01 London Calling 02 Brand New Cadillac 03 Jimmy Jazz 04 Hateful 05 Rudie Can’t Fail 06 Spanish Bombs 07 The Right Profile 08 Lost In The Supermarket 09 Clampdown 10 The Guns of Brixton 11 Wrong ‘Em Boyo 12 Death Or Glory 13 Koka Kola 14 The Card Cheat 15 Lover’s Rock 16 Four Horsemen 17 I’m Not Down 18 Revolution Rock

19 Train In Vain

Gravadora: Sony
Data de Lançamento: 14 de dezembro de 1979

London Calling em uma lista de discos clássicos é um clichê dos grandes. No entanto, erro ainda maior é você ter um site de música e não falar desta que é uma das maiores obras-primas do rock.

A história todo mundo já conhece: Joe Strummer (vocal/guitarra), Mick Jones (guitarra), Paul Simonon (baixo) e Topper Headon (bateria) já haviam feito a sua estreia com o disco homônimo de 1977, condensou melhor o punk em Give’ Em Enough Rope (1978) e, depois de muito brigar com a gravadora CBS e expulsar o antigo produtor Sandy Pearlman (substituição muito bem feita para a entrada de Guy Stevens), lançou em 1979 um disco que transcendeu as fronteiras do punk ao unir gêneros como reggae, ska, soul, funk, rockabilly, jazz…

Mas, a pergunta que muitos devem fazer: por que tecem tantas loas assim ao London Calling?

A resposta é muito, muito simples. Basta escutá-lo!

Apesar do ecletismo tão enaltecido do disco, todos esses gêneros servem para provar o quanto o punk é derivativo de diversas influências. No caso do The Clash, é como se o punk fosse a origem do acid jazz de “The Right Profile” (que solos bonitos nos metais do The Irish Horns!), do baile rocksteady de “Wrong’ Em Boyo” ou até mesmo da blueseira “Lover’s Rock”.

As canções, por si só, são um explosivo garantido. Coloque em um player alto que, da bombástica “London Calling” ao blues urgente de “Train in Vain (Stand By Me)”, é sucesso garantido. Uma pérola.

Mas a grande riqueza do disco reside nas composições de Strummer e Jones. A faixa-título denuncia a negligência de sua cidade-natal em relação aos jovens, à nova cena musical e às classes mais abastadas para estimular o vício e o detrimento de novos costumes: ‘A era do gelo está vindo, o sol está se aproximando/Explosão nuclear esperada (…)/Máquinas param de funcionar, mas eu não tenho medo/Londres está sufocada’.

Em “Lost in the Supermarket”, Jones remete aos solos econômicos de um Keith Richards numa canção que exemplifica a solidão de uma metrópole: ‘As crianças nos corredores e os canos nas paredes/Fazem o barulho que é minha companhia/Ligadores de longa distância fazem ligações de longa distância/E o silêncio me faz solitário’.

Além desta canção, também é creditada a Mick Jones as composições de “The Card Cheat” (lamúrio contra o ciclo vício-jogos-drogas-morte), “I’m Not Down” (com essa verídica comparação: ‘Se é verdade que um homem rico leva uma vida triste/(…)Então o que todas as pessoas pobres fazem com suas vidas?’) e a última, “Train in Vain” que, por ter entrado às pressas no disco, acabou ficando de fora do encarte oficial.

Com clara influência do lendário disco/filme The Harder They Come (1972), o baixista Paul Simonon crava seu registro com “The Guns of Brixton” (que, inclusive, foi regravada no novo disco de Jimmy Cliff). Esse clima regueiro-festivo é novamente acionado em “Revolution Rock”, “Rudie Can’t Fail” e “Wrong’ Em Boyo”.

E, claro, se gosta do The Clash porque gosta de rock de verdade, não tem nem o que falar das excelentes “Spanish Bombs”, “Hateful”, “Clampdown”…

Se um dia lhe perguntarem por que o Clash foi uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, motivos não faltam para argumentar. Só saiba de uma coisa: a maior parte de todo esse bolo aí se deve a London Calling.

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A seguir, ouça London Calling, do The Clash, na íntegra: