Gravadora: Merge
Data de Lançamento: 7 de outubro de 2014

“Estou interessado em música de clube, então é isso que [o disco] vai refletir”, revelou Dan Snaith, ou Caribou, em entrevista à FACT Magazine.

Para isso havia o projeto Daphni, também de sua tutela, mas o que a música dançante aparenta ter de mais superficial de alguma forma pegou o músico. (Talvez tenha sido a grande aceitação de Swim, um dos melhores discos de 2010, que lhe deu prestígio o suficiente para encabeçar alguns festivais de música eletrônica.)

Caribou rejeita o rótulo de EDM em sua música, mas só porque não é dos Estados Unidos. Lá, é assim que eles entenderiam a proposta de Our Love. E, por aqui, frequentadores de clubes clássicos como Broadway, Reggae Night e The Week entre o meio dos anos 1990 e início dos 2000 podem entender que o disco deveria ser alocado às pistas suadas.

Mas, de suor, Our Love tem quase nada. O que acontece é que a visão de Snaith do que seria ‘música dançante’ é substancial demais em sua complexidade de matemático. Takes como “Can’t Do Without You” e a faixa-título se destacam por seus loops dançantes, nos fazendo imaginar alguns strobos em casas noturnas sofisticadas e coloridas, mas não trazem nada de interessante a ponto de empolgar, por exemplo, um público que morre por um ingresso do TomorrowLand.

O grande problema do disco é ser mais eficaz como música ambient que ditamente eletrônica. Nesse nicho, eles se equiparam ao Metronomy, eletropop preguiçoso que se traveste de bem feito (vide “All I Ever Need”). E, a julgar por “Julia Brightly”, não passaria de um nome que seria esquecido depois de tocar por uma semana na rádio Energia 97 FM.

“Dive” e “Second Chance” formam uma sequência muito boa. Boa para os ouvintes que se identificam com o que tem acontecido de pior no R&B nos últimos anos (especialmente FKA twigs).

Escolher “Silver” como a segunda música de um álbum de premissa dançante é pecado dos grandes: tira toda a animação gerada por “Can’t Do Without You”.

Caso se crie alguma expectativa na terceira faixa, “All I Ever Need” brocha com sua batidinha manjada e há muito ultrapassada, mesmo nos bailinhos retrô.

Os pequenos acertos em Our Love estão onde os ouvintes menos irão notar. As nuances são interessantes: reverbs fragmentados e pequenas inserções em faixas que enganam qualquer afoito por hits. São as poucas características restantes de Swim.

O trabalho anterior forjava um arquétipo tribal e psicodélico que aqui se esvazia à superficialidade. Pegue “Mars”: uma das únicas daqui que reúne o melhor do Caribou em pouco tempo adquire elementos que a transfiguram num pedaço de set de DJ de segunda linha. Faz isso minimamente, mas a impressão que fica é de estarmos diante de um perfil amador de SoundCloud compartilhado por um frequentador de rave. (Aliás, quase todas as músicas nos dão a impressão de que soariam melhor em um set do que propriamente num disco.)

Caso fosse dançante como Snaith supõe ou criativamente cativante como sugerira os álbuns anteriores do Caribou, Our Love poderia requisitar adjetivos melhores que extenuado e sem graça.

Nenhum clube ou festival de música eletrônica, que pretende manter o público agitado, deve se apoiar neste álbum.