The Budos Band – The Budos Band III

Depois do explosivo lançamento do álbum homônimo em 2005, o grupo instrumental The Budos Band conquistou os ouvidos mais sensíveis ao groove funk metálico, com uma pegada que não só remete aos áureos anos 70, como sugere uma modernização ao ritmo com toda a sincronia de uma big band que consegue captar a essência sonora de um gênero marcado pelo compasso.

Este ano, o grupo lançou o The Budos Band III com a essência vulcânica que marcou o som da banda. Gravado pela Daptone, o álbum é intenso quando o assunto é funk de primeira. Vê-se que são faixas que têm um pouco de urgência, como se estivessem se adaptando à pressa nossa de cada dia.

Ao contrário da maioria as faixas do ritmo, que geralmente têm mais de 6 minutos, a big band consegue criar um clima de tensão, talvez motivado pelas capas bem estranhas: naja, vulcões em erupção, escorpião… “Rite Of The Ancients” começa com batuques africanos e entra com os metais em brasa, de forma pulsante.

“River Serpentine” parece criar um clima de suspense animal, como se a naja da capa realmente estivesse prestes a atacar uma presa vulnerável. Com um ritmo meio soturno, pontuado pelos instrumentos de sopro e a percussão, a faixa soa como a trilha sonora do réptil venenoso no momento do embate.

Os 12 integrantes miscigenados entre brancos e negros conseguem traduzir essa energia ao vivo – como pode-se ver em alguns vídeos – da forma mais instigante possível. “Unbroken Unshaven”, por exemplo, é um R&B instrumental que carrega o peso dos metais e serve como porta de entrada para a banda nas apresentações de The Budos Band III. “Reppirt Yad” recria de uma forma mais lenta, mas com uma pegada funkeada, os riffs pegajosos de “Day Tripper”, um clássico single dos Beatles lançado em 1965.

Não há outra definição: The Budos Band III é o puro funk instrumental da melhor qualidade.

The Budos Band – “Unbroken, Unshaven”