Renan Inquérito voltou a 1850, em Minas Gerais, em busca de reescrever o que está atrelado à nossa historiografia: que o Brasil ‘cresceu’ a partir do regime escravocrata.

Para tanto, ele deu a possibilidade do diretor Levi Vatavuk fazer do clipe “Eu Só Peço a Deus” uma trama que discute o racismo e a escravidão. As letras de Inquérito soam bem oportunas à proposta: ele recobra o que nomes como Bandeirantes, Castello Branco e Raposo Tavares têm de bom para perpetuar em nomes de rodovias: ‘Botar nome desses cara nas estrada é cruel/É o mesmo que rodovia Hitler em Israel‘.

Apesar do pano de fundo histórico, existe uma correlação com o que acontece atualmente. Inquérito explica:

“Queremos questionar o que mudou de 1850 para 2015. Quando você vê um homem de pele negra sendo açoitado por um capitão do mato, o que isso te faz pensar? A polícia, com seus coturnos pretos, mata igualmente nas periferias. E quem morre é a juventude negra do Brasil. Quando discute-se reduzir a maioridade penal, fecham-se escolas, constroem-se presídios, estão nos obrigando a uma escravidão consentida, a ficar na senzala, a viver das migalhas do homem branco e o clipe vem pra mostrar que tiramos a venda que nos cega. Que não vamos aceitar e que vamos usar a arte para denunciar o racismo e a violência.”

O vídeo foi gravado numa fazenda de Minas Gerais, com roteiro de Vinícius Vitti.

A faixa integra o último disco de Inquérito, Corpo e Alma, considerado um dos melhores discos nacionais de 2014.

Assista ao clipe “Eu Só Peço a Deus” no player acima.