01 You Said (versão em CD) 02 Legs 03 Aging with Dignity 04 Subway Heart 05 Killing Time 06 Corridor / Lost Causes / Not the Person We Knew 07 Know 08 Bones 09 Tourism 10 Surfing 11 As Is 12 After 13 Gate 14 Conversations with White Arc (versão em CD) 15 Carrying (versão em CD) 16 Bait (versão em CD) 17 Third Street (versão em CD) 18 3 O’Clock, June 21st, Get Down There and Do It (versão em CD)

19 F.B.I. (versão em CD)

Gravadora: Celluloid
Data de Lançamento: 1981

Quando falam pra você sobre um disco de guitarras, o que vem à cabeça? Riffs e solos flamejantes, com os demais instrumentos servindo como tempero? Solos e mais longos solos? Grandes riffs que poderiam ser aproveitados na música pop?´

Há muitos bons exemplos de discos em que a guitarra é o principal ingrediente, mas nenhum serve como comparação ao debut do Massacre: Killing Time.

Formado em 1980 pelo britânico e experimentador Fred Frith (guitarras e teclados) e os norte-americanos Bill Laswell (baixo e trompete) e Fred Maher (bateria), o Massacre manteve-se em atividade por pouco mais de um ano, antes de se reunir novamente em 1998.

Bem influenciado pelo avant-garde da The Magic Band, que extraía a fuzarca instrumental a partir das ideias de Captain Beefheart, o Massacre tinha como pano de fundo uma Nova York underground. Ouvindo o disco justifica-se a proximidade com o punk, esticando sua agrura para subgêneros como fusion e free-jazz.

“Legs” impõe logo de cara essa força do grupo. Temos riffs ágeis que encaixariam facilmente em um Double Nickels On The Dime (Minutemen) e, quando achamos que uma letra daria uma tônica notável à faixa principalmente pelo ritmo do baixo, a bateria estabelece uma dinâmica que pede experimentações. Isso a guitarra faz com muito vigor em “Aging With Dignity”, com direito a urros.

Parece que estamos diante de uma banda tosca, mas canções como a faixa-título são eficazes ao mostrar que a banda sabe fazer uso de caminhos tortuosos. Não há procura por riffs lineares. A intenção é um tanto contrária: vide “Bones” que, no tempo do blues, consegue subvertê-lo com uma arritmia bem trabalhada.

Nessas explorações com a guitarra, o Massacre também bagunça com o prog-rock (“After”), new-wave (“Gate”) e até mesmo heavy metal (“Corridor”), apesar do termo não ser tão utilizado ainda.

Todas as faixas de Killing Time foram gravadas em poucas apresentações do trio em junho de 1981 no OAO Studio, localizado no Brooklyn, e em abril do mesmo ano no 24 Rue Dunois, em Paris.

Em 1993, o disco ganhou um lançamento especial em CD. Além das 13 faixas do disco, contava com mais quatro bônus: “Carrying”, “Bait”, “3 O’Clock, June 21st, Get Down There and Do It” e uma versão de “Conversations With White Arc”, que integrou o álbum solo de Fred Frith: Speechless (1981). Essas outras faixas foram registradas em clubes como CBGB, Stone Club e Inroads.

No relançamento de 2005, a banda incluiu “Third Street” e uma versão de “F.B.I.”, dos The Shadows.

Ainda que não tenha vendido muito, Killing Time permanece como um dos discos-chave para entender o que se chama de math-rock. Antes de criar o post-rock, o Slint bebeu dessa fonte. De nossas terras, é possível dizer que, sem Killing Time, possivelmente não teríamos o Hurtmold.

Um disco diferente de guitarras, que nos dá outra perspectiva do que convém se chamar power trio. De certa forma, Frith, Laswell e Maher também foram ‘potentes’, não foram?

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A seguir, ouça a versão original de Killing Time como lista de reprodução no YouTube: