Gravadora: Lab 344/Take Me to the Hospital
Data de Lançamento: 30 de março de 2015
The Fat of the Land (1997) foi um disco estrondoso mesmo diante dos grandes feitos do The Prodigy com Experience (1992) e Music For the Jilted Generation (1994). O estrondo, nesse caso, tem mais a ver com a potência que qualidade.
Quase duas décadas depois, a praga foi perpetuada. Os discos posteriores desses ravers continuaram fazendo barulho, mas não passaram disso.
Pior: a situação foi restringindo a criatividade do coletivo cada vez mais fragmentado, até chegar ao bagaço de The Day is My Enemy.
Alto, o disco é um paliativo ante sons indesejados de um trem lotado ou de pessoas mal humoradas na rua. Funciona nas pistas, mas não convence nem o mais despretensioso dos ouvintes. Vislumbramos o Prodigy sendo lobo dele mesmo – um lobo mal feito e faminto de bom senso, como não esconde a capa.
Sim, o Prodigy tem que se adequar aos novos tempos, mas vemos a sua originalidade lamentavelmente diluir dolorosamente. Agradeça por não ter desvanecido completamente…
O single “Nasty” parece ter sido feito por um DJ de quinta categoria. A barulheira de “Rhythm Bomb” bate, bate, bate… E não chega a nada.
Em tempos onde estamos vulneráveis a presenciar mudanças vergonhosas de bandas como Korn ao dubstep, é até um alento perceber que o Prodigy não pendeu por este lado. Adeptos ao som viciado de Skream e Skrillex podem gostar de “Ibiza”, com participação de Sleaford Mods, ou a quase-dubstep “Rok Weiler” – no entanto, são as únicas que flertam com esse subgênero.
Sim, o Prodigy tem que se adequar aos novos tempos, mas vemos a sua originalidade lamentavelmente diluir dolorosamente. Agradeça por não ter desvanecido completamente…
“Destroy”, uma das piores investidas musicais em décadas do Prodigy, peca pela repetição vazia. Até um robô se entendiaria se tivesse que anunciar ‘destroy’ ‘destroy’ paulatinamente. Um joão-bobo vocal. Quanto à batida? O Prodigy fez melhor até mesmo no subestimado Invaders Must Die (2009).
Ok, não sejamos crueis: The Day is My Enemy tem algumas faixas boas. “Rebel Radio” talvez seja a melhor delas, por colocar as batidas power-techno numa válvula incendiária que, ao contrário da maioria das outras canções, convence.
As distorções de “Get Your Fight On” sugerem algo criativo dentro da perspectiva raver-com-guitarras atribuída ao Prodigy.
Hoje em dia, o nome Prodigy continua associado à grandiosidade, mas somente quando mencionamos algum evento grandioso que os patrocine. The Day is My Enemy tem tudo para agradar marcas de energético. E só.
