The Vaccines em foto de Andrew Whitton

The Vaccines – What Did You Expect from the Vaccines?

No momento em que os Strokes estouraram em 2001 com o lançamento de Is This It, o rock ainda sofria com a crise existencial postmortem de Kurt Cobain. A chegada de uma banda revivalista era tudo o que os jovens queriam naquele momento, para esquecer as mágoas de um período onde o ritmo finalmente poderia manter a qualidade pau a pau com bandas dos anos 70 e 80.

Mas quando afirmam repentinamente que os Vaccines são a nova salvação do rock, soa estapafúrdio. Não para a banda, que só quer mostrar o seu som, mas para a imbecilidade de um público adolescente que chega a desrespeitar os ótimos exemplos que estão mais vivos do que nunca – e que nem é preciso citar.

What Did You Expect from the Vaccines? já nasceu com o paradigma de agradar o hype mais rápido que tudo. Graças à BBC, que o encabeçou na famosa lista Sounds of 2011 como uma das principais referências do ano.

E o que esperar de uma banda que não representa nada de novo no cenário musical, a não ser a perpetuação da indie music enquanto essência juvenil de uma geração que não se cansa de procurar novos arquétipos, tão vazios quanto o conteúdo das letras do Vaccines?

O verdadeiro paradoxo é que o álbum da banda não é ruim. Acerta pela brevidade, mas falha na inovação sonora. Os vocais casam muito bem com o baixo e a bateria, como vemos em “Wetsuit”, mas os riffs caem no enjoo quando se ouve faixas como “Under Your Thumb” e “Wreckin’ Bar (Ra Ra Ra) – esta última uma admirável pancada que relembra, ao mesmo tempo, o impacto de grupos como Arctic Monkeys e o estouro do punk rock de 1977.

Momentos bons não faltam em um álbum que tem vigor para segurar o ouvinte, e o mérito fica para canções cativantes como “If You Wanna”, “Norgaard” e “Post Break Up Sex”. Mas a impressão que fica é que o Vaccines é o protótipo de uma banda plastificada e por vezes evasiva. Não soa como um grupo sinérgico que propõe unicidade, ainda que toquem sonoridades já exploradas. “Blow It Up” faz uma mescla muito boa de gêneros rebeldes como grunge e indie com roupagem, mas os vocais de Justin Young se perdem nas referências, e o ritmo da faixa descamba para uma sonoridade clichê e previsível.

Para uma banda recheada de hits fáceis, a última canção, “Family Friend”, soa bem estranha. É justamente nela em que os integrantes decidem se libertar de um rótulo prematuro para tentarem se ajustar, entrar nos eixos como banda e possivelmente soltar as algemas de um presídio que deteriora e impede a construção de uma identidade sonora. Ainda assim, o resultado é mau-sucedido e não agrada.

Então fica a pergunta sobre o futuro do Vaccines: melhor sustentar um rótulo sem uma identidade definida, ou partir para caminhos em que os integrantes finalmente se dialoguem?

Melhores Faixas: “Norgaard” e “Post Break Up Sex”.