Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 6 de junho

As guitarras fritam. Chegam até a lembrar bandas nacionais psicodélicas dos anos 1970, como Módulo 1000 e O Terço, mas trata-se de outro gênero.

Formado em Santo André (SP) por Thiago Buda (baixo), Luiz Galvão e Leo Portella (guitarras), Willian Aleixo (teclados), Flavio Lazzarin (bateria), Fábio Prior e André Marchiori (percussões), o Kubata tem a raiz fincada no afro-beat, mas está longe de obedecer regras ou ser fiel a um estilo.

Abayomy e Bixiga 70 parecem reverenciais ao ouvir sons como “Aquarius” e “Ritu”. Há uma fritação nervosa, uma testosterona mais identificável com o local, Brasil, América do Sul. Claro, deve-se traçar a influência do continente africano, especialmente em uma canção como “Afrobatas”, mas o underground no disco de estreia, Zep Tepi, é pra ser levado à sério.

G. Álbuns: Módulo 1000 | Não Fale com Paredes (1970)

“Em um projeto de 7 cabeças, cada um é um universo, temos coisas em comum, mas também divergência de ideias, isso ajuda enriquecer o produto final”, disse ao Na Mira o tecladista William.

Eles se reuniram no 74 Club no final de 2012 “de forma natural, não conversamos muito sobre um ideal a atingir”.

“Na maioria das vezes que conseguimos achar um groove interessante no ensaio, apertamos o REC no celular mesmo, e depois ouvimos esse material em casa”, conta sobre o processo da banda.

Embora seja um título que pareça engraçado, o significado de Zep Tepi é: o tempo antes do tempo. William diz que “soa de um certo modo oriental, como mantras que se repetem”. Essa repetição tem correlação com uma cena nacional que está sendo redescoberta. Desde os anos 1960 grupos como Soma e até mesmo Som Imaginário, famoso por excursionar com Milton Nascimento, têm sido pilares de uma cena que envolve diferentes estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.

A cidade de Santo André sempre teve um pé bastante fincado no punk-rock. O resquício disso na música instrumental do Kubata é bem pequeno, mas existe sim. “Com o nosso jeito punk de tocar e desconstruir, já não era só afro-beat, afro-rock talvez”, classifica William. Mas, rótulos são rótulos e pouco importam.

O primeiro disco da banda foi lançado de forma independente. A gravação foi conduzida por por Luis e Vitor Cabral no estúdio Flapc4. A masterização é de Luis Lopes.

Ouça Zep Tepi na íntegra no player abaixo:

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