kraftwerk para essa nova transição. Mas, de rock e eletrônico restam apenas contornos. “Varanda Suspensa”, por exemplo, tem um pouco de tudo que Céu explorou anteriormente: som neotropicalista em frequência pausada, complementado por timbres – estes sim, inspirados nessa ‘nova fase’.

Crítica: Céu | Caravana Sereia Bloom

Escolher “Perfume do Invisível” como primeiro single foi uma decisão acertada, justamente por sua demarcação. Alguém lembra de “Retrovisor”? O impacto é similar. Neste caso, ela opta por um minimalismo estético que favorece os sussurros. Há influência da bossa-nova no canto, mas o que perdura é a transição rítmica. As pequenezas captam a atenção por sua desenvoltura. Por isso a canção é tão representativa de Céu: mínima audácia, máxima relevância.

Mais uma vez, Céu optou por poucas participações especiais. A mais notável, “Etílica/Interlúdio”, é arremessada num universo psicodélico que lembra mais o Modeselektor, moderno, do que qualquer coisa dos anos 1970. A voz de Tulipa Ruiz é timidamente ouvida, e é melhor assim – ainda que dê pra imaginar ela sendo ‘substituída’ por outra.

“A Menina e o Monstro” é a melhor música do disco. Inspirada no momento em que sua filha, Rosa Morena, passou a entender os textos ao seu redor, a música tem uma proposta semelhante ao que Spike Jonze nos apresentou no filme Onde Vivem os Monstros. O lúdico acompanha toda a linguagem e, no caso da canção, Céu tenta ser a condutora, mas certos elementos a escapam; ao ouvir a locomotiva partindo e as guitarras de Pedro Sá simulando o descontrole, percebemos o quanto o desencaixe, se bem orquestrado, tem tudo a ver com ela quando se trata de estética musical.

Qual é o próximo passo?

Outros lançamentos relevantes:

Rashid: A Coragem da Luz (Independente)
Baleia: Atlas (Sony)
Iggy Pop: Post Pop Depression (Concord Loma Vista / Loma Vista Recordings)
Primal Scream: Chaosmosis (1st International / Ignition)
iLoveMakonnen: Drink More Water 6 (Parlophone)
Boris & Merzbow: Gensho (Relapse)