01 Even When The Water’s Cold 02 Get That Rhythm Right 03 One Girl One Boy 04 Fine Fine Fine 05 Slyd 06 Californiyeah 07 Except Death 08 Careful

09 Station (Meet Me At The)

Gravadora: Warp

Há anos o mainstream gosta de manter o que há de pior da música eletrônica dançante (EDM) no topo das paradas. David Ghetta esgotou suas possibilidades, o Justice pode não repetir a qualidade de seu primeiro disco e, até que se prove o contrário, temos que engolir a filosofia falaciosa de Random Access Memories.

Tem Hot Chip de um lado mais indie e, se você realmente tiver afim de cavar outras possibilidades do EDM, pare de chorar com o fim do LCD Soundsystem e dê uma sacada no trabalho do !!! – que pode ser pronunciado como Chk Chk Chk.

Fazendo um esperto enlace entre melodias, vocais freaky e batidas que vão do techno ao acid, THR!!!Er se desprende de qualquer compromisso de manter o ouvinte nas pistas.

O clamor por movimento é bem perceptível, mas, sinceramente, não consigo teorizar que passos sairão de uma “Get That Rhythm Right”. Caso a veja como um ponto fraco, “Slyd” compensa: é bem apropriada para casas noturnas que acabam de abrir as portas aos primeiros convidados.

Quem caça o melhor do pop no EDM pode encontrá-lo de forma bem-sucedida em “One Girl/One Boy”. Tem guitarras contínuas, refrão pegajoso, um clima disco-music empolgante e, claro, appeal. Para extravasar, mesmo.

“Fine, Fine, Fine” habita uma esfera meio post-punk, ainda que o baixo funky lhe garanta um agito incontido. “Careful” já transporta a banda para a new-wave, indo de encontro aos poucos com o house.

Mais agitada é “Californiyeah”, ainda que ela passe longe de qualquer playlist improvisada de dance music. A tônica vocal pede um pouco mais da atenção do ouvinte, que invariavelmente pode lembrar nostalgicamente dos bons momentos em que a rádio Energia 97 FM ainda era influente. Se o clima era de ânsia, espere até os 2min30s: verá que valeu a pena.

“Except Death” é uma delícia: a mais dançante, envolvente e sexy de THR!!!Er – muito por conta dos falsetes vocais e pelo refrão certeiro.

Quem leva a sério o rótulo de dance-punk vai se contentar com o encerramento, “Station (Meet Me At The)”. A guitarra em alto volume de Mario Andreoni e a dinâmica da bateria de Paul Quattrone pedem um esforço maior nos vocais de Nic Offer, que modula muito bem uma energia roqueira que parece se extravasar de vez. Seria uma espécie de apelo para convencer o ouvinte a tocar o disco mais uma vez? Olha lá, pode ser que funcione…

Melhores Faixas: “One Girl/One Boy”, “Except Death”, “Station (Meet Me At The)”.