Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 12 de dezembro de 2013

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É muito fácil encontrar quem goste de A Tribe Called Quest hoje em dia, mas não se vê tanta celebração em torno de Busta Rhymes.

Talvez por ter ascendido mais que o grupo de Q-Tip, Busta Rhymes foi obtendo abstenção da crítica na mesma medida em que aumentava seu público a partir de The Big Bang (2006).

Ainda que as trajetórias sejam diferentes, Rhymes já colaborou bastante com Q-Tip tanto no celebrado Tribe, como em sua carreira solo.

E a mixtape The Abstract and The Dragon vem para fazer jus a essas colaborações que se acumularam com o passar dos anos.

“Scenario” e “Thank You” estão lá em versões com adições vocais de Kanye West e Lil’ Wayne, mas esse passeio fica muito mais interessante quando chegamos a petardos como a faixa-título, onde a eloquência vocal de Busta se firma muito bem numa estética jazzística e minimalista.

“Wild Hot” é ainda mais instigante. Rememorando o melhor dos anos 1990, N.W.A. e Main Source estão condensados ali como referências possivelmente escondidas, mas inegáveis. Só fica melhor com a entrada triunfal de Rhymes: ‘fi-ga-ro/fi-ga-ro/fi-ga-ro’.

Além de registrar essa parceria que merecia maior crédito no cenário hip hop, The Abstract and The Dragon rememora o trabalho de J Dilla, que faleceu em fevereiro de 2006 e teve parte de sua obra relançada de uns dois anos pra cá. O ápice está na produção de “Lightworks”. Unindo uma produção subaquática com linhas alarmantes e psicodélicas, o pano de fundo da faixa pede urgência nos vocais de Busta, Q-Tip e Talib Kweli ‘faiscando como fogos de artifício quando a luz chega aos céus/Somos independentes como o 4 de Julho’.

Há uma faixa que não está registrada em nenhum disco da dupla: “Come On Down”, de Big Daddy Kane (Prince of Darkness, 1992), numa versão melhor finalizada. Pra colocar no salão ou no talo no carro, sem medo de se divertir.

Completam o extenso tracklist faixas avulsas de trilhas sonoras e discos não tão celebrados dos rappers. Neste caso, vale agitar com “For the Nasty”, de 2010, com participação de Pharrell, e “Get Down”, uma releitura de “N.T.”, de Q Tip, sob pianos em staccato. Ao final desta última faixa, ouvimos Busta Rhymes se estressar no estúdio, enquanto os engenheiros sonoros e produtores racham o bico.

O único take inédito é “Butch and Sundance”, criado sobre uma linha de baixo que se encaixaria na proposta de um Midnight Marauders (1993). Perceba que Busta Rhymes altera sua velocidade usual de rima, reclamando para ‘entrar na linha’ e disparando aos desavisados: ‘pare com esta merda, filho!’. Seria uma mensagem ao produtor ou aos outros rappers que se acham a última bolacha do pacote?

Por mais que The Abstract and The Dragon reúna um montante de 28 faixas, tem uma duração menor do que aparenta. A impressão é que estamos diante do briefing rascunhado de uma ideia que merecia maior destaque.

Q-Tip e Busta Rhymes poderiam formar o exemplo clássico de dupla que se completa – o primeiro pelos dotes de produção, o segundo por ser um incisivo frontman (apesar de Q-Tip ser mais completo que o parceiro na junção de tudo). No entanto eles não precisam de tanto, porque a colaboração dentro de mais de duas décadas se deu pelos encontros e mais pela amizade que qualquer outra circunstância.

Fica como aperitivo para os discos solo de cada um deles, que devem sair ainda em 2014.

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Ouça The Abstract and The Dragon na íntegra: