
The Flaming Lips – Doing The Dark Side Of The Moon



Se você é fã de Pink Floyd, não escute a releitura do The Flaming Lips para o clássico Dark Side of The Moon.
Não que Doing The Dark Side of The Moon, lançado recentemente pelo TFL em união com os não menos doidos Stardeath And White Dwarfs, Henry Rollins (Black Flag) e a cantora canadense Peaches, seja ruim.
É difícil interpor as características sonoras de grupos como estes em releituras de álbuns clássicos, como a obra-prima do Pink Floyd. Há uma clara tentativa de deixar isso exposto na obra mas, talvez por respeito demais ao DSOTM, os intérpretes acabaram se moldando demais na tentativa de atingir a aura do disco.
Apesar de existir uma conexão evidente dos experimentos realizados pelo PF com o Flaming Lips, não pode-se dizer que ambos os grupos trabalham a mesma sonoridade. Não mesmo. Repleto de incursões sonoras, Doing The Dark Side of The Moon traz mais distorção ao clássico, faz com que ele soe mais jovial e psicodélico.
Entretanto, engana-se quem pensa que ele torna a obra mais acessível. Veja (e ouça) e saiba porquê:
• “On The Run” tem um ar mais vintage, que por vezes soa como o interlúdio de uma canção indie-experimental, mas logo retoma à sonoridade do PF, quando entra o riff que lembra as hélices de um helicóptero.
• “The Great Gig on The Sky”, talvez a incursão mais suja do álbum, é distorcida ao máximo. A beleza sutil que caracterizou a faixa do Pink Floyd é contaminada aos gritos, absurdamente flagelada pelas guitarras de Wayne Coyne. Quem tem familiaridade com PF vai apertar o “Stop” na hora. Vai acabar se sentindo incomodado e não vai demorar um minuto para rodar o original Dark Side of The Moon.
• “Money” tem a cara do Flaming Lips. Com um vocal meio robótico e eletrônico até demais, a faixa dá um ar mais operacional à clássica frase “Money, get away”, como se a máquina registradora tivesse se afastando da contagem do dinheiro. Meio maluca, mas essa foi a impressão que ficou.
• “Us and Them” é a faixa mais fiel à sonoridade do PF. Acho que nem eles mesmos se sentiriam ousados o suficiente para distorcer uma das canções mais lindas do clássico.
Gosto bastante de Pink Floyd, mas garanto que consigo ouvir Doing The Dark Side of The Moon numa boa. O aspecto negativo – assim como acontece com a maioria das releituras – é que o intérprete nunca chega aos pés dos verdadeiros donos da obra. Assim, o ouvinte acaba ficando incomodado quando elas são interferidas por outros gêneros sonoros.
Tenho que confessar: os Flaming Lips foram corajosos nessa empreitada. Eles sabiam do perigo que corriam ao regravar Dark Side of The Moon.
O resultado é mais positivo que negativo, mas ainda fico imaginando que eles se prenderam demais ao jeitão Pink Floyd de ser. Apesar do incômodo, talvez eles colhessem melhores frutos se fossem mais Flaming Lips.
