Geralmente quando o termo jazz vem à cabeça, já pensamos em improvisação. A partir do momento que se tem a habilidade de dominar um instrumento e entrar em diálogo com os outros músicos, alguma coisa vai sair.

Thelonious Monk (piano), Sonny Rollins (sax) e Max Roach (bateria), naquele ano de 1956, eram três dos maiores jazzistas daqueles (e de todos) os tempos. O que eles registrassem numa sessão, já era digno de nota. Mas, em Brilliant Corners, eles não quiseram seguir esse caminho: tinha que haver uma magia por trás, algo dissonante que significasse uma ruptura para eles mesmos, músicos brilhantes há algum tempo.

Para se ter uma ideia: para gravar a faixa-título do disco, foram necessárias mais de 25 sessões! Mas a canseira valeu a pena: as notas em conflito no piano de Thelonious introduzem os sopros anárquicos no tenor de Sonny, que vão entrando nos eixos com a bateria veloz de Max Roach, um dos principais expoentes do bebop por tocar na banda principal de Charlie Parker. (O próprio Thelonious também foi um dos revolucionários do bebop por estabelecer uma dinâmica voraz no piano, apesar de não regozijar do mesmo reconhecimento que Charlie Parker ou Dizzy Gillespie.)

A essência de Brilliant Corners é blueseira: a balada de “I Surrender, Dear” é sustentada por lindos acordes de Thelonious na brilhante releitura do clássico de Harry Barris, composta em 1931 e gravado, pela primeira vez, por Louis Armstrong. “Pannonica” é contornado por solos inspirados pela emoção no tenor de Sonny Rollins em diálogo com o sax alto de Ernie Henry, mantidos pelo groove do baixo duplo de Oscar Pettiford.

O baixista Paul Chambers, que tocava regularmente no grupo de Miles Davis (inclusive nas sessões do clássico Kind of Blue), surge em “Bemsha Swing” num bebop fervoroso, ainda mais com o trompete flutuante de Clark Terry.

Esteticamente, Brilliant Corners estava fora do cenário bebop, modal ou cool jazz, que estavam florescendo naquele tempo. Mas é uma revolução de harmonias e tonalidades que, ainda hoje, serve como referência para muitos jazzistas. Resumindo: uma beleza esplêndida.

“Brilliant Corners”

“Bemsha Swing”