Sem Medo Nem Esperança não é só o título do segundo disco de Arthur Nogueira. Além de ser homônimo de uma das dez faixas do novo trabalho do paraense de Belém, é um dos temas escolhidos por Gal Costa que compõem seu último álbum, Estratosférica (2015).

Assim como Gal, Arthur Nogueira recebeu direção do jornalista Marcus Preto em um clima soturno, obscuramente eletrônico (mais parecido, nesse sentido, com Recanto, de 2011).

A condução musical do disco ficou por conta dos conterrâneos do Strobo, formado por Arthur Kunz (bateria e efeitos) e Léo Chermont (guitarras).

Sem Medo Nem Esperança também reúne outras parcerias de Arthur na composição: Antonio Cicero (faixa-título, “Truques” e “Simbiose”), Omar Salomão (“Volta”), Letícia Novaes (“Eye Shark”), Marina Wisnik (“Vaga”) e Marcelo Segreto (“O Que Você Quiser”).

O clima do álbum é semelhante ao que Bruno Cosentino apresentou em seu trabalho de estreia, Amarelo (2015), com requintes de Diogo Strausz. Kunz e Chermont, por outro lado, são mais dinâmicos em suas batidas, conectando o tropical da música carioca ao gélido de um inverno frio – algo diferente do que eles exploraram no último disco do Strobo (Mamãe Quero Ser Pop, um dos melhores de 2014).

Há exceções ‘atmosféricas’: “Truques”, por exemplo, é um indie-rock pontuado por um eletrônico plástico, meio carioca, meio europeu. “Vaga” é mais abstrata e imagética, valorizando o perfil médio de um cidadão comum com elasticidade musical que liga o gênero ao art-rock.

Ouça Sem Medo Nem Esperança no player abaixo:

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No dia 23 de agosto (domingo), Arthur Nogueira apresenta o disco no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Veja detalhes aqui.